Nutro-TEN | Desnutrição, Caquexia e Síndrome de Realimentação

Contexto e Relevância para o TEN

Nutro-TEN

1. Contexto e Relevância para o TEN

Desnutrição é um dos temas mais cobrados na Prova de Título em Nutrologia — e o padrão de cobrança é consistente ao longo de todos os anos disponíveis (2022 a 2025). A banca utiliza esse tema de três formas distintas, que exigem estratégias de estudo diferentes entre si.

A primeira forma é o diagnóstico laboratorial em casos clínicos hospitalizados. O enunciado apresenta um paciente com doença subjacente grave, fornece valores de albumina, transferrina, PCR e outros marcadores, e pede que o candidato identifique o quadro nutricional e seu mecanismo. A armadilha clássica é confundir a queda das proteínas viscerais — que nesse contexto é secundária à inflamação — com desnutrição proteica primária por ingestão insuficiente. A segunda forma é a aplicação dos critérios GLIM: o candidato precisa identificar corretamente qual critério fenotípico e qual critério etiológico estão presentes, e classificar a gravidade exclusivamente pelos critérios fenotípicos. A terceira forma, aparecendo com crescente frequência a partir de 2023, é a caquexia — neoplásica e cardíaca — com foco nos mecanismos fisiopatológicos (via ubiquitina-proteassoma, UCPs, resistência anabólica por bloqueio de mTOR) e nos critérios diagnósticos do Cachexia Consensus Conference (2008).

Este módulo constrói o raciocínio que sustenta qualquer variação de enunciado sobre esses temas. Os critérios diagnósticos, as meias-vidas dos marcadores, as ferramentas de triagem (NRS-2002, ASG) e a Síndrome de Realimentação — todos serão tratados com os valores exatos que a banca usa, identificando a fonte de cada número.

1.1 Padrão de Cobrança por Subtema

Subtema Anos cobrados Frequência
Diagnóstico laboratorial de desnutrição (albumina, transferrina, linfócitos) 2022, 2024, 2025 ★★★★★
Critérios GLIM — diagnóstico e classificação de gravidade 2023, 2025 ★★★★
Ferramentas de triagem: NRS-2002, ASG 2023, 2024 ★★★★
Síndrome de Realimentação — mecanismo e manejo 2022 ★★★
Caquexia neoplásica — fisiopatologia (ubiquitina, UCPs, mTOR) 2025 ★★★★
Caquexia cardíaca — critérios, disgeusia, diuréticos 2024, 2025 ★★★★
Imunonutrição perioperatória 2025 ★★★
Nutrição parenteral no paciente crítico de alto risco (NUTRIC ≥ 5) 2025 ★★★
Nutrição em cirrose hepática — ESPEN 2020 2025 ★★★

2. Definições e Classificação da Desnutrição

Antes de qualquer critério diagnóstico, o candidato precisa entender que a desnutrição não é sinônimo de inanição. A definição moderna, adotada pela ESPEN e pela GLIM, reconhece que a desnutrição pode ocorrer em pacientes com ingestão aparentemente adequada quando há inflamação sistêmica intensa — porque a inflamação redireciona os recursos metabólicos, eleva o catabolismo e reprime a síntese das proteínas viscerais. Isso tem implicação direta em como interpretar os marcadores laboratoriais à beira do leito.

2.1 A Tríade Clássica: Marasmo, Kwashiorkor e Forma Mista

A nomenclatura pediátrica — marasmo e kwashiorkor — foi transposta para o adulto hospitalizado a partir da década de 1970, mas com ressalvas importantes que a banca explora.

Marasmo (desnutrição crônica): deficiência prolongada de calorias e proteínas. O paciente está consumido, sem gordura subcutânea e sem massa muscular, mas as proteínas viscerais (albumina, transferrina) estão relativamente preservadas — porque o organismo em jejum prolongado e SEM estresse agudo mantém a síntese hepática. Imunocompetência, cicatrização e resistência ao estresse moderado estão relativamente conservadas — diferencial crítico em relação ao kwashiorkor.

Kwashiorkor (desnutrição aguda): o enunciado descreve um paciente em situação de estresse agudo — infecção, trauma, cirurgia, burn — que está recebendo apenas soro glicosado há 10 a 15 dias. As reservas gordurosas e musculares podem estar normais (aparência enganosa), mas há hipoalbuminemia grave, edema, má cicatrização e imunossupressão. A depleção das proteínas viscerais não é por falta de ingestão proteica, mas pela resposta inflamatória que reprime sua síntese hepática.

Desnutrição mista: paciente cronicamente desnutrido (marasmo) que sofre um novo estresse agudo (infecção, cirurgia). Soma as alterações de ambos os tipos. É a forma mais grave e de pior prognóstico.

ARMADILHA DIAGNÓSTICA — A Albumina Baixa Não é Sempre Desnutrição

A banca usa frequentemente o seguinte cenário: albumina 2,6 mg/dL + PCR 18 mg/dL + ITU grave. A questão cobra a avaliação nutrológica mais precisa.

A resposta correta é "depleção proteica visceral secundária à inflamação sistêmica" — NÃO "desnutrição proteica leve por redução da ingestão". Quando a PCR está elevada, a albumina e a transferrina são proteínas de fase aguda NEGATIVA — sua queda reflete redistribuição metabólica e repressão da síntese hepática por citocinas (IL-6, TNF-α), não necessariamente estoque proteico reduzido.

Corolário: em paciente com inflamação aguda intensa, não usar albumina como marcador de desnutrição. Ela perde essa função. Isso foi cobrado diretamente na TEN 2025 (Questão 40).

💡 Conexão Prova TEN 2025 (Questão 40)
A interpretação das proteínas viscerais (albumina/transferrina) em idoso sob estresse inflamatório agudo (ITU grave com PCR 18) como "depleção proteica visceral secundária à inflamação sistêmica" foi tema da prova de 2025. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
Parâmetro Desnutrição Crônica (Marasmo) Desnutrição Aguda (Kwashiorkor)
Reservas musculares Depletadas Relativamente preservadas
Gordura subcutânea Ausente Relativamente preservada
Proteínas viscerais (albumina) Preservadas ou discretamente reduzidas Marcadamente reduzidas (< 2,8 g/dL)
Edema Ausente Presente
Imunidade celular Relativamente preservada Deprimida
Cicatrização Relativamente preservada Comprometida
Hormônios contra-regulatórios Baixos (nível basal) Elevados
Cetonas Presentes Ausentes
Quociente respiratório (QR) ~0,75 (metabolismo lipídico) ~0,85 (combustível misto)
Contexto clínico típico Doenças crônicas indolentes, desassistência UTI, pós-operatório, sepse, politrauma
💡 Conexão Prova TEN 2022 (Questão 21)
O diagnóstico semiológico e laboratorial diferenciado da desnutrição proteica (edema sacral/membros inferiores, língua despapilada, queilite e queda severa de albumina/transferrina) em relação ao marasmo simples foi tema cobrado na prova de 2022. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

3. Marcadores Laboratoriais de Desnutrição

A Prova de Título explora os marcadores laboratoriais de duas maneiras: (1) pedindo que o candidato identifique qual marcador é adequado para monitorar a resposta à terapia nutricional em determinado intervalo de tempo; (2) pedindo que o candidato interprete corretamente um marcador no contexto de inflamação aguda. As duas situações exigem que você conheça de cor as meias-vidas.

3.1 Proteínas de Fase Aguda Negativa: Albumina, Transferrina e Pré-Albumina

O fígado produz continuamente proteínas de transporte — albumina, transferrina, pré-albumina (transtirretina). Em estados de inflamação sistêmica, a sinalização por IL-6 reprime seletivamente a síntese dessas proteínas (fase aguda negativa) e redireciona os aminoácidos para a produção de proteínas de fase aguda positiva (PCR, ferritina, fibrinogênio). Isso explica por que albumina baixa + PCR alta = inflamação, não necessariamente desnutrição proteica.

Proteína Meia-vida Ponto de corte para desnutrição GRAVE Uso clínico principal
Albumina ~20 dias < 2,1–2,8 g/dL* Estado nutricional crônico; reflete pool proteico visceral. NÃO usar em inflamação aguda.
Transferrina 8–9 dias < 100 mg/dL (grave) Monitoramento de curto prazo (ideal para janelas de 8–14 dias).
Pré-albumina (transtirretina) 2–3 dias < 5–10 mg/dL (grave) Monitoramento de resposta nutricional em dias. Cai rapidamente na inflamação aguda.
Proteína ligadora de retinol (RBP) ~12 horas Variável por laboratório Muito sensível; raro uso rotineiro.

* O ponto de corte para albumina em desnutrição grave varia ligeiramente entre fontes (2,8 g/dL é o valor mais citado na apostila do Nutroschool; 3,0 g/dL é usado por algumas diretrizes para alto risco perioperatório). A banca em 2022 utilizou o valor de 2,7 g/dL em paciente com quadro clínico e laboratorial compatível com desnutrição proteica.

🎯 PONTO DE PROVA — Regra das Meias-Vidas
  • Monitoramento de curto prazo (dias) → Pré-albumina (meia-vida ~2–3 dias)
  • Monitoramento de médio prazo (1 semana / ~10 dias) → Transferrina (meia-vida ~8–9 dias)
  • Monitoramento de longo prazo (semanas) → Albumina (meia-vida ~20 dias)
Questão de Fixação Interativa (TEN 2022 — Q22) Não respondida
Um homem de 51 anos, tabagista e etilista, com adenocarcinoma de laringe e IMC de 18,0 kg/m² (baixo peso/desnutrição), tem cirurgia agendada para dali a 10 dias, período no qual receberá terapia nutrológica pré-operatória. A equipe necessita avaliar a resposta e evolução das proteínas plasmáticas no curto prazo antes do ato cirúrgico. Qual é o marcador mais indicado para essa finalidade?
A Albumina.
B Ferritina.
C Transferrina.
D Proteína C reativa.
Gabarito: C — Transferrina
Para a monitorização de curto prazo (janela de 10 dias), a escolha do marcador biológico baseia-se na meia-vida da proteína. A albumina possui meia-vida longa (~20 dias), sendo inadequada para refletir alterações agudas. A transferrina, com meia-vida curta de aproximadamente 8 a 9 dias, funciona como um indicador altamente sensível e dinâmico do anabolismo proteico em resposta à terapia nutrológica instituída no perioperatório.
Incorreto. A resposta correta é C.
A transferrina possui meia-vida de 8 a 9 dias, tornando-a ideal para monitorização em curto prazo (janela de 10 dias) comparada à longa meia-vida da albumina (~20 dias).

3.2 Contagem de Linfócitos Totais

A contagem de linfócitos totais é um marcador imunológico da desnutrição proteico-energética. A imunossupressão decorrente da desnutrição compromete a produção de células de defesa, porque a síntese de proteínas para manutenção do tecido linfoide depende de substrato proteico adequado.

Contagem de Linfócitos Totais Interpretação
1.200–2.000/mm³ Desnutrição leve
800–1.200/mm³ Desnutrição moderada
< 800/mm³ Desnutrição grave
Questão de Fixação Interativa (TEN 2025 — Q39) Não respondida
Homem de 32 anos, alcoolista, vivendo em situação de rua, com tuberculose pulmonar ativa, apresenta índice de creatinina-altura (ICA) < 60% do valor esperado para sexo, idade e altura. Considerando esse dado laboratorial, qual das opções abaixo representa a melhor interpretação clínica desse achado?
A Representa adaptação metabólica com redução da síntese de creatinina devido ao padrão alimentar precário.
B Reflete catabolismo muscular agudo com mobilização de aminoácidos.
C Sugere depleção muscular grave associada à subnutrição proteico-energética crônica.
D Corresponde à razão entre a massa muscular estimada pela bioimpedância e a altura.
Gabarito: C — Depleção muscular grave por subnutrição proteico-energética crônica
O ICA estima a massa muscular. Em indivíduos com função renal normal, a excreção urinária de creatinina em 24h é diretamente proporcional à massa muscular corporal. Valores < 60% indicam depleção muscular grave, associada a estados de subnutrição proteico-energética crônica em pacientes com infecções ou privação crônica.
Incorreto. A resposta correta é C.
A excreção urinária de creatinina estima a massa muscular. Um valor de ICA inferior a 60% aponta para depleção muscular grave secundária a um estado crônico de desnutrição proteico-energética.
💡 Conexão Prova TEN 2024 (Questão 25)
A contagem de linfócitos totais (< 800/mm³ definindo desnutrição grave) e a janela de meia-vida de proteínas de síntese hepática foram cobradas na prova de 2024. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

3.3 Índice Creatinina-Altura (ICA)

A creatinina é subproduto do metabolismo da creatina muscular. Em indivíduos com função renal estável, a excreção urinária de creatinina em 24 horas é diretamente proporcional à massa muscular corporal. O ICA é calculado dividindo a creatinina urinária de 24h medida pela creatinina esperada para pessoa saudável de mesmo sexo, idade e altura.

