Nutro-TEN | Terapia Nutricional no Idoso

NUTRO-TEN

Preparatório para a Prova de Título de Especialista em Nutrologia (ABN/ABRAN) [cite: 2, 3, 4]

MÓDULO: TERAPIA NUTRICIONAL NO IDOSO [cite: 5, 6]
Sarcopenia | Desnutrição | Avaliação Geriátrica | Critérios GLIM e EWGSOP2 | Terapia Enteral e Parenteral | Populações Especiais [cite: 7]

Questões integradas: TEN 2022, 2024, 2025 [cite: 8]

1. CONTEXTO E RELEVÂNCIA PARA O TEN [cite: 11]

O idoso é o paciente central da nutrologia clínica moderna[cite: 12]. Em nenhuma outra faixa etária a nutrição interfere de forma tão determinante sobre desfechos funcionais, cognitivos e de sobrevida[cite: 13]. A prova de título da ABN/ABRAN reconhece isso: nas edições de 2022, 2024 e 2025, questões sobre avaliação nutricional geriátrica, sarcopenia, diagnóstico de desnutrição pelos critérios GLIM e EWGSOP2, farmaconutrição e suporte nutricional artificial compuseram um segmento substancial do exame[cite: 14].

O padrão de cobrança da banca nesse tema é específico e replicável[cite: 15]. A questão de sarcopenia quase sempre cobra pontos de corte exatos da dinamometria e da circunferência da panturrilha, frequentemente posicionando um distrator com o valor errado ou com o procedimento invertido como usar o menor valor em vez do maior na dinamometria[cite: 16]. A questão de desnutrição cobra os critérios GLIM, exigindo que o candidato saiba que o diagnóstico precisa de pelo menos um critério fenotípico e um etiológico, e que a graduação de gravidade é determinada exclusivamente pelo critério fenotípico[cite: 17]. A questão de suporte nutricional testa se o candidato entende a diferença entre indicação de TNE e TNP, as situações específicas de indicação de gastrostomia, e o risco de síndrome de realimentação[cite: 18].

1.1 Por que esse tema cai: o raciocínio da banca [cite: 19]

A banca examinadora projeta questões que diferenciam o candidato que decorou de quem raciocinou[cite: 20]. No tema do idoso, a estratégia predileta é o caso clínico com múltiplos dados antropométricos e laboratoriais, onde o candidato precisa aplicar os critérios corretos para o grupo etário - e não os critérios de adultos jovens[cite: 21]. O IMC de 20 kg/m² que seria normal num adulto de 35 anos é baixo peso num idoso de 69 anos[cite: 22]. A albumina de 2,6 g/dL que parece evidência de desnutrição grave pode ser principalmente um marcador inflamatório de fase ajuda[cite: 23]. A panturrilha de 28 cm que o candidato tende a ignorar é, na verdade, evidência objetiva de redução de massa muscular[cite: 24].

A habilidade treinada neste módulo é precisamente essa: ler um caso clínico geriátrico, identificar quais parâmetros são relevantes, aplicar o critério correto para a faixa etária, e distinguir entre o que a banca colocou como verdadeiro e o que foi construído para parecer verdadeiro mas contém um detalhe errado[cite: 25].

1.2 Epidemiologia: os dados que aparecem nos enunciados [cite: 26]

A prevalência de desnutrição no idoso varia dramaticamente conforme o cenário de cuidado e esses dados têm aparecido em questões de contexto[cite: 27, 28]. O candidato deve memorizar as três faixas[cite: 28]:

  • Idosos domiciliados apresentam desnutrição em 1 a 15% dos casos[cite: 28];
  • Idosos internados em ambiente hospitalar têm prevalência de 35 a 65%[cite: 29];
  • Idosos institucionalizados (em instituições de longa permanência) apresentam desnutrição em 25 a 60%[cite: 30].

A amplitude dessas faixas reflete a heterogeneidade da população idosa e a banca explorou exatamente essa heterogeneidade ao introduzir casos com cenários distintos[cite: 31].

O envelhecimento populacional brasileiro é acelerado[cite: 32]. As coortes nascidas entre 1940 e 1970 que representam cerca de 25% da população atual envelheceram em condições de menor acesso a prevenção de doenças e com hábitos de vida consolidados de difícil modificação[cite: 32, 35]. Isso contribui para a alta prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, polimedicação e senilidade precoce - todos fatores que agravam o risco nutricional[cite: 35].

Prevalências de desnutrição: números que a banca usa [cite: 36]

Domiciliados: 1-15% | Hospitalizados: 35-65% | Institucionalizados: 25-60% [cite: 36]

Questões de contexto ou de triagem nutricional frequentemente inserem o cenário de cuidado do idoso exatamente para exigir que o candidato referencie esses valores no raciocínio[cite: 37].

2. FISIOPATOLOGIA: O MECANISMO QUE A PROVA COBRA [cite: 40]

2.1 Modificações fisiológicas do envelhecimento com impacto nutricional [cite: 41]

O envelhecimento produz duas trajetórias simultâneas de modificação corporal que se reforçam mutuamente: a redução progressiva da massa magra e o aumento relativo da gordura corporal[cite: 42]. Após os 60 anos, essas mudanças se tornam clinicamente expressivas; após os 70 anos, a velocidade do processo se acelera de forma significativa[cite: 43, 44]. O que a banca quer que o candidato entenda é que essas trajetórias têm consequências metabólicas específicas, e não são apenas cosméticas[cite: 45].

