1. Antropometria: A Base da Avaliação
A antropometria é o tema mais frequente. Domine estes conceitos para o diagnóstico nutricional e avaliação de riscos.
Diagnóstico de Sarcopenia (Fluxo EWGSOP2 - 2019)
Passo 1: Rastreio (Find)
Utilizar questionário SARC-F. Pontuação ≥ 4 sugere risco.
Passo 2: Avaliação da Força Muscular (Assess)
Principal critério diagnóstico. Medido pela força de preensão manual.
< 27 kg
Homens
< 16 kg
Mulheres
Passo 3: Confirmação da Massa Muscular (Confirm)
Se a força estiver baixa, confirma-se o diagnóstico avaliando a quantidade/qualidade muscular.
DXA: MMEA/altura² < 7.0 kg/m² (H) ou < 5.5 kg/m² (M).
BIA ou Circ. Panturrilha (< 31 cm) são alternativas.
Passo 4: Avaliação da Severidade (Severity)
Mede o desempenho físico para classificar a gravidade da sarcopenia.
Velocidade da marcha ≤ 0.8 m/s, SPPB ≤ 8 pontos, ou TUG ≥ 20s indicam sarcopenia grave.
Perda Ponderal Grave
Um sinal de alerta fundamental que indica estado catabólico e elevado risco nutricional, comprometendo a resposta ao tratamento.
Avaliação em Populações Específicas
Pediátrica
- Obesidade: Escore-Z ≥ +2 do IMC é o critério para considerar farmacoterapia.
- Estatura: A partir dos 2 anos, a medida em pé é em média 0,7 cm menor que a deitada.
- Ganho Ponderal Precoce: É um fator de risco para obesidade futura por "programação metabólica".
Pacientes Críticos (Ultrassonografia)
- Ecogenicidade: Avalia a qualidade muscular (infiltração de gordura/fibrose).
- Músculos: Reto femoral e quadríceps total são os mais utilizados.
- Transdutor: Utilizar o transdutor linear para melhor resolução de estruturas superficiais.
2. Avaliação Laboratorial: O que os Exames Contam
A interpretação correta dos exames é vital, sempre considerando o contexto clínico do paciente, especialmente a presença de inflamação.
Meia-vida de Proteínas Plasmáticas
A meia-vida determina a rapidez com que a proteína responde às mudanças nutricionais. A transferrina é ideal para avaliações de curto prazo (10-15 dias).
Marcadores de Desnutrição Grave
Refletem o impacto da desnutrição na função imune e capacidade de transporte de nutrientes. A PCR alta indica inflamação, que por si só reduz proteínas de fase aguda negativas como albumina e transferrina.
< 800 /mm³
Contagem de Linfócitos
< 100 mg/dL
Transferrina
Creatinina Urinária (24h)
Forte correlação com massa magra. Valores ideais: 23 mg/kg (Homens) e 18 mg/kg (Mulheres).
3. Calorimetria Indireta: Entendendo o Metabolismo
Padrão-ouro para medir o gasto energético. Sua correta interpretação é fundamental para uma terapia nutricional adequada.
Quociente Respiratório (QR = VCO₂ / VO₂)
O QR reflete qual substrato o corpo está utilizando como principal fonte de energia.
Interpretação Clínica do Consumo de O₂ (VO₂)
Mudanças no VO₂ indicam alterações na taxa metabólica do paciente, guiando ajustes na terapia.
Diminuição do VO₂ (Metabolismo Lento)
Causa principal em provas: Hipotermia. Outras: sedação, coma.
Aumento do VO₂ (Metabolismo Acelerado)
Causas comuns: Hiperalimentação, febre, sepse, trauma.
4. Bioimpedância Elétrica (BIA): Composição Corporal
Um método prático, mas cuja precisão depende da técnica correta e da interpretação contextualizada dos resultados.
Ângulo de Fase (PhA): O Indicador de Saúde Celular
O Ângulo de Fase é uma medida direta da integridade e função da membrana celular. Quanto maior o ângulo, mais saudáveis as células.
Valores normais geralmente estão acima de 5 graus. Valores baixos são um marcador prognóstico negativo.
Fatores Críticos
- Hidratação: Fator mais crítico. Edema é interpretado como massa magra.
- Preparo: Exige jejum (4-8h) e repouso de exercícios (12-24h).
Contraindicações
- Marca-passo e dispositivos eletrônicos implantáveis.
- Gestantes: BIA é imprecisa devido às alterações hídricas e corporais.