ICA Interpretação
> 90% Normal
80–90% Depleção muscular leve
60–80% Depleção muscular moderada
< 60% Depleção muscular grave
🩺 PÉROLA CLÍNICA — ICA vs. Catabolismo Agudo

O ICA reflete o resultado acumulado de um processo crônico de perda muscular — não a taxa de catabolismo no momento da coleta. Um paciente com tuberculose ativa, alcoolismo e situação de rua com ICA < 60% tem depleção muscular grave por subnutrição crônica (TEN 2025, Questão 39). Para avaliar catabolismo agudo, usa-se balanço nitrogenado, não ICA.

4. Critérios Diagnósticos para Desnutrição

4.1 GLIM 2019 — O Critério que a Banca Adota

O consenso GLIM (Global Leadership Initiative on Malnutrition, 2019) é o critério diagnóstico de desnutrição mais cobrado no TEN a partir de 2023. Ele é a referência que unificou ASPEN, ESPEN, FELANPE e PENSA. A lógica é simples: para diagnosticar, precisa de pelo menos 1 critério fenotípico E 1 critério etiológico. Para classificar a gravidade, olha-se apenas para os critérios fenotípicos.

O raciocínio por trás dessa estrutura é importante. Os critérios fenotípicos descrevem o que aconteceu com o corpo (o resultado visível da desnutrição). Os critérios etiológicos explicam por que aconteceu (a causa que precisa ser tratada para reverter o processo). Por isso a GLIM usa os etiológicos para orientar intervenção, não para graduar gravidade.

Critérios Fenotípicos (GLIM 2019)

Critério Limiar para Diagnóstico
Perda de peso não volitiva > 5% nos últimos 6 meses OU > 10% além dos 6 meses
Baixo IMC < 20 kg/m² se < 70 anos | < 22 kg/m² se ≥ 70 anos
(Ásia: < 18,5 se < 70 anos | < 20 se ≥ 70 anos)
Massa muscular reduzida Reduzida por técnicas validadas (BIA, DXA, TC, RMN). Alternativamente: CB ou CP reduzidas; exame físico.

Critérios Etiológicos (GLIM 2019)

Critério Limiar para Diagnóstico
Redução da ingestão ou assimilação alimentar ≤ 50% das necessidades energéticas por > 1 semana OU qualquer redução por > 2 semanas OU qualquer condição GI crônica que afete adversamente a absorção
Inflamação / carga de doença Doença/lesão aguda (infecção grave, trauma, queimadura, TCE) OU doença crônica (câncer, ICC, DPOC, DRC, AR) [PCR pode ser usada como medida laboratorial de suporte]

Classificação da Gravidade pelo GLIM (Estágios)

Estágio Perda de peso IMC Massa muscular
Estágio 1 — Moderada 5–10% em 6 meses ou 10–20% além de 6 meses < 20 (< 70 anos) | < 22 (≥ 70 anos) Déficit leve a moderado
Estágio 2 — Grave > 10% em 6 meses ou > 20% além de 6 meses < 18,5 (< 70 anos) | < 20 (≥ 70 anos) Déficit grave
🎯 PONTO DE PROVA — Regra GLIM para a Prova
  • Diagnóstico = 1 Fenotípico + 1 Etiológico (obrigatório)
  • Gravidade = olhar APENAS os fenotípicos (moderada vs. grave)
  • A albumina NÃO diagnostica desnutrição pelo GLIM — ela apoia o critério etiológico de inflamação
  • Hipoalbuminemia isolada = risco nutricional, não diagnóstico de desnutrição pelo GLIM

Cobrado em TEN 2023 (Q65, Q66) e TEN 2025 (Q62, Q40).

💡 Conexão Prova TEN 2023 (Questão 65)
A aplicação prática dos critérios do consenso GLIM (2019) para diagnosticar desnutrição (combinando o fenótipo de perda de peso ao fator etiológico de redução da ingestão por disfagia pós-stroke) foi cobrada em 2023. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
💡 Conexão Prova TEN 2023 (Questão 66)
A classificação do nível de gravidade da desnutrição pelo consenso GLIM (Estágio 1 - Moderada vs. Estágio 2 - Grave), baseando-se estritamente na perda percentual de peso corporal, caiu em 2023. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
Questão de Fixação Interativa (TEN 2025 — Q62) Não respondida
Homem de 68 anos, internado para cirurgia de adenocarcinoma colorretal (estádio II), relata perda de 6 kg em 3 meses (8% do peso corporal), com redução de 50% na ingestão alimentar por hiporexia, dor abdominal e náuseas. Refere piora funcional (cansaço aos 100 m). Ao exame: índice de massa corporal (IMC) de 19 kg/m², redução moderada de massa muscular e gordura subcutânea, e edema leve em membros inferiores. Laboratório: albumina 2,8 g/dL (VR: 3,5–5,0), pré-albumina 12 mg/dL (VR: 16–35), proteína C reativa (PCR) 12 mg/dL (VR: <0,5). Com base nos critérios da Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM, 2019), qual o diagnóstico e a classificação de gravidade nutricional mais adequada para o paciente, com base nos critérios fenotípicos e etiológicos presentes?
A Eutrofia, com IMC dentro da faixa esperada para a idade e pouca alteração funcional.
B Desnutrição moderada, com perda de peso > 5%, IMC < 20 e inflamação presente.
C Desnutrição grave, devido à presença de edema que interfere nos parâmetros clínicos.
D Risco nutricional, sem desnutrição, considerando hipoalbuminemia por inflamação.
Gabarito: B — Desnutrição moderada (perda peso 8%, IMC 19 e inflamação)
O paciente tem desnutrição pelo GLIM, pois apresenta critérios fenotípicos (perda de peso de 8% em 3 meses, IMC de 19 kg/m² e depleção muscular no exame físico) e etiológicos (ingestão reduzida em 50% e inflamação evidenciada pelo câncer colorretal e PCR 12 mg/dL). Para graduar a gravidade, o GLIM usa os limiares fenotípicos. O paciente apresenta perda de peso entre 5-10% e IMC de 19 (corte para idoso < 70 anos é IMC < 20), o que classifica a desnutrição como moderada (Estágio 1). O corte para grave seria perda > 10% ou IMC < 18,5.
Incorreto. A resposta correta é B.
Conforme os critérios fenotípicos e etiológicos do GLIM, o paciente preenche critérios de desnutrição e é classificado na categoria moderada pela perda ponderal de 8% em 3 meses e IMC de 19 kg/m² (idoso < 70 anos).

5. Ferramentas de Triagem Nutricional

5.1 NRS-2002 — A Ferramenta da ESPEN para Pacientes Hospitalizados

O NRS-2002 (Nutritional Risk Screening 2002) é a ferramenta de triagem de risco nutricional desenvolvida pela ESPEN e mais citada no contexto hospitalar. Diferente do GLIM — que diagnostica desnutrição estabelecida —, o NRS-2002 identifica pacientes em risco de complicações relacionadas à desnutrição. A distinção é clinicamente importante: um paciente com NRS-2002 ≥ 3 precisa de intervenção, mesmo que o diagnóstico de desnutrição pelo GLIM não esteja formalmente estabelecido.

A pontuação combina dois componentes: (1) estado nutricional atual, baseado em perda de peso, redução da ingestão e IMC; e (2) gravidade da doença, que reflete a demanda metabólica imposta pela condição. Acrescenta-se 1 ponto para pacientes com mais de 70 anos. A pontuação varia de 0 a 7.

Domínio Critério Pontuação
Estado Nutricional Perda de peso < 5% em 3 meses OU ingestão reduzida moderada 1 ponto
Perda de peso 5–10% em 3 meses OU ingestão reduzida grave 2 pontos
Perda de peso > 10% em 3 meses OU IMC < 18,5 3 pontos
Gravidade da Doença Cirurgia eletiva menor, fratura de quadril 1 ponto
Cirurgia abdominal maior, AVC, pneumonia grave, câncer 2 pontos
TCE, transplante de medula, paciente em UTI (APACHE > 10) 3 pontos
Idade > 70 anos + 1 ponto
Interpretação ≥ 3 pontos → ALTO RISCO nutricional
🎯 PONTO DE PROVA — NRS-2002 e o Limiar de 5 na ESPEN Cirúrgica 2021

A ESPEN Practical Guideline: Clinical Nutrition in Surgery (2021) usa NRS-2002 > 5 como critério para definir "alto risco nutricional" e indicar adiamento cirúrgico.

Isso foi cobrado na TEN 2023 (Q63): a banca perguntou qual fator justificou o adiamento da cirurgia → ASG C ou NRS-2002 > 5. Na TEN 2024 (Q33), a banca perguntou diretamente: o paciente de alto risco nutricional segundo ESPEN 2021 é aquele com NRS-2002 > 5.

Atenção: NRS-2002 ≥ 3 é critério geral para risco nutricional; NRS-2002 > 5 é o critério específico da ESPEN Cirurgia 2021 para indicar suporte nutricional intensivo antes de cirurgias de grande porte.

A diretriz ESPEN de Cirurgia (2021/2025) define especificamente o alto risco nutricional perioperatório como um escore de NRS-2002 > 5 (ou ASG C / IMC < 18,5).

5.2 ASG — Avaliação Subjetiva Global

A ASG (Avaliação Subjetiva Global) avalia o estado nutricional de forma integrada, combinando história clínica (perda de peso, alteração na ingestão, sintomas gastrointestinais, capacidade funcional, relação da doença com as necessidades nutricionais) e exame físico (gordura subcutânea, massa muscular, edema). A classificação é:

Categoria ASG Interpretação
A (Bem nutrido) Sem perda de peso significativa, boa ingestão, sem sinais físicos de desnutrição
B (Desnutrição moderada / suspeita) Perda de peso 5–10%, ingestão reduzida, leve perda de tecido subcutâneo e massa muscular
C (Desnutrição grave) Perda > 10%, ingestão muito reduzida, sinais físicos evidentes de desnutrição
ARMADILHA — ASG é Padrão-Ouro Subjetivo mas não Adequado para Curto Prazo

A ASG é considerada padrão-ouro das avaliações subjetivas por sua abrangência, mas é um método QUALITATIVO. Para monitoramento de resposta à terapia em curto prazo (dias a semanas), a ASG não é eficaz. Nesse caso, usa-se pré-albumina (2-3 dias) ou transferrina (8-9 dias).

Na TEN 2023 (Q63), a decisão de postergar cirurgia foi baseada em ASG C ou NRS-2002 > 5 — ambos identificando desnutrição estabelecida, não apenas risco.

6. Suporte Nutricional Perioperatório e Imunonutrição

6.1 Quando Adiar a Cirurgia

A ESPEN Practical Guideline Surgery 2021 (atualizada em 2025) é clara: em pacientes com desnutrição grave, a cirurgia eletiva de grande porte deve ser postergada por 7 a 14 dias para suporte nutricional pré-operatório, preferencialmente pela via oral ou enteral.