A redução da massa magra compromete diretamente o gasto energético de repouso (GER), que está geralmente diminuído no idoso porque massa muscular é o principal determinante do GER[cite: 46]. Isso cria um paradoxo clínico: o idoso precisa de menos calorias absolutas, mas precisa de mais proteína por quilo de peso para manter o que resta de músculo[cite: 47]. Esse paradoxo explica por que as necessidades proteicas do idoso são mais altas, em termos de g/kg/dia, do que as do adulto jovem[cite: 48].

2.2 Resistência anabólica: o mecanismo central da sarcopenia [cite: 49]

A resistência anabólica é o conceito mais importante da fisiopatologia do músculo no envelhecimento - e é o que a banca testa ao perguntar por que idosos precisam de mais proteína[cite: 50]. O músculo do idoso é menos responsivo aos estímulos anabólicos[cite: 51]. Diante da mesma ingestão de proteína e do mesmo estímulo de exercício resistido que produziria hipertrofia em um adulto jovem, o músculo do idoso responde com síntese proteica muscular (SPM) substancialmente menor[cite: 52].

Os mecanismos subjacentes à resistência anabólica incluem: redução na sensibilidade do músculo à leucina e à insulina, diminuição do fluxo sanguíneo muscular pós-prandial (o que reduz a entrega de aminoácidos ao músculo), elevação crônica de citocinas inflamatórias que ativam vias catabólicas (ubiquitina-proteassoma e autofagia), e declínio nos hormônios anabólicos endógenos, especialmente testosterona em homens e IGF-1 em ambos os sexos[cite: 53, 54].

A implicação prática e a que a prova cobra é direta: para superar a resistência anabólica, o idoso precisa de uma quantidade maior de proteína por refeição (25 a 30 g para atingir o gatilho de leucina) e de uma distribuição ao longo do dia nas três refeições principais, e não concentrada em uma refeição[cite: 55]. Além disso, a combinação de proteína com exercício resistido é sinérgica e superior a qualquer uma das intervenções isoladas[cite: 56].

O gatilho de leucina no idoso [cite: 57]

A leucina funciona como sensor metabólico que ativa a via mTOR e dispara a síntese proteica muscular[cite: 58]. No idoso, o limiar de ativação é mais alto: enquanto o jovem responde com ingestões menores, o idoso precisa de aproximadamente 2,5 a 3 g de leucina por refeição para ativar a SPM de forma eficaz[cite: 59]. Isso corresponde a cerca de 25 a 30 g de proteína de alta qualidade por refeição[cite: 60]. O whey protein tem a maior concentração de leucina entre as fontes proteicas disponíveis comercialmente, razão pela qual é a fonte preferencial na suplementação do idoso sarcopênico[cite: 61, 64].

2.3 Mioesteatose e qualidade muscular [cite: 65]

A sarcopenia não é apenas uma questão de quantidade de músculo, é também de qualidade[cite: 66]. Durante o envelhecimento, as fibras musculares são progressivamente substituídas por tecido fibroso (miofibrose) e gordura intramuscular e intermuscular (mioesteatose)[cite: 67]. Essa infiltração gordurosa compromete as propriedades contráteis do músculo e explica por que a perda de força no idoso é proporcionalmente maior do que a perda de massa muscular[cite: 68].

A questão que a banca colocou em 2024 sobre composição corporal e risco de demência explorou exatamente esse conceito ao perguntar sobre a sequência de risco crescente[cite: 69]. A obesidade sarcopênica (combinação de excesso de gordura com depleção de massa muscular funcional) apresenta o maior risco porque somam os efeitos negativos metabólicos (resistência à insulina, inflamação crônica) com os efeitos negativos do comprometimento muscular (redução de atividade, perda funcional)[cite: 70].

Do ponto de vista quantitativo: a perda de massa muscular é de 3,7 a 4,7% por década em mulheres e homens respectivamente, tornando-se mais evidente a partir da quinta década[cite: 71]. Mas a perda de força é muito mais acentuada: aproximadamente 15% entre a sexta e sétima décadas, podendo exceder 30% por década após os 70 anos[cite: 72]. A assimetria entre perda de massa e perda de força é o que a qualidade muscular (mioesteatose) explica[cite: 73].

2.4 Eixo intestino-músculo e microbiota [cite: 74]

TEN 2024 - QUESTÃO Q12 [cite: 75]

Estudos clínicos e laboratoriais evidenciam que: As mudanças da microbiota intestinal e comprometimento da musculatura relacionadas à idade ocorrem simultaneamente, SENDO QUE, as correlações causais entre ambas foram claramente investigadas e comprovadas[cite: 76].