Os critérios que justificam o adiamento incluem, segundo a ESPEN: NRS-2002 > 5, ASG C, IMC < 18,5 kg/m² (< 70 anos) ou < 20 kg/m² (≥ 70 anos), albumina < 3,0 g/dL (marcador prognóstico, não isolado), perda de peso > 10–15% em 6 meses.

💡 Conexão Prova TEN 2023 (Questão 63)
O adiamento de cirurgia eletiva oncológica de grande porte em 14 dias para suporte nutricional baseando-se nos critérios de alto risco nutricional da ESPEN (ASG C ou NRS-2002 > 5) foi tema cobrado em 2023. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
💡 Conexão Prova TEN 2022 (Questão 45)
A recomendação de postergar uma cirurgia de grande porte por 7 a 14 dias para otimização com terapia nutricional por via oral ou enteral em paciente com desnutrição severa foi cobrada em 2022. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

6.2 Imunonutrição Perioperatória

Em cirurgias de grande porte do trato gastrointestinal, especialmente oncológicas, a ESPEN recomenda o uso de fórmulas imunomoduladoras no pré-operatório. O "triunvirato" da imunonutrição é: arginina (melhora função linfocitária e cicatrização), ácidos graxos ômega-3 (modula inflamação) e nucleotídeos (suporte à proliferação de células imunes).

📋 PROTOCOLO — Imunonutrição Perioperatória (ESPEN Cirurgia 2021)
  • Indicação: cirurgias GI de grande porte, especialmente oncológicas, independentemente do estado nutricional (benefício maior em desnutridos).
  • Timing: iniciar 5 a 7 dias ANTES da cirurgia (pré-operatório).
  • Via: oral ou enteral.
  • Composição: arginina + ácidos graxos ômega-3 + nucleotídeos.
  • Continuar no pós-operatório por mais 5–7 dias em pacientes desnutridos que não atingem 60% das necessidades via oral.
  • NÃO substituir por NP com glutamina como primeira linha de imunomodulação.
Questão de Fixação Interativa (TEN 2025 — Q90) Não respondida
Paciente do sexo masculino, 68 anos, portador de adenocarcinoma gástrico, foi avaliado em consulta pré-operatória para gastrectomia subtotal. Relata perda ponderal de 12% nos últimos três meses, apresenta albumina sérica de 2,9 g/dL e índice de massa corporal (IMC) de 18,1 kg/m². A ingestão alimentar encontra-se prejudicada devido à saciedade precoce e náuseas recorrentes. O cirurgião prevê jejum prolongado no pós-operatório imediato. A equipe multidisciplinar está discutindo a melhor estratégia de suporte nutricional, considerando o risco nutricional elevado do paciente. Com base nas diretrizes práticas da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) de 2021 sobre nutrição clínica em cirurgia, qual é a conduta mais adequada quanto ao uso da imunonutrição nesse cenário?
A Administrar fórmula enteral imunomoduladora apenas no período pós-operatório, devido à falta de evidência no uso pré-operatório isolado.
B Iniciar suplemento nutricional padrão, pois não há benefício comprovado do uso de nutrientes imunomoduladores em cirurgias oncológicas.
C Adiar a cirurgia até que o paciente complete pelo menos 14 dias de nutrição parenteral exclusiva com glutamina e ácidos graxos ômega-3.
D Introduzir fórmula enriquecida com arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos por via oral ou enteral por 5 a 7 dias no pré-operatório.
Gabarito: D — Imunonutrição enteral por 5 a 7 dias no pré-operatório
O paciente apresenta risco nutricional grave (desnutrição grave: IMC 18,1 < 18,5, albumina 2,9 < 3,0, perda ponderal > 10-15%). A ESPEN 2021 recomenda fortemente a administração de fórmulas enterais imunomoduladoras contendo arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos no perioperatório, idealmente iniciando 5 a 7 dias antes de cirurgias oncológicas do trato digestivo de grande porte por via oral/enteral, o que reduz de forma significativa o risco de infecções da ferida cirúrgica e deiscência de anastomoses.
Incorreto. A resposta correta é D.
De acordo com as diretrizes da ESPEN de cirurgia 2021, pacientes oncológicos de alto risco submetidos a cirurgia digestiva de grande porte devem receber imunonutrição (arginina, ômega-3 e nucleotídeos) pré-operatória por 5 a 7 dias.

7. Síndrome de Realimentação

7.1 Fisiopatologia — O Mecanismo que a Prova Cobra

A Síndrome de Realimentação (SR) é uma das perguntas mais diretas do TEN: o candidato precisa saber o mecanismo, os eletrólitos envolvidos e o papel obrigatório da tiamina. O enunciado típico descreve um paciente desnutrido, em jejum prolongado, que recebe reintrodução de dieta ou de solução glicosada e evolui com queda abrupta de eletrólitos.

O mecanismo central é simples: durante o jejum prolongado, os eletrólitos intracelulares (fósforo, potássio, magnésio) ficam depletados no total corporal — mas os níveis séricos se mantêm aparentemente normais porque há saída para o compartimento extracelular. Quando a glicose é reintroduzida, o pâncreas libera insulina. A insulina estimula o co-transporte de glicose, potássio, fosfato e magnésio para o interior das células. Isso desloca maciçamente esses eletrólitos do compartimento extracelular para o intracelular, gerando hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia severas.

O papel da tiamina: a tiamina (vitamina B1) é cofator indispensável da piruvato desidrogenase e da alfa-cetoglutarato desidrogenase — enzimas centrais do metabolismo oxidativo da glicose. No paciente desnutrido, especialmente etilista, as reservas de tiamina estão exauridas (o organismo tem apenas ~30–50 mg de reserva, que se esgotam em 2–3 semanas de baixa ingestão). Quando a glicose é reintroduzida sem reposição prévia de tiamina, o metabolismo oxidativo do piruvato é bloqueado, acumula-se lactato e os neurônios — altamente dependentes de glicose — sofrem disfunção energética. Isso precipita a Síndrome de Wernicke (confusão mental, oftalmoplegia, ataxia).

💡 Conexão Prova TEN 2025 (Questão 7)
A ativação da tiamina em pirofosfato de tiamina (TPP) dependente da ligação ao fósforo, sua função energética celular e o esgotamento biológico de suas reservas em etilistas/desnutridos foram cobrados em 2025. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
ARMADILHA — SR: o Fósforo não é o Único Eletrólito

A SR envolve TRÊS eletrólitos: fósforo (hipofosfatemia é o marcador mais sensível), potássio (hipocalemia) e magnésio (hipomagnesemia). A banca apresentou os três na TEN 2022 (Q51): potássio caiu de 3,6 para 3,1 mEq/L, magnésio de 1,2 para 0,9 mg/dL, fósforo de 2,8 para 1,8 mg/dL.

O manejo obrigatório: (1) reduzir o aporte calórico, (2) corrigir os distúrbios eletrolíticos, (3) repor tiamina 100 mg antes de qualquer glicose em pacientes de risco.

Questão de Fixação Interativa (TEN 2022 — Q51) Não respondida
Uma mulher de 44 anos com pancreatite alcoólica ficou em jejum por 8 dias. Após a reintrodução da dieta por via oral, exibe IMC de 16,2 kg/m² e queda abrupta nos níveis séricos de potássio (3,6 para 3,1 mEq/dL), magnésio (1,2 para 0,9 mg/dL) e fósforo (2,8 para 1,8 mg/dL). Diante dessa situação, qual o diagnóstico e a conduta recomendada?
A Pancreatite crônica agudizada; suspensão imediata da dieta e jejum absoluto por 7 dias.
B Distúrbio eletrolítico isolado por diuréticos; reposição de potássio e fósforo e manutenção das calorias prescritas.
C Síndrome de realimentação; redução imediata do aporte calórico ofertado, corrigir os distúrbios hidroeletrolíticos e realizar reposição de Vitamina B1 (tiamina).
D Insuficiência pancreática exócrina; início imediato de enzimas pancreáticas e progressão rápida de dieta hipercalórica.
Gabarito: C — Síndrome de realimentação, redução calórica, eletrólitos e tiamina
A Síndrome de Realimentação é desencadeada pelo influxo de glicose em organismos previamente desnutridos ou em jejum prolongado. O estímulo insulínico promove o desvio maciço desses eletrólitos para o compartimento intracelular, gerando hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia. O manejo exige redução do aporte energético, correção dos eletrólitos e administração obrigatória de Tiamina (Vitamina B1) para evitar a encefalopatia de Wernicke.
Incorreto. A resposta correta é C.
A queda abrupta da tríade de eletrólitos (P, K, Mg) após realimentar paciente desnutrido caracteriza a Síndrome de Realimentação. O tratamento baseia-se em desacelerar o aporte de energia, corrigir as deficiências e repor tiamina.

7.2 Critérios Diagnósticos da SR (ASPEN 2020)

O ASPEN Consensus Recommendations for Refeeding Syndrome (2020) estratificou a SR em três graus com base na magnitude da queda dos eletrólitos, ocorrendo dentro de 5 dias do início ou avanço da nutrição:

Grau Critério de Queda (Fósforo, Potássio, Magnésio)
Leve Queda de 10–20% em qualquer 1, 2 ou 3 eletrólitos (P, K, Mg)
Moderada Queda de 20–30% em qualquer 1, 2 ou 3 eletrólitos
Grave Queda > 30% em qualquer eletrólito OU disfunção orgânica OU deficiência de tiamina com manifestação clínica
📋 PRESCRIÇÃO PRÁTICA — Manejo da SR (ASPEN/ESPEN)
  • Paciente de ALTO RISCO (jejum > 5 dias, IMC < 18,5, perda > 15% peso, alcoolismo): tiamina 100 mg IV/VO ANTES da introdução de qualquer glicose.
  • Iniciar nutrição com 20–25% das necessidades estimadas e progredir 33% a cada 1–2 dias conforme tolerância eletrolítica.
  • Monitorar P, K, Mg a cada 12 horas nos primeiros 3 dias em alto risco.
  • Se eletrólitos caírem precipitosamente: reduzir calorias/glicose em 50% e corrigir eletrólitos antes de avançar.
  • Tiamina: manter por 5–7 dias em risco alto (ASPEN 2020: tiamina 2 mg/kg, máx 100–200 mg/dia).

8. Caquexia — Fisiopatologia, Diagnóstico e Manejo

8.1 Definição e Distinção da Desnutrição Simples

A caquexia é uma síndrome metabólica complexa — não é desnutrição simples nem marasmo. A distinção é fundamental para o TEN porque ela determina a conduta: a desnutrição simples responde ao suporte nutricional; a caquexia não responde plenamente, porque o estado inflamatório bloqueia o anabolismo mesmo quando calorias e proteínas são fornecidas.

Definição pela Cachexia Consensus Conference (Evans et al., 2008) — a mais cobrada pela banca: síndrome metabólica complexa associada a doença subjacente e caracterizada por perda muscular com ou sem perda de gordura. Clinicamente distinguida da fome, da perda de peso relacionada à idade (sarcopenia) e da depressão, por ser associada à inflamação sistêmica e à resistência anabólica.

8.2 Critérios Diagnósticos da Cachexia Consensus Conference (2008)

O diagnóstico requer: (1) perda de peso de pelo menos 5% em 12 meses sem intenção (ou IMC < 20 kg/m² como substituto), MAIS (2) presença de doença crônica subjacente, MAIS (3) pelo menos 3 dos seguintes 5 critérios adicionais:

Critérios Adicionais (Pelo menos 3 de 5) Ponto de Corte
Redução de massa muscular Documentada por BIA, imagem ou antropometria
Fadiga Relatada pelo paciente
Anorexia ou redução da ingestão alimentar Relatada pelo paciente
Proteína C-reativa elevada PCR > 5 mg/L
Albumina sérica reduzida < 3,5 g/dL
Hemoglobina reduzida < 12 g/dL
🎯 PONTO DE PROVA — Caquexia Cardíaca: os Valores Laboratoriais Exatos

A TEN 2024 cobrou uma sequência de V/F sobre os critérios laboratoriais da caquexia cardíaca. A resposta correta era V-F-F-F-V.

Os valores corretos baseados no consenso de 2008 são: Hemoglobina < 12 g/dL + PCR > 5,0 mg/L + Albumina < 3,5 g/dL.

Distratores clássicos: hemoglobina < 10 g/dL (errada), PCR > 4,0 mg/L (errada), albumina < 3,2 g/dL (errada).

Memorize: 12 / 5 / 3,5 — Hb, PCR, Albumina.

💡 Conexão Prova TEN 2024 (Questão 62)
A correspondência dos valores e limiares laboratoriais exatos para fechar diagnóstico de caquexia na insuficiência cardíaca (Cachexia Consensus Conference 2008) foi cobrada na prova de 2024. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

8.3 Caquexia Neoplásica — Fisiopatologia Profunda

A caquexia neoplásica é a forma mais estudada e foi o foco da TEN 2025. O candidato precisa entender os três eixos fisiopatológicos que a banca explorou:

Eixo 1: Proteólise pelo Sistema Ubiquitina-Proteassoma. Citocinas pró-inflamatórias produzidas pelo tumor e pelo sistema imune do hospedeiro — TNF-α (historicamente chamado de "caquetina"), IL-6 e IL-1 — ativam a via ubiquitina-proteassoma. Nessa via, proteínas musculares são marcadas com moléculas de ubiquitina e degradadas pelo complexo proteassoma 26S. O processo é independente da oferta nutricional — mesmo com ingestão proteica adequada, a proteólise prossegue enquanto a inflamação persistir.

Eixo 2: Aumento do Gasto Energético pelo Browning do Tecido Adiposo. O câncer induz o "escurecimento" (browning) do tecido adiposo branco, com aumento da expressão de proteínas desacopladoras (UCPs), especialmente UCP-1. As UCPs desacoplam a fosforilação oxidativa mitocondrial: em vez de a oxidação dos ácidos graxos gerar ATP, a energia é dissipada como calor. O resultado é elevação do gasto energético basal mesmo em repouso — o que explica por que calcular as necessidades do paciente oncológico com caquexia pelas fórmulas preditivas subestima o gasto real (razão pela qual a calorimetria indireta é recomendada).

Eixo 3: Resistência Anabólica por Bloqueio da Via PI3K/Akt/mTOR. A via PI3K/Akt/mTOR é o principal caminho intracelular que estimula a síntese proteica muscular em resposta a aminoácidos e insulina. Na caquexia neoplásica, a inflamação crônica inibe essa via — especificamente através de ativação do IRS-1 e inibição da sinalização downstream do receptor de insulina/IGF-1. O resultado é que mesmo com oferta proteica aumentada, o músculo não consegue sintetizar proteínas eficientemente. Isso explica a refratariedade da caquexia ao suporte nutricional isolado.

💡 Conexão Prova TEN 2025 (Questão 29)
A fisiopatologia molecular da caquexia oncológica, englobando a inibição da via mTOR, browning do tecido adiposo (ativação de UCPs) e a via ubiquitina-proteassoma, foi tema de prova em 2025. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

8.4 Caquexia Cardíaca

A caquexia cardíaca é forma específica da caquexia associada à insuficiência cardíaca (IC), especialmente em estágios avançados (NYHA III-IV). Ela é mais complexa do que simplesmente "desnutrir por anorexia": há inflamação sistêmica (com TNF-α e IL-6 elevados), hipoperfusão intestinal com má absorção, ativação do SRAA que exacerba o catabolismo, e perda de micronutrientes por diuréticos de alça.

💡 Conexão Prova TEN 2025 (Questão 21)
A ocorrência de disgeusia (gosto metálico e língua despapilada) na caquexia cardíaca como efeito adverso de medicamentos bloqueadores de SRAA e da espoliação de zinco induzida por furosemida caiu em 2025. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

8.5 Micronutrientes na Insuficiência Cardíaca e Caquexia Cardíaca

Micronutriente Deficiência na IC Consequência Mecanismo de perda
Tiamina (B1) Frequente Beribéri úmido → piora da IC; precipita Wernicke em estressor agudo Diuréticos de alça + dieta pobre
Zinco Frequente Disgeusia, hipogeusia → anorexia → piora nutricional Diuréticos de alça aumentam excreção urinária de Zn
Magnésio Frequente Arritmias, vasoconstrição Diuréticos de alça
Selênio Moderada Piora função ventricular, aumento da inflamação Diuréticos de alça
Vitamina D Prevalente Disfunção endotelial, hiperparatiroidismo secundário Dieta pobre + baixa exposição solar
Ferro Muito frequente Fadiga, redução capacidade funcional (mesmo sem anemia) Inflamação crônica (sequestro por hepcidina)
Coenzima Q10 Moderada Disfunção mitocondrial Uso de estatinas reduz síntese
💡 Conexão Prova TEN 2024 (Questão 63)
A perda de micronutrientes como minerais (magnésio, selênio) e vitaminas do complexo B induzida por diuréticos de alça (furosemida) em pacientes cardiopatas caquéticos foi cobrada em 2024. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
🩺 PÉROLA CLÍNICA — Disgeusia na IC: o Zinco é a Causa, o BRA/IECA é o Gatilho

O paciente da TEN 2025 (Q21) tem "gosto metálico" e "língua despapilada". Isso aponta para disgeusia por deficiência de zinco — agravada pelo uso de furosemida (que aumenta excreção urinária de Zn) e pelo BRA losartana (que altera o paladar por mecanismo independente). Suplementação de zinco está indicada nesses casos. Suplementação de tiamina também está indicada no uso prolongado de altas doses de diuréticos de alça.

9. Nutrição na Cirrose Hepática — ESPEN 2020

💡 Conexão Prova TEN 2025 (Questão 24)
As recomendações da ESPEN 2020 de metas de energia e proteínas para pacientes desnutridos ou sarcopênicos com cirrose hepática caíram na prova de 2025. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

9.1 Por que a Cirrose é o "Estado de Jejum Acelerado"

O fígado cirrótico tem capacidade reduzida de sintetizar e armazenar glicogênio. Após apenas 2–3 horas de jejum, o cirrótico já mobiliza proteínas musculares para gliconeogênese — processo que em indivíduos saudáveis só ocorre depois de 12–16 horas. Isso cria um ciclo de depleção muscular progressiva que alimenta a sarcopenia cirrótica.

📋 PRESCRIÇÃO PRÁTICA — Cirrose Hepática Desnutrida (ESPEN 2020)
  • Meta energética: 30–35 kcal/kg/dia (peso atual).
  • Meta proteica: 1,2–1,5 g/kg/dia (NÃO restringir na encefalopatia — priorizar proteínas vegetais e lácteas se necessário).
  • Fracionamento: 4–6 refeições por dia.
  • Lanche noturno (LES): obrigatório — carboidratos complexos + proteínas antes de dormir (reduz proteólise noturna).
  • NÃO indicar jejum > 6 horas em nenhuma circunstância.

10. Nutrição Parenteral no Paciente Crítico de Alto Risco

💡 Conexão Prova TEN 2025 (Questão 72)
As recomendações de suporte por nutrição parenteral em pacientes com alto risco nutricional na UTI (NUTRIC ≥ 5) e a prescrição calórica hipocalórica e hiperproteica foram cobradas em 2025. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
Risco Nutricional (NUTRIC/NRS) Conduta se NE falhar Estratégia Calórica (1ª semana)
BAIXO RISCO (NUTRIC < 5) Aguardar 7 dias antes de iniciar NP Progressão gradual conforme tolerância
ALTO RISCO (NUTRIC ≥ 5) Iniciar NP precocemente após estabilidade hemodinâmica Hipocalórica (≤ 80% ou 20 kcal/kg/dia) + Hiperproteica (≥ 1,2 g/kg/dia)

11. Sarcopenia — EWGSOP2 (2019)

💡 Conexão Prova TEN 2024 (Questão 23)
O ponto de corte estabelecido pelo consenso EWGSOP2 2019 para identificar força muscular reduzida por dinamometria (< 27 kg para homens e < 16 kg para mulheres) foi cobrado em 2024. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.
Parâmetro Antropométrico Ponto de Corte Interpretação
Força de preensão manual (EWGSOP2) Homens < 27 kg | Mulheres < 16 kg Baixa força → possível sarcopenia
Circunferência da panturrilha < 31 cm (ambos os sexos) Baixa massa muscular em idosos
Circunferência do braço (CB) Medida com braço relaxado, ponto médio acrômio-olécrano Reflete massa muscular + gordura
% perda de peso — moderada > 2% em 1 mês | > 5% em 3 meses | > 7,5% em 6 meses Perda ponderal moderada
% perda de peso — grave > 5% em 1 mês | > 7,5% em 3 meses | > 10% em 6 meses Perda ponderal grave
💡 Conexão Prova TEN 2023 (Questão 64)
O conhecimento multifatorial da perda de peso não intencional em idosos hospitalizados ou ambulatoriais foi tema cobrado em 2023. Clique aqui para responder a esta questão no Simulado Geral.

12. Consolidação Final — Pontos de Prova e Armadilhas da Banca

12.1 Tabela Mestre — Valores Numéricos que a Banca Usa

Parâmetro Valor Fonte
Albumina — desnutrição grave < 2,8 g/dL (apostila Nutroschool) | < 3,0 g/dL (ESPEN perioperatório) Literatura clínica geral
Albumina — caquexia cardíaca < 3,5 g/dL Cachexia Consensus 2008
Transferrina — desnutrição grave < 100 mg/dL Referências clínicas
Transferrina — desnutrição leve < 200 mg/dL Referências clínicas
Meia-vida da transferrina 8–9 dias Bioquímica clínica
Meia-vida da albumina ~20 dias Bioquímica clínica
Meia-vida da pré-albumina 2–3 dias Bioquímica clínica
Linfócitos — grave < 800/mm³ Referências clínicas
Hemoglobina — caquexia cardíaca < 12 g/dL Cachexia Consensus 2008
PCR — caquexia cardíaca > 5 mg/L Cachexia Consensus 2008
Força de preensão — EWGSOP2 2019 Homens < 27 kg | Mulheres < 16 kg EWGSOP2 2019
Circunferência de panturrilha < 31 cm Literatura clínica (idosos)
ICA — grave < 60% Referências clínicas
GLIM — desnutrição moderada Perda 5–10% em 6m | IMC 18,5–20 (< 70a) | IMC 20-22 (≥ 70a) GLIM 2019
GLIM — desnutrição grave Perda > 10% em 6m | IMC < 18,5 (< 70a) | IMC < 20 (≥ 70a) GLIM 2019
NRS-2002 — risco nutricional ≥ 3 pontos ESPEN NRS-2002
NRS-2002 — alto risco perioperatório > 5 pontos ESPEN Surgery 2021
Tiamina — profilaxia antes de glicose na SR 100 mg ASPEN 2020
Caquexia — perda de peso mínima ≥ 5% em 12 meses Cachexia Consensus 2008
Cirrose — meta energética 30–35 kcal/kg/dia ESPEN Liver 2020
Cirrose — meta proteica 1,2–1,5 g/kg/dia ESPEN Liver 2020
NP críticos alto risco (ASPEN/SCCM 2016) ≤ 80% ou 20 kcal/kg/dia (1ª semana) ASPEN/SCCM 2016
Imunonutrição perioperatória 5–7 dias pré-operatório ESPEN Surgery 2021
Suporte pré-operatório em desnutrição grave 7–14 dias (adiar cirurgia) ESPEN Surgery 2021/2025

12.2 Armadilhas Clássicas da Banca — Por Subtema

ARMADILHA 1 — Albumina baixa = desnutrição

FALSO em contexto de inflamação aguda. Albumina é proteína de fase aguda negativa. PCR alta + albumina baixa = inflamação sistêmica, não desnutrição proteica por ingestão insuficiente. Isso foi cobrado na TEN 2025 (Q40 — ITU com PCR 18 e albumina 2,6).