(A) A primeira frase está correta e a segunda está errada. ✓ GABARITO [cite: 77]
(B) A primeira frase está errada e a segunda correta. [cite: 78]
(C) Ambas as frases estão independentemente corretas. [cite: 79]
(D) Ambas as frases estão corretas e a segunda complementa a primeira. [cite: 80]
(E) Ambas as frases estão erradas. [cite: 81]

COMENTÁRIO: [cite: 82]
Esta questão testa a habilidade de leitura precisa de afirmações compostas - uma armadilha clássica do TEN[cite: 84]. O candidato que lê rápido tende a confirmar que 'sim, idosos têm alterações musculares e de microbiota' e marcar (C) ou (D)[cite: 85]. Mas a questão está testando outra coisa[cite: 86].

Primeira afirmação: As mudanças da microbiota intestinal e o comprometimento muscular associados à idade ocorrem de forma simultânea[cite: 89]. Isso é verdadeiro: estudos demonstram que as alterações na microbiota (disbiose com redução de diversidade, redução de bactérias produtoras de butirato) e a perda progressiva de massa e função muscular coexistem no envelhecimento[cite: 90].

Segunda afirmação: As correlações causais entre ambas foram 'claramente investigadas e comprovadas'. Isso é falso[cite: 91]. As evidências existem (associações epidemiológicas, experimentos em modelos animais, e mecanismos plausíveis como produção de SCFAs, regulação da síntese proteica pela microbiota) mas a causalidade bidirecional em humanos não está definitivamente comprovada[cite: 92]. A ciência do eixo intestino-músculo está em construção, não consolidada[cite: 93].

Armadilha principal: a questão não pergunta se o fenômeno existe, pergunta se a causalidade está comprovada[cite: 94]. Sempre leia as afirmações compostas com atenção ao advérbio ou ao qualificador ('claramente', 'definitivamente', 'exclusivamente'), pois são frequentemente onde a banca introduz o erro[cite: 95].

O eixo intestino-músculo representa uma fronteira de investigação científica com enorme potencial terapêutico, mas ainda em fase de validação[cite: 96]. A microbiota intestinal do idoso tende à disbiose: redução de diversidade e de espécies produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), como o butirato[cite: 97]. O butirato tem efeitos anti-inflamatórios, melhora a permeabilidade intestinal e pode influenciar o metabolismo proteico muscular[cite: 98]. Mas a cadeia causal bidirecional e os protocolos de intervenção microbiota-músculo ainda não têm evidência suficiente para orientar condutas com certeza[cite: 99].

2.5 Fisiopatologia da caquexia cardíaca: uma entidade à parte [cite: 100]

A caquexia é uma síndrome consumptiva crônica definida por hipermetabolismo, proteólise musculoesquelética e resposta inflamatória persistente, associada a doenças sistêmicas graves como insuficiência cardíaca avançada, neoplasias e falências orgânicas terminais[cite: 101]. O erro mais comum e o que a banca explorou na questão 21 do TEN 2025 é tratar a caquexia como sinônimo de desnutrição ou como resultado exclusivo de baixa ingestão alimentar[cite: 102].

Na insuficiência cardíaca sistólica, a caquexia cardíaca resulta de uma cascata hiperinflamatória mediada por TNF-alfa, IL-1, IL-6 e outros mediadores que promovem catabolismo proteico independente da ingestão[cite: 103]. A enteropatia perdedora de proteínas secundária à congestão venosa portal crônica agrava o quadro pela perda intestinal de proteínas[cite: 104]. E os próprios medicamentos cardiológicos podem contribuir: os bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), como o losartana (BRA), têm disgeusia como efeito colateral documentado[cite: 105]. A furosemida, por sua vez, espolia zinco urinário, e a hipozincemia é causa de disgeusia e hipogeusia[cite: 106]. A perda de acuidade gustativa reduz o prazer alimentar e deprime o apetite[cite: 107].

TEN 2025 - QUESTÃO Q21 [cite: 108, 109]

Paciente masculino, 68 anos, com insuficiência cardíaca sistólica isquêmica, em uso de losartana, furosemida e espironolactona[cite: 112]. Refere perda de 10% do peso nos últimos 8 meses, fraqueza e redução da tolerância ao esforço[cite: 113]. Apresenta edema leve, diarreia frequente e gosto metálico nos alimentos[cite: 114]. Ao exame: IMC 19.5 kg/m² (com edema), língua despapilada, força de preensão palmar de 15 kg, massa muscular diminuída (diagnosticada por ultrassonografia), anemia discreta, aumento dos marcadores inflamatórios e albumina sérica de 3,1 g/dL[cite: 115]. Assinale a alternativa correta: [cite: 116]

(A) A perda de peso é atribuível exclusivamente à baixa ingestão alimentar; diarreia é efeito colateral comum da espironolactona[cite: 117].
(B) Os bloqueadores do sistema renina-angiotensina podem causar disgeusia e contribuir para redução da ingestão alimentar. ✓ GABARITO [cite: 118, 119]
(C) A terapia com diuréticos não interfere no metabolismo proteico ou no estado nutricional em pacientes com caquexia cardíaca[cite: 120, 121].
(D) Corticosteroides são a terapia de primeira linha para o tratamento da caquexia cardíaca devido ao seu efeito anti-inflamatório[cite: 122].