ARMADILHA 2 — Restringir proteína na encefalopatia hepática

Conceito OBSOLETO. As diretrizes ESPEN 2020 recomendam manter ou aumentar a oferta proteica (1,2–1,5 g/kg/dia), priorizando proteínas vegetais ou lácteas. A restrição proteica agrava a sarcopenia e a própria encefalopatia a longo prazo.

ARMADILHA 3 — Caquexia responde ao suporte nutricional isolado

FALSO. A caquexia é refratária ao suporte nutricional porque a inflamação bloqueia o anabolismo (via PI3K/Akt/mTOR). O suporte nutricional é necessário mas insuficiente. Cobrado na TEN 2025 (Q29, afirmativa III).

ARMADILHA 4 — Transferrina tem meia-vida de 2 dias

FALSO. A meia-vida da transferrina é de 8–9 dias. A pré-albumina é que tem 2–3 dias. Cobrado como distrator na TEN 2024 (Q25, alternativa B).

ARMADILHA 5 — Circunferência de panturrilha = 34 cm para ambos os sexos

FALSO. O ponto de corte é 31 cm. Cobrado como distrator na TEN 2024 (Q23, alternativa C).

ARMADILHA 6 — NRS-2002 ≥ 3 é o critério de alto risco para cirurgia

Atenção: NRS-2002 ≥ 3 é critério de risco nutricional geral (indica intervenção). Mas para o contexto específico da ESPEN Cirurgia 2021 (indicação de suporte pré-operatório intensivo e possível adiamento), o critério citado é NRS-2002 > 5. Cobrado na TEN 2023 e 2024.

ARMADILHA 7 — Acetato de medroxiprogesterona é estimulante de apetite na caquexia cardíaca

FALSO para caquexia cardíaca especificamente. Os progestogênios (MA e MPA) causam retenção hídrica pelo efeito mineralocorticoide, podendo agravar a descompensação cardíaca. Cobrado na TEN 2024 (Q63, alternativa B).

12.3 Mnemônicos e Regras de Ouro

🩺 MNEMÔNICO — As 3 Proteínas e suas Meias-Vidas

"20-9-3": Albumina 20 dias | Transferrina 9 dias | Pré-albumina 3 dias.

Quanto menor a meia-vida → mais sensível para monitorar mudança em curto prazo. Para monitorar 10 dias → transferrina. Para monitorar 3–5 dias → pré-albumina.

🩺 MNEMÔNICO — GLIM: "1 FE + 1 ET"
  • "1 FE + 1 ET" = diagnóstico de desnutrição (obrigatório 1 Fenotípico + 1 Etiológico).
  • "Gravidade = só FE" (fenotípicos definem o estágio de moderada ou grave).
  • "ET orienta conduta" (etiológicos guiam a intervenção clínica).
🩺 MNEMÔNICO — Caquexia Cardíaca Lab: "12-5-3,5"
  • Hemoglobina < 12 g/dL
  • PCR > 5 mg/L
  • Albumina < 3,5 g/dL

(Cachexia Consensus Conference 2008)

🩺 MNEMÔNICO — SR: "Insulina → P, K, Mg entram na célula"

Glicose → insulina → captação intracelular de P, K, Mg.

Hipofosfatemia + hipocalemia + hipomagnesemia = tríade da SR.

Tiamina SEMPRE antes da glicose em paciente de risco (jejum > 5 dias, desnutrido, alcoolista).

13. Referências

  1. Cederholm T, Jensen GL, Correia MITD, et al. GLIM criteria for the diagnosis of malnutrition — a consensus report from the global clinical nutrition community. Clin Nutr. 2019;38(1):1-9.
  2. Kondrup J, Allison SP, Elia M, Vellas B, Plauth M. ESPEN guidelines for nutrition screening 2002. Clin Nutr. 2003;22(4):415-421.
  3. Weimann A, Braga M, Carli F, et al. ESPEN practical guideline: clinical nutrition in surgery. Clin Nutr. 2021;40(7):4745-4761.
  4. Weimann A, Braga M, Carli F, et al. ESPEN guideline on clinical nutrition in surgery — Update 2025. Clin Nutr. 2025 (Epub ahead of print).
  5. Plauth M, Bernal W, Dasarathy S, et al. ESPEN guideline on clinical nutrition in liver disease. Clin Nutr. 2019;38(2):485-521.
  6. Singer P, Blaser AR, Berger MM, et al. ESPEN practical and partially revised guideline: clinical nutrition in the intensive care unit. Clin Nutr. 2023;42(9):1671-1689.
  7. McClave SA, Taylor BE, Martindale RG, et al. Guidelines for the provision and assessment of nutrition support therapy in the adult critically ill patient: Society of Critical Care Medicine (SCCM) and American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN). JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2016;40(2):159-211.
  8. da Silva JSV, Seres DS, Sabino K, et al. ASPEN consensus recommendations for refeeding syndrome. Nutr Clin Pract. 2020;35(2):178-195.
  9. Evans WJ, Morley JE, Argilés J, et al. Cachexia: a new definition. Clin Nutr. 2008;27(6):793-799.
  10. Fearon K, Strasser F, Anker SD, et al. Definition and classification of cancer cachexia: an international consensus. Lancet Oncol. 2011;12(5):489-495.
  11. Cruz-Jentoft AJ, Bahat G, Bauer J, et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis (EWGSOP2). Age Ageing. 2019;48(1):16-31.
  12. Jensen GL, Cederholm T, Correia MITD, et al. GLIM consensus approach to diagnosis of malnutrition: a 5-year update. JPEN J Parenter Enteral Nutr. 2025 (Epub ahead of print). DOI: 10.1002/jpen.2756.
  13. Anker SD, Negassa A, Coats AJS, et al. Prognostic importance of weight loss in chronic heart failure and the effect of treatment with angiotensin-converting-enzyme inhibitors. Lancet. 2003;361(9363):1077-1083.
  14. Soukoulis V, Dihu JB, Sole M, et al. Micronutrient deficiencies: an unmet need in heart failure. J Am Coll Cardiol. 2009;54(18):1660-1673.
  15. Questões da Prova de Título em Nutrologia ABN/ABRAN, edições 2022, 2023, 2024 e 2025.

— Fim do Módulo —
Nutroschool — Material de uso exclusivo dos alunos Nutro-TEN

📝 Simulado Geral — Provas Oficiais (2022 a 2025)

Este painel consolidado reúne todas as 22 questões reais das provas oficiais do TEN (Título de Especialista em Nutrologia) de 2022 a 2025 referentes a desnutrição, caquexia e síndrome de realimentação. Resolva as questões abaixo e acompanhe seu desempenho em tempo real.

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📅 Questões Oficiais — Ano 2022

TEN 2022 — Questão 21 Não respondida
Uma mulher de 24 anos com encefalopatia anóxica perinatal, constipação crônica e histórico de internações recorrentes por broncopneumonia aspirativa apresenta perda ponderal e lesão por pressão. O exame físico revela pele seca/descamativa, seborreia nasolabial, queilite angular, língua despapilada, edema sacral e de membros inferiores. Dados laboratoriais: Proteínas totais: 5,3 mg/dL; albumina: 2,7 mg/dL; transferrina: 75 mg/dL; ferritina: 358 ng/mL; PCR: 11,0 mg/dL. Qual é a avaliação diagnóstica mais adequada para esta paciente?
A Quadro clínico e laboratorial de desnutrição proteica (Kwashiorkor-like).
B Subnutrição energética pura (Marasmo).
C Desnutrição leve com preservação do compartimento proteico visceral.
D Quadro isolado de reação de fase aguda sem impacto nutricional sistêmico.
Gabarito: A — Quadro clínico e laboratorial de desnutrição proteica
Os sinais semiológicos clássicos (queilite, língua despapilada, pele descamativa e edema) associados à severa redução das proteínas viscerais de síntese hepática (albumina e transferrina) confirmam o diagnóstico. O edema decorre da redução da pressão oncótica plasmática, característico da desnutrição proteica (frequentemente mista ou Kwashiorkor-like no paciente hospitalizado), diferenciando-se da subnutrição energética pura (Marasmo), onde o edema está ausente.
Incorreto. A resposta correta é A.
A presença de edema por redução da pressão oncótica (albumina 2,7 g/dL) e sinais de carência de micronutrientes apontam para desnutrição proteica.
TEN 2022 — Questão 22 Não respondida
Um homem de 51 anos, tabagista e etilista, com adenocarcinoma de laringe e IMC de 18,0 kg/m² (baixo peso/desnutrição), tem cirurgia agendada para dali a 10 dias, período no qual receberá terapia nutrológica pré-operatória. A equipe necessita avaliar a resposta e evolução das proteínas plasmáticas no curto prazo antes do ato cirúrgico. Qual é o marcador mais indicado para essa finalidade?
A Albumina.
B Ferritina.
C Transferrina.
D Proteína C reativa.
Gabarito: C — Transferrina
Para a monitorização de curto prazo (janela de 10 dias), a escolha do marcador biológico baseia-se na meia-vida da proteína. A albumina possui meia-vida longa (~20 dias), sendo inadequada para refletir alterações agudas. A transferrina, com meia-vida curta de aproximadamente 8 a 9 dias, funciona como um indicador altamente sensível e dinâmico do anabolismo proteico em resposta à terapia nutrológica instituída no perioperatório.
Incorreto. A resposta correta é C.
A transferrina possui meia-vida de 8 a 9 dias, tornando-a ideal para monitorização em curto prazo (janela de 10 dias) comparada à longa meia-vida da albumina (~20 dias).
TEN 2022 — Questão 45 Não respondida
Um homem de 60 anos com neoplasia esofágica, disfagia progressiva e perda ponderal de 10 kg nos últimos 2 meses apresenta-se com IMC de 15,8 kg/m² (desnutrição severa). O procedimento cirúrgico de grande porte está agendado para ocorrer em 2 dias. Quanto à reabilitação nutricional pré-operatória, a conduta correta é:
A A cirurgia deve ser mantida e iniciada nutrição parenteral total imediata no pós-operatório.
B A cirurgia deve ser mantida, introduzindo-se maltodextrina a 12,5% nas 2 horas prévias ao ato operatório.
C O procedimento cirúrgico deve ser postergado por período de 7 a 14 dias para realização de reabilitação nutricional com suplementos orais ou dieta enteral inicialmente.
D A cirurgia deve ser postergada por 30 dias para realização de nutrição parenteral domiciliar exclusiva.
Gabarito: C — Postergar por 7 a 14 dias com reabilitação oral/enteral
O adiamento de cirurgias de grande porte em pacientes com desnutrição grave para fins de suporte nutrológico é uma recomendação formal das principais diretrizes (ESPEN/ASPEN). O período de 7 a 14 dias é o intervalo ideal para atenuar o catabolismo, melhorar a função imune e reduzir taxas de deiscência de anastomose e complicações pós-operatórias. A via enteral (oral ou por sonda) deve sempre ser priorizada em detrimento da parenteral.
Incorreto. A resposta correta é C.
Pacientes com desnutrição grave submetidos a cirurgias de grande porte devem ter o procedimento postergado por 7 a 14 dias para suporte nutricional pré-operatório, preferencialmente por via enteral.
TEN 2022 — Questão 51 Não respondida
Uma mulher de 44 anos com pancreatite alcoólica ficou em jejum por 8 dias. Após a reintrodução da dieta por via oral, exibe IMC de 16,2 kg/m² e queda abrupta nos níveis séricos de potássio (3,6 para 3,1 mEq/dL), magnésio (1,2 para 0,9 mg/dL) e fósforo (2,8 para 1,8 mg/dL). Diante dessa situação, qual o diagnóstico e a conduta recomendada?
A Pancreatite crônica agudizada; suspensão imediata da dieta e jejum absoluto por 7 dias.
B Distúrbio eletrolítico isolado por diuréticos; reposição de potássio e fósforo e manutenção das calorias prescritas.
C Síndrome de realimentação; redução imediata do aporte calórico ofertado, corrigir os distúrbios hidroeletrolíticos e realizar reposição de Vitamina B1 (tiamina).
D Enteropatia perdedora de proteínas; início de reposição parenteral de albumina e dieta hipocalórica.
Gabarito: C — Síndrome de realimentação, redução calórica, eletrólitos e tiamina
A Síndrome de Realimentação é desencadeada pelo influxo de glicose em organismos previamente desnutridos ou em jejum prolongado. O estímulo insulínico promove o desvio maciço desses eletrólitos para o compartimento intracelular, gerando hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia. O manejo exige redução do aporte energético, correção dos eletrólitos e administração obrigatória de Tiamina (Vitamina B1) para evitar a encefalopatia de Wernicke.
Incorreto. A resposta correta é C.
A queda abrupta da tríade de eletrólitos (P, K, Mg) após realimentar paciente desnutrido caracteriza a Síndrome de Realimentação. O tratamento baseia-se em desacelerar o aporte de energia, corrigir as deficiências e repor tiamina.

📅 Questões Oficiais — Ano 2023

TEN 2023 — Questão 63 Não respondida
JLR, 52 anos, sexo masculino, portador de adenocarcinoma de retosigmóide, interna para realização de retossigmoidectomia abdominal. A equipe de cirurgia solicita interconsulta para a Nutrologia por acreditar que o paciente esteja desnutrido. Você avalia o paciente e sugere postergar a cirurgia em 14 dias para otimização do estado nutricional, pois identificou um fator que aumenta o risco de complicações pós-operatórias. Assinale a alternativa que apresenta o fator fundamental na sua decisão, tendo como base o guideline ESPEN de terapia nutricional em cirurgia (2021):
A Perda de peso maior que 5% em 6 meses.
B Índice de massa corpórea menor que 20 kg/m².
C Albumina sérica menor que 3,2 g/dL.
D Avaliação subjetiva global C ou NRS-2002 (triagem de risco nutricional-2002) maior que 5.
Gabarito: D — Avaliação subjetiva global C ou NRS-2002 maior que 5
De acordo com a ESPEN Cirurgia 2021, o risco nutricional grave que exige suporte nutricional pré-operatório intensivo (7-14 dias) e adiamento da cirurgia de grande porte baseia-se em: perda ponderal > 10–15% em 6 meses, IMC < 18,5 kg/m², albumina < 3,0 g/dL, ou ASG C / NRS-2002 > 5. As alternativas A, B e C listam valores que não atingem os limiares de risco grave (os limiares seriam perda > 10-15%, IMC < 18,5 e albumina < 3,0 g/dL). A alternativa D está correta.
Incorreto. A resposta correta é D.
Os critérios oficiais da ESPEN para definir alto risco nutricional perioperatório e justificar o adiamento cirúrgico incluem a ASG grau C ou o escore do NRS-2002 > 5.
TEN 2023 — Questão 64 Não respondida
Sobre a perda de peso não intencional em idosos, é correto afirmar:
A Em idosos, as doenças psiquiátricas são a principal causa de perda de peso não intencional.
B Em idosos, o comprometimento das unidades dentárias é a principal causa de perda de peso não intencional.
C Em idosos, a polifarmácia costuma causar hiporexia, sendo a principal causa de perda de peso não intencional.
D Nenhuma das anteriores.
Gabarito: D — Nenhuma das anteriores
A perda de peso involuntária em idosos é multifatorial e de etiologia complexa, abrangendo causas orgânicas (neoplasias, doenças endócrinas, distúrbios digestivos), psicológicas/psiquiátricas (demência e depressão são muito importantes, mas não isoladamente "a principal" causa absoluta) e sociais (isolamento, pobreza). Nenhuma das opções anteriores apresenta de forma exclusiva e isolada "a principal" causa de perda ponderal involuntária, tornando a alternativa D a correta.
Incorreto. A resposta correta é D.
A etiologia da perda de peso não intencional em idosos é complexa e multifatorial, não havendo um único fator isolado (como polifarmácia, dentição ou psiquiatria) que responda como a principal causa absoluta.
TEN 2023 — Questão 65 Não respondida
Caso Clínico (Questões 65 e 66): Paciente de 60 anos, sexo masculino, com diagnóstico de acidente vascular cerebral isquêmico (AVC) há 2 anos e sequela motora em dimídio esquerdo. Há 3 meses, sofreu novo AVC, tendo associado os quadros de disartria e disfagia. Desde então, pela dificuldade na deglutição, houve redução substancial da ingestão alimentar (para cerca de 50%) e perda de peso de 8 kg. Antropometria: Estatura - 1,70 metros, Peso - 63 kg, Índice de Massa Corpórea (IMC) - 21,7 kg/m². Exames laboratoriais demonstram: hemograma com anemia discreta normocítica e normocrômica, contagem de leucócitos 6500/mm³ e linfopenia moderada; discreta redução da função renal com creatinina 1,3 mg/dL e ureia 58 mg/dL; albumina de 1,9 g/dL; proteína C reativa (PCR) de 2,5 mg/dL.

Em 2019, o Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM) propôs critérios diagnósticos para a desnutrição. Observando o caso clínico, escolha a alternativa correta:
A O diagnóstico de desnutrição é realizado pela presença da perda de peso associado à redução da ingestão alimentar.
B O diagnóstico de desnutrição é realizado pelo IMC do paciente menor que 22, associado à perda de peso.
C O que define a desnutrição neste caso são a presença de dosagem baixa de albumina e a perda de peso.
D O diagnóstico de desnutrição pode ser estabelecido apenas se tivermos a presença da perda de peso, redução da ingestão alimentar, IMC menor que 22.
Gabarito: A — Perda de peso associada à redução de ingestão
O consenso GLIM exige para o diagnóstico de desnutrição a combinação de pelo menos um critério fenotípico (perda de peso não intencional, baixo IMC ou redução da massa muscular) e um critério etiológico (redução da ingestão/assimilação alimentar ou inflamação/doença). No caso do paciente, a desnutrição é diagnosticada pela presença de perda de peso (fenotípico) associada à redução da ingestão alimentar (etiológico). A albumina sérica baixa é um marcador de fase aguda negativa modificado pela inflamação e não define desnutrição pelo GLIM. O IMC de 21,7 kg/m² está acima do corte do GLIM para idosos < 70 anos (que é < 20 kg/m²).
Incorreto. A resposta correta é A.
Conforme os critérios diagnósticos do GLIM, necessita-se de ao menos 1 critério fenotípico (perda de peso) e 1 critério etiológico (redução da ingestão alimentar para 50%).
TEN 2023 — Questão 66 Não respondida
Caso Clínico (continuação): Paciente de 60 anos, 63 kg, estatura 1,70 m, com diagnóstico de desnutrição pelo consenso GLIM (perda de 8 kg em 3 meses, ingestão de 50%, etc.).

A desnutrição deve ser classificada quanto à sua gravidade. De acordo com o consenso estabelecido pelo GLIM, escolha a alternativa correta:
A Trata-se de uma desnutrição grave pela presença de IMC inferior a 22.
B Trata-se de uma desnutrição grave pelo nível sérico de albumina inferior a 2,0 g/dL.
C Trata-se de uma desnutrição grave pela perda de peso superior a 10% nos últimos 6 meses.
D Trata-se de uma desnutrição moderada pela presença de linfopenia moderada associada à elevação da PCR.
Gabarito: C — Desnutrição grave pela perda de peso > 10% em 6 meses
A gravidade da desnutrição no GLIM baseia-se apenas no critério fenotípico. O paciente pesa 63 kg e perdeu 8 kg em 3 meses. Logo, o peso inicial era 71 kg (63+8). A perda percentual foi de (8 / 71) * 100 = 11,2% do peso corporal em 3 meses. Como a perda de peso é superior a 10% no período de até 6 meses, o paciente é classificado como tendo desnutrição grave (Estágio 2). O IMC de 21,7 kg/m² e a albumina/linfopenia não definem gravidade pelo GLIM.
Incorreto. A resposta correta é C.
O paciente perdeu 11,2% do seu peso habitual (8 kg de 71 kg habituais) nos últimos 3 meses, o que excede o limite de 10% em 6 meses estipulado pelo GLIM para a classificação de desnutrição grave.

📅 Questões Oficiais — Ano 2024

TEN 2024 — Questão 23 Não respondida
Assinale a alternativa correta em relação à antropometria e critérios de sarcopenia:
A Porcentagem de perda de peso maior que 2% em 1 mês significa perda ponderal grave.
B De acordo com o consenso europeu de sarcopenia, publicado em 2019, o ponto de corte para caracterizar baixa força pela força de preensão manual é menor do que 27 kg para homens e menor do que 16 kg para mulheres.
C Circunferência da panturrilha fornece estimativa da massa muscular em idosos, devendo ser maior ou igual a 34 cm para homens e mulheres.
D A circunferência do braço reflete a massa muscular e a medida desta circunferência deve ser realizada no ponto médio acrômio - olécrano com o braço fletido.
Gabarito: B — Força de preensão manual < 27 kg (homens) e < 16 kg (mulheres)
O consenso EWGSOP2 estabeleceu que a dinamometria identifica força muscular reduzida com cortes de < 27 kg para homens e < 16 kg para mulheres. As outras alternativas estão erradas porque: A) Perda ponderal em 1 mês é grave se > 5% (2% é moderada). C) O ponto de corte para a panturrilha é < 31 cm (não 34 cm). D) A medida da circunferência do braço deve ser feita com o braço relaxado ao longo do corpo, e não fletido.
Incorreto. A resposta correta é B.
Os valores corretos do consenso EWGSOP2 (2019) para caracterizar baixa força muscular na preensão palmar são < 27 kg para homens e < 16 kg para mulheres.
TEN 2024 — Questão 25 Não respondida
Assinale a alternativa correta em relação aos marcadores de avaliação nutricional:
A Proteína C reativa é uma proteína de fase aguda e pode ser utilizada como marcador direto de subnutrição.
B Transferrina menor que 100 (mg/dL) reflete desnutrição grave e apresenta meia vida de 2 dias.
C Linfócitos totais menor que 800 mm⁻³ reflete desnutrição grave.
D Creatinina urinária de 24 horas ideal para homens é 28mg/kg de peso ideal e para mulheres é 13mg/kg de peso ideal.
Gabarito: C — Linfócitos totais menor que 800 mm⁻³ reflete desnutrição grave
A contagem de linfócitos totais é um marcador clássico de desnutrição proteico-energética, onde valores < 800 mm⁻³ traduzem depleção grave do compartimento visceral. As outras opções estão incorretas: A) PCR é proteína de fase aguda positiva (inflamação), não marcador direto de desnutrição. B) A transferrina reflete desnutrição grave se < 100 mg/dL, mas sua meia-vida é de 8-9 dias (2 dias é a meia-vida da pré-albumina). D) Os valores de creatinina urinária ideal de 24 horas são de 20-25 mg/kg para homens e 15-20 mg/kg para mulheres.
Incorreto. A resposta correta é C.
A contagem total de linfócitos inferior a 800 mm⁻³ reflete depleção imunológica grave secundária à desnutrição proteica visceral. A transferrina tem meia-vida de 8-9 dias.
TEN 2024 — Questão 33 Não respondida
Segundo a European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) de 2021, o paciente cirúrgico que apresenta alto risco nutricional é aquele que:
A Apresenta perda de peso maior que 5% nos últimos 6 meses.
B Avaliação subjetiva global classificada entre B ou C.
C Albumina menor que 3,5 mg/dl.
D Nutritional risk screening (NRS 2002) maior que 5.
Gabarito: D — NRS-2002 maior que 5
De acordo com as diretrizes da ESPEN (Cirurgia 2021), a definição de paciente com alto risco nutricional perioperatório inclui escore NRS-2002 > 5 (ou ASG grau C, perda ponderal > 10-15% em 6 meses, IMC < 18,5 kg/m² ou albumina < 3,0 g/dL). Um NRS-2002 > 5 indica indicação formal para adiar cirurgias de grande porte para suporte nutricional pré-operatório por 7 a 14 dias. As alternativas A, B e C listam critérios ou faixas que não traduzem isoladamente o alto risco conforme a ESPEN (por exemplo, a albumina deve ser < 3,0 g/dL e a ASG deve ser especificamente C).
Incorreto. A resposta correta é D.
O escore de triagem NRS-2002 superior a 5 pontos é o parâmetro oficial que caracteriza o alto risco nutricional em pacientes cirúrgicos segundo a ESPEN.
TEN 2024 — Questão 62 Não respondida
Em relação à caquexia na insuficiência cardíaca, leia cada uma das alternativas a seguir e assinale (V) para verdadeiro ou (F) para falso e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