COMENTÁRIO: [cite: 123]
Gabarito B: Os bloqueadores do SRAA, especialmente os BRAs (losartana, valsartana) e os IECAs têm como efeito colateral bem documentado a disgeusia, manifestada clinicamente como gosto metálico ou alteração do paladar[cite: 124, 125, 126]. No caso apresentado, o gosto metálico nos alimentos e a língua despapilada (glossite, sugerindo deficiências de micronutrientes, especialmente zinco e vitaminas do complexo B) são a representação clínica dessa interferência farmacológica na ingestão alimentar[cite: 127].

Alternativa A errada: A perda de peso na IC avançada não é exclusiva de baixa ingestão[cite: 128]. A caquexia cardíaca é um estado hiperinflamatório com catabolismo proteico independente da ingestão (mediado por TNF-alfa, IL-1, IL-6)[cite: 129]. A diarreia, por sua vez, decorre da enteropatia perdedora de proteínas por congestão venosa portal, não da espironolactona[cite: 130].

Alternativa C errada: Diuréticos de alça (furosemida) causam espoliação urinária crônica de zinco, potássio e magnésio, todos com impacto no metabolismo proteico e na função muscular[cite: 131]. A hipozincemia é a principal causa etiológica de disgeusia induzida por diuréticos[cite: 132]. Além disso, a furosemida espolia tiamina (B1), podendo precipitar beribéri úmido em cardiopatas[cite: 133].

Alternativa D errada: Corticosteroides agravam a caquexia cardíaca apesar do efeito anti-inflamatório: causam retenção hidrossalina (piora a congestão), ativam a via ubiquitina-proteassoma no músculo (miopatia esteroidal), e têm efeito diabetogênico[cite: 134]. Não são terapia de primeira linha para caquexia cardíaca[cite: 135].

3. AVALIAÇÃO CLÍNICA E DIAGNÓSTICO [cite: 138]

3.1 Triagem nutricional no idoso: quando, como e com quais ferramentas [cite: 139]

Todo idoso, independentemente de ser saudável ou enfermo, ambulatorial ou hospitalizado, deve passar por triagem nutricional[cite: 140]. Isso não é consenso informal: é recomendação formal dos guidelines ESPEN e BRASPEN[cite: 141]. A triagem é o primeiro passo de um processo hierárquico: triagem positiva leva à avaliação nutricional completa; avaliação positiva leva à intervenção nutricional estruturada[cite: 142, 143].

As janelas temporais de triagem têm valores específicos que a banca pode cobrar: para idosos hospitalizados, a triagem deve ocorrer nas primeiras 24 horas da internação e ser repetida semanalmente[cite: 144]. Para idosos institucionalizados, a triagem deve ser feita na admissão e repetida a cada 3 meses ou anualmente, conforme as condições clínicas[cite: 145].

Cenário [cite: 146] Instrumento recomendado [cite: 146] Periodicidade [cite: 146]
Idoso hospitalizado Mini Avaliação Nutricional (MAN completa ou MAN-r), NRS-2002 Na admissão; repetir semanalmente
Idoso ambulatorial / atenção primária MAN, DNH (Determine Your Nutritional Health) Em toda consulta de risco; ao menos semestral
Idoso institucionalizado MAN, MAN-r Na admissão; repetir a cada 3 meses ou anualmente

3.2 Antropometria no idoso: pontos de corte específicos [cite: 147]

A antropometria geriátrica usa pontos de corte diferentes dos usados para adultos jovens[cite: 148]. Esse é um dos temas que mais gera questões com distratores sutis no TEN, porque o candidato aplica automaticamente os critérios de adultos e erra[cite: 149].

3.2.1 IMC no idoso: por que o ponto de corte é mais alto [cite: 150]

Em adultos jovens, o ponto de corte para baixo peso é IMC menor que 18,5 kg/m²[cite: 151]. No idoso, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e o protocolo SISVAN recomendam IMC menor ou igual a 22 kg/m² como definição de baixo peso - significativamente mais alto[cite: 152]. O motivo é duplo: (1) estudos epidemiológicos demonstram que, em idosos, um IMC ligeiramente mais alto está associado a menor mortalidade (paradoxo da obesidade)[cite: 153]; (2) as alterações de composição corporal no envelhecimento - menos músculo, mais gordura com o mesmo peso - tornam o IMC um marcador menos preciso, favorecendo a adoção de um ponto de corte mais conservador[cite: 154].

Sistema / Fonte [cite: 155] Baixo peso [cite: 155] Peso adequado [cite: 155] Sobrepeso / Obesidade [cite: 155]
SISVAN/SBGG [cite: 155] ≤ 22 kg/m² [cite: 155] > 22 e < 27 kg/m² [cite: 155] ≤ 27 kg/m² [cite: 155]
OPAS (hospitalar) [cite: 158] ≤ 23 kg/m² [cite: 158] > 23 e < 28 kg/m² [cite: 158] ≤ 28 kg/m² [cite: 158]
Adulto jovem (OMS) [cite: 158] < 18,5 kg/m² [cite: 158] 18,5 - 24,9 kg/m² [cite: 158] ≤ 25 kg/m² [cite: 158]

TEN 2024 - QUESTÃO Q97 [cite: 159]