( ) São critérios diagnósticos de caquexia cardíaca: a presença de índice de massa corporal menor que 20 (vinte) kg/m² (quilogramas por metro quadrado), acrescido de três dos cinco critérios como fadiga, anorexia, baixo teor de massa muscular, baixa força muscular e alterações laboratoriais.
( ) As alterações laboratoriais presentes como parte dos critérios diagnósticos na caquexia cardíaca são: hemoglobina menor que 10 (dez) g/dL (gramas por decilitro); aumento de marcadores inflamatórios com PCR (Proteína C Reativa) maior que 5,0 (cinco) mg/L (miligramas/ litro) e albumina sérica menor que 3,2 (três vírgula dois) g/dL (gramas por decilitro).
( ) As alterações laboratoriais presentes como parte dos critérios diagnósticos na caquexia cardíaca são: hemoglobina menor que 12 (doze) g/dL (gramas por decilitro); aumento de marcadores inflamatórios com PCR maior que 4,0 (quatro) mg/L (miligramas/ litro) e albumina sérica menor que 3,5 (três vírgula cinco) g/dL (gramas por decilitro).
( ) As alterações laboratoriais presentes como parte dos critérios diagnósticos na caquexia cardíaca são: hemoglobina menor que 10 (dez) g/dL (gramas por decilitro); aumento de marcadores inflamatórios com PCR maior que 4,0 (quatro) mg/L (miligramas/ litro) e albumina sérica menor que 3,5 (três vírgula cinco) g/dL (gramas por decilitro).
( ) As alterações laboratoriais presentes como parte dos critérios diagnósticos na caquexia cardíaca são: hemoglobina menor que 12 (doze) g/dL (gramas por decilitro); aumento de marcadores inflamatórios com PCR maior que 5,0 (cinco) mg/L (miligramas/ litro) e albumina sérica menor que 3,2 (três vírgula dois) g/dL (gramas por decilitro).
A V - V - F - F - F
B F - F - V - F - F
C V - F - F - F - V
D V - F - F - V - F
Gabarito: C — V-F-F-F-V
Conforme os critérios diagnósticos do Consenso de Caquexia (Evans et al., 2008), o diagnóstico de caquexia requer perda ponderal ≥ 5% em 12 meses (ou IMC < 20 kg/m² se associado a doença crônica como IC) mais 3 de 5 critérios adicionais: fadiga, anorexia, baixa massa muscular, baixa força, e exames laboratoriais alterados. Os limiares laboratoriais corretos são: Hemoglobina < 12 g/dL, PCR > 5 mg/L e Albumina < 3,5 g/dL (ou < 3,2 g/dL em algumas variações secundárias, mas o consenso estabelece esses limiares). Com isso, apenas a 1ª e a 5ª afirmativas são verdadeiras. A 2ª é falsa porque a hemoglobina de corte é 12 e albumina é 3,5. A 3ª e a 4ª são falsas devido a PCR de 4,0 mg/L e hemoglobina de 10 g/dL.
Incorreto. A resposta correta é C (V-F-F-F-V).
Os critérios laboratoriais oficiais do consenso de caquexia (2008) exigem Hb < 12 g/dL, PCR > 5 mg/L e albumina < 3,5 g/dL. Apenas as afirmativas 1 e 5 estão corretas.
TEN 2024 — Questão 63 Não respondida
No que se refere à caquexia na insuficiência cardíaca, assinale a correta:
A Em caquexia na insuficiência cardíaca ocorrem alterações como: hiperperfusão intestinal, anorexia e má absorção.
B O acetato de medroxiprogesterona é indicado como estimulante de apetite nos casos de caquexia na insuficiência cardíaca.
C Segundo o artigo Malnutrition and Cachexia in Heart Failure, publicado no Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, são nutrientes relevantes na insuficiência cardíaca: vitaminas B1, B2, B6, B12, vitamina D, coenzima Q10 e cromo.
D Os diuréticos de alça parecem aumentar perdas de micronutrientes, incluindo vitaminas do complexo B e minerais como magnésio e selênio.
Gabarito: D — Diuréticos de alça aumentam perdas de micronutrientes
Diuréticos de alça, como a furosemida, aumentam a perda urinária de eletrólitos e vitaminas hidrossolúveis. Na IC, isso causa depleção crítica de tiamina (Vitamina B1), magnésio, potássio, selênio e zinco. A) Incorreta: ocorre hipoperfusão (edema de alça), e não hiperperfusão. B) Incorreta: progestogênios causam retenção hídrica por efeito mineralocorticoide, contraindicados na IC. C) Incorreta: o cromo não é destacado como essencial no suporte da IC no artigo de referência.
Incorreto. A resposta correta é D.
Pacientes com IC em uso de altas doses de diuréticos de alça apresentam aumento da excreção urinária de micronutrientes críticos como tiamina (B1), magnésio e selênio.

📅 Questões Oficiais — Ano 2025

TEN 2025 — Questão 7 Não respondida
Paciente masculino, 50 anos, com histórico de etilismo crônico e desnutrição grave, apresenta confusão mental, oftalmoplegia bilateral e ataxia — quadro sugestivo de síndrome de Wernicke. Exames laboratoriais confirmam deficiência acentuada de tiamina sérica e hipofosfatemia. Foi iniciada reposição venosa de tiamina (100 mg 3 vezes/dia), com melhora progressiva dos sintomas. Considerando o quadro clínico e as características da tiamina, qual das afirmativas a seguir está correta?
A A tiamina, ao se ligar ao fósforo, forma a coenzima tiamina pirofosfato, fundamental para a função de enzimas do ciclo de Krebs e metabolismo energético, especialmente em tecidos com alta demanda de ATP.
B A absorção intestinal da tiamina em situações de baixa ingestão ocorre predominantemente por difusão passiva, especialmente no jejuno, sendo esse o principal mecanismo compensatório em pacientes desnutridos.
C O consumo crônico de etanol compromete de forma semelhante os mecanismos de absorção ativa e passiva da tiamina, dificultando sua biodisponibilidade e contribuindo para a deficiência vitamínica.
D O corpo humano possui reservas significativas de tiamina, o que torna raro o aparecimento de quadros clínicos de deficiência em pacientes com desnutrição ou alcoolismo prolongado.
Gabarito: A — Tiamina pirofosfato (TPP) no metabolismo energético
A tiamina é fosforilada na forma ativa, o pirofosfato de tiamina (TPP), que serve como cofator para enzimas essenciais no ciclo de Krebs e metabolismo de carboidratos (como piruvato desidrogenase e alfa-cetoglutarato desidrogenase). Tecidos com alta demanda energética, como o cérebro, são muito vulneráveis à deficiência. A absorção ativa de tiamina é mediada pelos transportadores THTR-1 e THTR-2 e é inibida especificamente pelo etanol na mucosa intestinal. O corpo possui reservas reduzidas de tiamina (cerca de 30-50 mg), que se esgotam em apenas 2-3 semanas de jejum.
Incorreto. A resposta correta é A.
A tiamina necessita de fósforo para se transformar em pirofosfato de tiamina (TPP), seu metabólito ativo fundamental para o metabolismo oxidativo de carboidratos no Ciclo de Krebs. As reservas corporais são muito pequenas (esgotam em 2-3 semanas).
TEN 2025 — Questão 21 Não respondida
Paciente masculino, 68 anos, com insuficiência cardíaca sistólica isquêmica, em uso de losartana, furosemida e espironolactona. Refere perda de 10% do peso nos últimos 8 meses, fraqueza e redução da tolerância ao esforço. Apresenta edema leve, diarreia frequente e gosto metálico nos alimentos. Ao exame, IMC: 19,5 kg/m² (com edema), língua despapilada, força de preensão palmar de 15 kg, massa muscular diminuída (diagnosticada por ultrassonografia), exames laboratoriais mostrando anemia discreta, aumento dos marcadores inflamatórios e albumina sérica de 3,1 g/dL. Assinale a alternativa correta:
A A perda de peso é atribuível exclusivamente à baixa ingestão alimentar; diarreia é efeito colateral comum da espironolactona.
B Os bloqueadores do sistema renina-angiotensina podem causar disgeusia e contribuir para redução da ingestão alimentar.
C A terapia com diuréticos não interfere no metabolismo proteico ou no estado nutricional em pacientes com caquexia cardíaca.
D Corticosteroides são a terapia de primeira linha para o tratamento da caquexia cardíaca devido ao seu efeito anti-inflamatório.
Gabarito: B — Bloqueadores do SRAA podem induzir disgeusia
Fármacos que atuam bloqueando o SRAA (como losartana e IECA) possuem a disgeusia ("gosto metálico") como efeito colateral conhecido. A alteração do paladar piora a ingestão alimentar e agrava a sarcopenia. A caquexia na IC é multifatorial (inflamação por TNF-α, hipoperfusão e edema intestinal causando má absorção e diarreia, e perdas de zinco/tiamina pela furosemida), não sendo explicada unicamente por baixa ingestão. Corticosteroides não são indicados e podem causar retenção hídrica catastrófica na IC.
Incorreto. A resposta correta é B.
Fármacos bloqueadores do SRAA (losartana) e a espoliação urinária de zinco causada pela furosemida são etiologias frequentes de disgeusia (gosto metálico e língua despapilada) na caquexia cardíaca.
TEN 2025 — Questão 24 Não respondida
De acordo com a publicação mais recente da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism - Practical Guideline 2020 sobre nutrição clínica em doenças hepáticas, quais são os valores recomendados de energia e proteína para pacientes desnutridos ou sarcopênicos com cirrose hepática?
A 30 a 35 kcal/kg/dia e 1 g/kg/dia de proteína, distribuídos em múltiplas refeições, incluindo lanche noturno.
B 30 a 35 kcal/kg/dia e 1,5 g/kg/dia de proteína, com refeições frequentes e lanche noturno.
C 20 a 25 kcal/kg/dia e 1,2 g/kg/dia de proteína, com restrição proteica em caso de encefalopatia hepática.
D 30 a 35 kcal/kg/dia e 2,0 g/kg/dia de proteína, com jejum prolongado entre as refeições.
Gabarito: B — 30 a 35 kcal/kg/dia e 1,5 g/kg/dia com lanche noturno
A cirrose hepática cursa com "jejum acelerado", onde o esgotamento do glicogênio hepático leva à oxidação precoce de aminoácidos musculares. A ESPEN 2020 recomenda 30 a 35 kcal/kg/dia de energia e 1,2 a 1,5 g/kg/dia de proteína (o limite superior de 1,5 g/kg/dia é recomendado para reverter desnutrição/sarcopenia). Recomenda-se refeições frequentes e um lanche noturno (Late Evening Snack) contendo carboidratos e proteínas para encurtar a proteólise muscular durante a noite. Restrição proteica na encefalopatia é um conceito obsoleto e contraindicado.
Incorreto. A resposta correta é B.
O cirrótico desnutrido necessita de 30-35 kcal/kg/dia and 1,2-1,5 g/kg/dia de proteínas, com ingestão fracionada e um lanche noturno obrigatório para mitigar o catabolismo muscular noturno.
TEN 2025 — Questão 29 Não respondida
A caquexia neoplásica é uma alteração metabólica distinta da desnutrição clássica, com impacto direto na resposta ao tratamento e na sobrevida de pacientes oncológicos. Com base em seus mecanismos fisiopatológicos, analise as afirmativas:

I. Citocinas como IL-6 e TNF-alfa ativam a via ubiquitina-proteassoma, levando à proteólise muscular, independentemente da oferta nutricional.
II. A lipólise aumentada envolve maior atividade de proteínas desacopladoras (UCPs) nos adipócitos marrons, elevando o gasto energético basal.
III. A caquexia responde bem ao suporte nutricional precoce, pois o estado inflamatório não compromete o anabolismo muscular.
IV. Há resistência anabólica por inibição da via PI3K/Akt/mTOR, dificultando a síntese proteica mesmo com aminoácidos disponíveis.

Assinale a alternativa correta:
A Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
B Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas.
C Apenas as afirmativas II e IV estão corretas.
D Todas as afirmativas estão corretas.
Gabarito: B — Apenas as afirmativas I, II e IV estão corretas
A caquexia oncológica caracteriza-se por inflamação crônica sistêmica que ativa a degradação proteica (sistema ubiquitina-proteassoma) e inibe as vias de síntese proteica celular (via mTOR), gerando resistência anabólica. O browning do tecido adiposo dissipa energia como calor e aumenta o metabolismo energético basal. A afirmativa III está errada pois a caquexia é refratária ao suporte nutricional isolado justamente pelas alterações inflamatórias e moleculares descritas.
Incorreto. A resposta correta é B.
A caquexia neoplásica é refratária ao suporte calórico isolado (III incorreta) devido à inflamação que bloqueia o anabolismo (bloqueio de mTOR) e ativa a proteólise muscular (ubiquitina) e termogênese adiposa (UCP-1).
TEN 2025 — Questão 39 Não respondida
Homem de 32 anos, alcoolista, vivendo em situação de rua, com tuberculose pulmonar ativa, apresenta índice de creatinina-altura (ICA) < 60% do valor esperado para sexo, idade e altura. Considerando esse dado laboratorial, qual das opções abaixo representa a melhor interpretação clínica desse achado?
A Representa adaptação metabólica com redução da síntese de creatinina devido ao padrão alimentar precário.
B Reflete catabolismo muscular agudo com mobilização de aminoácidos.
C Sugere depleção muscular grave associada à subnutrição proteico-energética crônica.
D Corresponde à razão entre a massa muscular estimada pela bioimpedância e a altura.
Gabarito: C — Depleção muscular grave por subnutrição proteico-energética crônica
O ICA estima a massa muscular. Em indivíduos com função renal normal, a excreção urinária de creatinina em 24h é diretamente proporcional à massa muscular corporal. Valores < 60% indicam depleção muscular grave, associada a estados de subnutrição proteico-energética crônica em pacientes com infecções ou privação crônica.
Incorreto. A resposta correta é C.
A excreção urinária de creatinina estima a massa muscular. Um valor de ICA inferior a 60% aponta para depleção muscular grave secundária a um estado crônico de desnutrição proteico-energética.
TEN 2025 — Questão 40 Não respondida
Homem, 72 anos, mora sozinho, come habitualmente de marmita, que contém arroz, feijão, carne, legumes cozidos e salada de folhas. Paciente previamente com obesidade grau 1 e diabetes mellitus e faz uso regular de metformina. Ele faz as atividades diárias de vida de forma independente. Levado ao atendimento médico por sobrinho que relata que há 3 semanas o paciente se tornou apático e que há 1 semana reduziu a ingestão alimentar e mantém-se deitado na maior parte do tempo, com perda de peso estimada de 2 kg. Apresenta índice de massa corporal (IMC) de 29,3 kg/m² e encontra-se sonolento, fala desconexa, mucosas descoradas, desidratado (+/4), edema em dorso e membros inferiores (++/4). PA: 130/80 mmHG, FC: 110 bpm, sem sopros. Os exames complementares afastaram hipótese de insuficiência cardíaca ou doença respiratória. Foi confirmado o diagnóstico de infecção do trato urinário (ITU). A avaliação laboratorial mostrou: proteínas totais = 5,1 mg/dL; albumina = 2,6 mg/dL; transferrina = 55 mg/dL; ferritina = 378 ng/mL; proteína C reativa = 18,0 mg/dL. Internado para tratamento da ITU. Com base no quadro clínico, antropométrico e laboratorial do paciente, e aplicando os critérios de diagnóstico de subnutrição (malnutrition) em idosos recomendados pela ESPEN, qual é a avaliação nutrológica mais precisa?
A Depleção proteica visceral, secundária à inflamação sistêmica.
B Obesidade grau 1, o que exclui subnutrição.
C Subnutrição proteica leve, secundária à redução da ingestão alimentar.
D Caquexia desencadeada pela infecção do trato urinário.
Gabarito: A — Depleção proteica visceral secundária à inflamação sistêmica
Sob inflamação aguda (PCR 18,0 mg/dL), o fígado reprime a síntese de proteínas de fase aguda negativa (como albumina e transferrina) e prioriza as de fase aguda positiva. O edema e a dilatação plasmática acentuam a queda da albumina. A desnutrição proteica observada laboratorialmente é, portanto, secundária ao processo inflamatório sistêmico agudo. O IMC de 29,3 kg/m² não afasta o diagnóstico de desnutrição. A infecção urinária aguda não preenche critérios temporais para caquexia (que exige cronicidade de meses).
Incorreto. A resposta correta é A.
A queda expressiva da albumina e transferrina na presença de PCR de 18 mg/dL é secundária ao estresse inflamatório agudo da infecção urinária, e não reflete apenas um balanço nutricional negativo isolado.
TEN 2025 — Questão 72 Não respondida
Um paciente adulto, admitido na unidade de terapia intensiva (UTI) há 5 dias com diagnóstico de pancreatite aguda grave complicada, apresenta impossibilidade de uso da via enteral (NE). A avaliação de risco nutricional indica alto risco (ex: The Nutrition Risk in Critically Ill (NUTRIC) score maior ou igual a 5). De acordo com as diretrizes da ASPEN/SCCM de 2016, qual estratégia de Nutrição Parenteral (NP) é sugerida para este paciente na fase aguda da doença crítica?
A Iniciar NP com ≤ 20 kcal/kg/dia ou 80% das necessidades com aporte proteico adequado (≥ 1,2 g/kg/dia).
B Administrar NP em quantidade suficiente para atingir 100% das metas energéticas desde o início, com aporte proteico de ≥ 1,2 g/kg/dia.
C Implementar NP trófica, com oferta energética mínima (10-20 kcal/h), mas com alta oferta proteica (≥ 2,0 g/kg/dia).
D Adiar o início da NP por 7 dias, mantendo apenas hidratação venosa.
Gabarito: A — NP hipocalórica (≤ 20 kcal/kg/dia ou 80% das metas) e hiperproteica (≥ 1,2 g/kg/dia)
Para pacientes críticos com alto risco nutricional (NUTRIC ≥ 5) impossibilitados de receber nutrição enteral, a ASPEN/SCCM recomenda iniciar NP precoce. Na fase hiperaguda (1ª semana), a prescrição calórica deve ser hipocalórica (≤ 20 kcal/kg/dia ou 80% das necessidades) para evitar superalimentação (overfeeding) e suas disfunções metabólicas, mantendo-se oferta proteica adequada (≥ 1,2 g/kg/dia). Adiar a NP por 7 dias (D) é indicado apenas para pacientes de baixo risco (NUTRIC < 5).
Incorreto. A resposta correta é A.
Pacientes críticos de alto risco nutricional devem receber suporte com NP precoce se a via enteral for contraindicada, utilizando estratégia hipocalórica (≤ 80% das necessidades) e hiperproteica (≥ 1,2 g/kg/dia) na primeira semana.
TEN 2025 — Questão 62 Não respondida
Homem de 68 anos, internado para cirurgia de adenocarcinoma colorretal (estádio II), relata perda de 6 kg em 3 meses (8% do peso corporal), com redução de 50% na ingestão alimentar por hiporexia, dor abdominal e náuseas. Refere piora funcional (cansaço aos 100 m). Ao exame: índice de massa corporal (IMC) de 19 kg/m², redução moderada de massa muscular e gordura subcutânea, e edema leve em membros inferiores. Laboratório: albumina 2,8 g/dL (VR: 3,5–5,0), pré-albumina 12 mg/dL (VR: 16–35), proteína C reativa (PCR) 12 mg/dL (VR: <0,5). Com base nos critérios da Global Leadership Initiative on Malnutrition (GLIM, 2019), qual o diagnóstico e a classificação de gravidade nutricional mais adequada para o paciente, com base nos critérios fenotípicos e etiológicos presentes?
A Eutrofia, com IMC dentro da faixa esperada para a idade e pouca alteração funcional.
B Desnutrição moderada, com perda de peso > 5%, IMC < 20 e inflamação presente.
C Desnutrição grave, devido à presença de edema que interfere nos parâmetros clínicos.
D Risco nutricional, sem desnutrição, considerando hipoalbuminemia por inflamação.
Gabarito: B — Desnutrição moderada (perda peso 8%, IMC 19 e inflamação)
O paciente tem desnutrição pelo GLIM, pois apresenta critérios fenotípicos (perda de peso de 8% em 3 meses, IMC de 19 kg/m² e depleção muscular no exame físico) e etiológicos (ingestão reduzida em 50% e inflamação evidenciada pelo câncer colorretal e PCR 12 mg/dL). Para graduar a gravidade, o GLIM usa os limiares fenotípicos. O paciente apresenta perda de peso entre 5-10% e IMC de 19 (corte para idoso < 70 anos é IMC < 20), o que classifica a desnutrição como moderada (Estágio 1). O corte para grave seria perda > 10% ou IMC < 18,5.
Incorreto. A resposta correta é B.
Conforme os critérios fenotípicos e etiológicos do GLIM, o paciente preenche critérios de desnutrição e é classificado na categoria moderada pela perda ponderal de 8% em 3 meses e IMC de 19 kg/m² (idoso < 70 anos).
TEN 2025 — Questão 90 Não respondida
Paciente do sexo masculino, 68 anos, portador de adenocarcinoma gástrico, foi avaliado em consulta pré-operatória para gastrectomia subtotal. Relata perda ponderal de 12% nos últimos três meses, apresenta albumina sérica de 2,9 g/dL e índice de massa corporal (IMC) de 18,1 kg/m². A ingestão alimentar encontra-se prejudicada devido à saciedade precoce e náuseas recorrentes. O cirurgião prevê jejum prolongado no pós-operatório imediato. A equipe multidisciplinar está discutindo a melhor estratégia de suporte nutricional, considerando o risco nutricional elevado do paciente. Com base nas diretrizes práticas da European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) de 2021 sobre nutrição clínica em cirurgia, qual é a conduta mais adequada quanto ao uso da imunonutrição nesse cenário?
A Administrar fórmula enteral imunomoduladora apenas no período pós-operatório, devido à falta de evidência no uso pré-operatório isolado.
B Iniciar suplemento nutricional padrão, pois não há benefício comprovado do uso de nutrientes imunomoduladores em cirurgias oncológicas.
C Adiar a cirurgia até que o paciente complete pelo menos 14 dias de nutrição parenteral exclusiva com glutamina e ácidos graxos ômega-3.
Introduzir fórmula enriquecida com arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos por via oral ou enteral por 5 a 7 dias no pré-operatório.
Gabarito: D — Imunonutrição enteral por 5 a 7 dias no pré-operatório
O paciente apresenta risco nutricional grave (desnutrição grave: IMC 18,1 < 18,5, albumina 2,9 < 3,0, perda ponderal > 10-15%). A ESPEN 2021 recomenda fortemente a administração de fórmulas enterais imunomoduladoras contendo arginina, ácidos graxos ômega-3 e nucleotídeos no perioperatório, idealmente iniciando 5 a 7 dias antes de cirurgias oncológicas do trato digestivo de grande porte por via oral/enteral, o que reduz de forma significativa o risco de infecções da ferida cirúrgica e deiscência de anastomoses.
Incorreto. A resposta correta é D.
De acordo com as diretrizes da ESPEN de cirurgia 2021, pacientes oncológicos de alto risco submetidos a cirurgia digestiva de grande porte devem receber imunonutrição (arginina, ômega-3 e nucleotídeos) pré-operatória por 5 a 7 dias.
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