Homem de 69 anos, após episódio depressivo grave, evolui com hiporexia e perda ponderal não aferida no período[cite: 160]. Ao exame físico: IMC 20 kg/m², circunferência da panturrilha de 28 cm, circunferência da cintura 76 cm, força de preensão palmar 25 kgf, dobra cutânea tricipital 3mm[cite: 161]. A respeito do caso, é correto afirmar que: [cite: 162]

(A) O IMC classifica o paciente como baixo peso, pois idosos possuem um ponto de corte maior do que a população em geral para esta definição. ✓ GABARITO [cite: 163, 164]
(B) A medida da circunferência da cintura deve ser realizada no ponto mais alto da crista ilíaca e possui correlação com o risco cardiovascular[cite: 165].
(C) A circunferência da panturrilha é um método sensível para avaliação da massa muscular de idosos, porém não se recomenda sua aferição em pacientes acamados[cite: 166].
(D) A dinamometria é um teste funcional indicador de desnutrição. Para sua mensuração devem ser feitas três medidas e considerado o menor valor obtido[cite: 167, 168].
(E) A dobra cutânea tricipital faz parte da avaliação antropométrica do paciente, porém ao contrário dos parâmetros avaliados neste caso, não é compatível com diagnóstico de desnutrição[cite: 169].

COMENTÁRIO: [cite: 170]
Gabarito A: O paciente tiene 69 anos (idoso) e IMC de 20 kg/m²[cite: 171]. Pelo critério SISVAN/SBGG, o ponto de corte para baixo peso no idoso é ≤ 22 kg/m², significativamente mais alto que o ponto de corte de adultos jovens (< 18,5 kg/m²)[cite: 172]. Portanto, 20 kg/m² classifica este idoso como baixo peso, corroborando a suspeita de desnutrição[cite: 173].

Alternativa C errada (erro grave): A circunferência da panturrilha (CP) é recomendada justamente em pacientes acamados; é um dos poucos parâmetros antropométricos aplicáveis nessa situação[cite: 174]. A afirmativa nega exatamente o ponto forte da CP como ferramenta clínica[cite: 175].

Alternativa D errada (armadilha de protocolo): O protocolo padrão para dinamometria recomenda 2 ou 3 medidas em cada mão e considera o MAIOR valor obtido, não o menor[cite: 176]. Essa inversão é uma armadilha clássica[cite: 177].

Alternativa E errada: Dobra cutânea tricipital de 3mm representa depleção severíssima da reserva de gordura subcutânea, altamente compatível com desnutrição grave, não incompatível como afirma a alternativa[cite: 178].

3.2.2 Circunferência da panturrilha: o proxy de massa muscular mais prático [cite: 179]

A circunferência da panturrilha (CP) é o melhor marcador antropométrico de massa muscular disponível para o idoso e especialmente para idosos acamados, onde DXA e bioimpedância têm limitações práticas[cite: 182]. A CP tem melhor correlação com a massa magra apendicular estimada por DXA do que a circunferência do braço, mesmo em idosos acima de 60 anos[cite: 183].

Sexo [cite: 184] Ponto de corte (redução de massa muscular) [cite: 184] Fonte [cite: 184]
Homens ≤ 34 cm Barbosa-Silva et al., 2016 - população brasileira
Mulheres ≤ 33 cm Barbosa-Silva et al., 2016 - população brasileira

Distrator clássico da banca: CP no paciente acamado [cite: 185]

A questão 97 da prova 2024 tentou convencer o candidato de que a CP 'não se recomenda em pacientes acamados'[cite: 186]. Isso é falso, é justamente o contrário. A CP é recomendada em acamados porque é prática, portátil e confiável nessa situação[cite: 187]. Sempre que a banca afirmar que um método simples e validado 'não se aplica' a uma situação clínica específica sem boa justificativa, desconfie[cite: 188].

3.2.3 Força de preensão palmar: dinamometria e protocolo correto [cite: 189]

A força de preensão palmar (dinamometria manual) é o principal método de avaliação de força muscular recomendado pelo EWGSOP2 e pela BRASPEN[cite: 190]. No EWGSOP2, a força assume papel central: sarcopenia 'provável' é definida pela baixa força isoladamente, mesmo antes de confirmar a baixa massa muscular[cite: 191]. Isso representa uma mudança paradigmática em relação às definições anteriores, onde força e massa eram coequivalentes[cite: 192].

Critério / Fonte [cite: 193] Homens (baixa força) [cite: 193] Mulheres (baixa força) [cite: 193]
EWGSOP2 (Consenso Europeu 2019) < 27 kg < 16 kg
Bielemann et al., 2016 (Brasil) < 30 kg < 16 kg

Protocolo correto da dinamometria: maior, não menor [cite: 194]

O protocolo padrão recomenda 2 a 3 mensurações por mão e utiliza o MAIOR valor obtido como resultado final[cite: 195]. Questões de prova frequentemente invertem isso, afirmando que 'deve-se considerar o menor valor', isso está errado[cite: 196]. O maior valor representa a capacidade máxima do paciente[cite: 197].

TEN Compilação - QUESTÃO Livro editado / Antropometria [cite: 198]

Assinale a alternativa correta com relação à avaliação antropométrica[cite: 201].

(A) Porcentagem de perda de peso maior que 5% em 3 meses significa perda ponderal grave[cite: 202].
(B) A circunferência do braço reflete a composição corporal total e a medida desta circunferência deve ser realizada no ponto médio do acrômio ao olécrano com o braço fletido[cite: 203].
(C) De acordo com o consenso europeu de sarcopenia, publicado em 2019, o ponto de corte para caracterizar baixa força, pela força de preensão manual, é menor do que 27 kg para homens e menor do que 16 kg para mulheres. ✓ GABARITO [cite: 204, 205]
(D) Circunferência da panturrilha fornece estimativa da massa muscular em idosos, devendo ser maior ou igual a 33 cm para homens e mulheres[cite: 206].

COMENTÁRIO: [cite: 207]
Gabarito C: Os pontos de corte do EWGSOP2 (2019) para baixa força por dinamometria são exatamente esses: < 27 kg para homens e < 16 kg para mulheres[cite: 208, 209].
Alternativa A - imprecisa: Perda de 5% em 3 meses é clinicamente significativa, mas o GLIM classifica como 'moderada' (não grave); a perda grave é > 10% em 6 meses ou > 20% em um ano pelo GLIM[cite: 209].
Alternativa B errada: A CB reflete principalmente a composição local (braço), não total[cite: 210]. E a medida deve ser realizada com o braço relaxado ao longo do corpo, não fletido[cite: 211].
Alternativa D errada: Os pontos de corte da CP são diferenciados por sexo: ≤ 34 cm para homens e ≤ 33 cm para mulheres (Barbosa-Silva et al., 2016)[cite: 212]. A alternativa usa um valor único de 33 cm para ambos os sexos, errado[cite: 213, 214].

3.3 Critérios diagnósticos de sarcopenia: EWGSOP2 em detalhes [cite: 215]

O Consenso Europeu de Sarcopenia em sua segunda versão (EWGSOP2, 2019) é o guideline primário que a banca utiliza para questões de diagnóstico de sarcopenia[cite: 216]. É essencial entender a hierarquia diagnóstica que ele propõe, porque ela mudou em relação à versão anterior[cite: 217].

Estágio [cite: 218] Critério [cite: 218] Instrumento preferencial [cite: 218]
Sarcopenia provável Baixa força muscular Dinamometria manual < 27 kg (H) / < 16 kg (M) pelo EWGSOP2
Sarcopenia confirmada Baixa força + baixa massa muscular DXA para confirmar massa: < 7,0 kg/m² (H) / < 5,5 kg/m² (M)
Sarcopenia grave Baixa força + baixa massa + baixa performance física Velocidade de marcha < 0,8 m/s em 4 metros

A triagem para sarcopenia deve usar o SARC-F (5 questões, score 0-10, resultado ≤ 4 indica alto risco) ou o SARC-CalF (que adiciona a circunferência da panturrilha, score 0-20, resultado ≥ 11 indica suspeita)[cite: 221]. O SARC-CalF tem maior sensibilidade que o SARC-F isolado[cite: 222].

3.3.1 Velocidade de marcha: critério de gravidade e preditor de sobrevida [cite: 223]

TEN 2024 - QUESTÃO Q64 [cite: 224, 225]

Estimativas de sobrevivência ajudam a individualizar objetivos pessoais bem como de tratamento para pacientes geriátricos[cite: 226]. Há parâmetros que visam avaliar essa condição com características individuais, gerando estimativas mais precisas, sendo que um estudo relacionou o resultado nessa avaliação, realizada aos 65 anos ou mais, com a chance de sobrevida, para ambos os gêneros sendo, portanto, um bom índice para a estimativa de sobrevivência[cite: 227]. Essa avaliação foi: [cite: 228]

(A) Obesidade. [cite: 229]
(B) Massa muscular. [cite: 230]
(C) Baixa adiposidade muscular (mioesteatose). [cite: 231]
(D) Velocidade da marcha. ✓ GABARITO [cite: 231, 233]

COMENTÁRIO: [cite: 232]
Gabarito D: A velocidade de marcha é o melhor preditor funcional de sobrevida em idosos[cite: 234]. Ela integra força muscular, função cardiovascular e coordenação neurológica em uma única medida simples[cite: 235]. O estudo mencionado no enunciado corresponde ao clássico estudo publicado no JAMA (Studenski et al., 2011), que demonstrou correlação direta entre velocidade de marcha preservada e maior expectativa de vida em idosos[cite: 236].

O ponto de corte para baixa performance é velocidade < 0,8 m/s (incapacidade de completar 4 metros em menos de 5 segundos)[cite: 237]. No EWGSOP2, a velocidade de marcha define o critério de GRAVIDADE da sarcopenia, não mais o diagnóstico inicial[cite: 238].

Alternativa B (massa muscular): A massa muscular é importante, mas a FUNÇÃO muscular avaliada pela força ou pela velocidade de marcha prediz sobrevida com maior precisão do que a quantidade de músculo em si[cite: 239].

Alternativa C (mioesteatose): A mioesteatose é marcador de qualidade muscular e sarcopenia, mas não é usada diretamente para estimar sobrevida, exige métodos de imagem de alta complexidade[cite: 240].

3.4 Diagnóstico de desnutrição: critérios GLIM (2019) [cite: 241]

O Consenso GLIM (Global Leadership Initiative on Malnutrition, 2019) é o framework diagnóstico de desnutrição mais atual e é adotado pela ESPEN[cite: 242]. Representa a confluência de diretrizes anteriores (ASPEN, AND, ESPEN, PENSA, FELANPE) em um systema diagnóstico unificado[cite: 243]. A banca usou explicitamente os critérios GLIM na questão 62 do TEN 2025; isso indica que o GLIM está consolidado como referência para as próximas provas[cite: 244].

Tipo de critério [cite: 246] Parâmetro [cite: 246] Definição quantitativa [cite: 246]
FENOTÍPICO Perda de peso involuntária > 5% em 6 meses (moderada) | > 10% em 6 meses ou > 20% em 1 ano (grave)
FENOTÍPICO Baixo IMC < 20 kg/m² se < 70 anos | < 22 kg/m² se ≥ 70 anos
FENOTÍPICO Redução de massa muscular Confirmada por DXA, BIA, CP ou avaliação clínica
ETIOLÓGICO Redução de ingestão / absorção ≤ 50% das necessidades por > 1 semana; qualquer redução por > 2 semanas
ETIOLÓGICO Inflamação / doença Doença aguda/injúria grave | Doença crônica com inflamação

Regra de ouro do GLIM para a prova [cite: 248]

Diagnóstico: 1 critério FENOTÍPICO + 1 critério ETIOLÓGICO [cite: 249]
Graduação de gravidade: exclusivamente pelo critério FENOTÍPICO [cite: 250]

Moderada = perda de peso 5-10% em 6m OU IMC 18,5-20 kg/m² (< 70 anos) | Grave = perda > 10% em 6m OU IMC < 18,5 kg/m² (< 70 anos) [cite: 251]

TEN 2025 - QUESTÃO Q62 [cite: 252]

Homem de 68 anos, internado para cirurgia de adenocarcinoma colorretal (estádio II), relata perda de 6 kg in 3 meses (8% do peso corporal), com redução de 50% na ingestão alimentar por hiporexia, dor abdominal e náuseas[cite: 253]. Refere piora funcional (cansaço aos 100 m)[cite: 254]. Ao exame: IMC de 19 kg/m², redução moderada de massa muscular e gordura subcutânea, e edema leve em membros inferiores[cite: 254]. Laboratório: albumina 2,8 g/dL, pré-albumina 12 mg/dL, PCR 12 mg/dL[cite: 255]. Com base nos critérios GLIM (2019), qual o diagnóstico e a classificação de gravidade nutricional mais adequada? [cite: 255]

(A) Eutrofia, com IMC dentro da faixa esperada para a idade e pouca alteração funcional[cite: 256].
(B) Desnutrição moderada, com perda de peso > 5%, IMC < 20 e inflamação presente. ✓ GABARITO [cite: 257, 258]
(C) Desnutrição grave, devido à presença de edema que interfere nos parâmetros clínicos[cite: 259].
(D) Risco nutricional, sem desnutrição, considerando hipoalbuminemia por inflamação[cite: 260].

COMENTÁRIO: [cite: 261]
Gabarito B: Aplicando o GLIM: critérios fenotípicos presentes - perda de 8% em 3 meses (> 5% em 6 meses), IMC 19 kg/m² (< 20 para < 70 anos), e redução de massa muscular[cite: 262, 263]. Critério etiológico presente: redução de 50% da ingestão e doença inflamatória ativa (câncer + PCR 12 mg/dL)[cite: 264]. O diagnóstico de desnutrição está confirmado (≥ 1 fenotípico + ≥ 1 etiológico)[cite: 265, 268]. A gravidade é MODERADA porque a perda de peso está entre 5-10% e o IMC está entre 18,5-20 kg/m², dentro da faixa de moderada, não grave[cite: 268].

Alternativa A - errada: IMC 19 kg/m² é baixo peso em idoso com menos de 70 anos (corte < 20 kg/m²)[cite: 269]. Não há como classificar como eutrofia[cite: 270].

Alternativa C - errada: Para desnutrição grave pelo GLIM, seriam necessários: perda > 10% em 6 meses OU IMC < 18,5 kg/m² (< 70 anos)[cite: 271]. O edema e a hipoalbuminemia indicam complicação inflamatória (critério etiológico), mas não alteram a régua fenotípica de gravidade[cite: 272].

Alternativa D errada: O paciente já tem critérios completos para desnutrição confirmada[cite: 273]. A hipoalbuminemia por inflamação não descarta o diagnóstico nutricional, apenas informa que a albumina não é confiável como marcador nutricional isolado em contexto inflamatório[cite: 274].

3.5 Albumina e proteínas viscerais na presença de inflamação [cite: 275]

Este é um dos conceitos mais importantes para a prova e um dos mais frequentemente mal compreendidos[cite: 276]. A albumina, a pré-albumina (transtirretina) e a transferrina são proteínas de fase aguda negativa: suas concentrações séricas caem durante processos inflamatórios agudos ou crônicos, independentemente do estado nutricional real do paciente[cite: 277]. A queda ocorre porque o fígado, sob estimulação das citocinas inflamatórias (principalmente IL-6), redireciona sua capacidade de síntese para produzir proteínas de fase aguda positiva (PCR, fibrinogênio, ferritina)[cite: 278].

Portanto, quando a PCR está elevada, a albumina baixa não reflete necessariamente depleção de estoques proteicos corporais - reflete primariamente a gravidade do processo inflamatório[cite: 279]. Usar a albumina como marcador nutricional isolado num paciente com PCR elevada leva a conclusões incorretas[cite: 280]. A albumina tem valor como marcador prognóstico (prediz mortalidade), mas não como marcador nutricional específico em contexto inflamatório[cite: 281].

TEN 2025 - QUESTÃO Q40 [cite: 282]

Homem, 72 anos, mora sozinho, come habitualmente de marmita[cite: 283]. Previamente com obesidade grau 1 e diabetes mellitus, uso regular de metformina[cite: 283]. Levado ao atendimento por sobrinho que relata que há 3 semanas o paciente se tornou apático e há 1 semana reduziu a ingestão alimentar com perda de peso estimada de 2 kg[cite: 284]. IMC de 29,3 kg/m², sonolento, fala desconexa, mucosas descoradas, desidratado (+/4), edema em dorso e membros inferiores (++4) FC: 110 bpm[cite: 285]. Diagnóstico confirmado de infecção do trato urinário (ITU)[cite: 286]. Avaliação laboratorial: proteínas totais = 5,1 g/dL; albumina = 2,6 g/dL; transferrina = 55 mg/dL, ferritina = 378 ng/mL; PCR = 18,0 mg/dL[cite: 286, 287]. Qual a avaliação nutrológica mais precisa pelos critérios ESPEN/GLIM? [cite: 287]

(A) Depleção proteica visceral, secundária à inflamação sistêmica. ✓ GABARITO [cite: 288]
(B) Obesidade grau 1, o que exclui subnutrição[cite: 291].
(C) Subnutrição proteica leve, secundária à redução da ingestão alimentar[cite: 292].
(D) Caquexia desencadeada pela infecção do trato urinário[cite: 293].

COMENTÁRIO: [cite: 294]
Gabarito A: A PCR de 18,0 mg/dL indica processo inflamatório agudo intenso[cite: 295]. A albumina (2,6 g/dL) e a transferrina (55 mg/dL) estão drasticamente reduzidas não porque os estoques proteicos estão depletados, mas porque são proteínas de fase aguda negativa que o fígado suprime durante a resposta inflamatória para priorizar a síntese de PCR e ferritina (fase aguda positiva, ambas elevadas no caso)[cite: 296]. Isso é depleção proteica visceral secundária à inflamação sistêmica aguda[cite: 297].

Alternativa B errada: IMC 29,3 kg/m² caracteriza sobrepeso/obesidade, mas não exclui desnutrição[cite: 298]. Pacientes obesos podem ter depleção proteica oculta sob o tecido adiposo, especialmente em contexto de doença aguda grave[cite: 299]. Além disso, o edema (anasarca) pode estar mascarando perda de massa magra[cite: 300].

Alternativa C errada: A gravidade da apresentação (albumina 2,6, transferrina 55, alteração do sensório, anasarca) não se caracteriza como 'leve'[cite: 301]. E o motor principal não é apenas redução de ingestão, é o estresse inflamatório agudo da ITU[cite: 302].

Alternativa D errada: Caquexia é síndrome consumptiva crônica associada a doenças estruturais de longa evolução (neoplasias avançadas, IC terminal)[cite: 303]. A ITU é um processo agudo; o quadro é desnutrição aguda associada à doença inflamatória, não caquexia[cite: 304].

3.6 Composição corporal e risco de demência [cite: 305]

TEN 2024 - QUESTÃO Q65 [cite: 306]

A prevalência de demência por todas as causas aumenta acentuadamente com a idade e espera-se que triplique nos próximos 50 anos[cite: 307]. As evidências sugerem que há fatores que aumentam o risco de demência, muitos dos quais são modificáveis, sendo que um deles é a composição corporal[cite: 308]. Indique a sequência de risco crescente para demência[cite: 309].

(A) Obesidade, normal, obesidade sarcopênica, sarcopenia[cite: 310].
(B) Normal, sarcopenia, obesidade, obesidade sarcopênica[cite: 311].
(C) Normal, obesidade, sarcopenia, obesidade sarcopênica. ✓ GABARITO [cite: 312]
(D) Normal, obesidade, obesidade sarcopênica, sarcopenia[cite: 313].

COMENTÁRIO: [cite: 314]
Gabarito C: Normal < Obesidade < Sarcopenia < Obesidade sarcopênica[cite: 315]. O raciocínio segue a sobreposição de mecanismos de dano cerebral[cite: 315]:
* Normal: menor risco (linha de base)[cite: 316].
* Obesidade: a obesidade aumenta o risco por inflamação crônica, resistência à insulina e estresse oxidativo que afetam o metabolismo cerebral[cite: 319].
* Sarcopenia: a sarcopenia adiciona o risco de inatividade física (redução de neurogênese hipocampal), de alterações metabólicas musculares e de redução do fluxo de mioquinas neuroprotetoras (como a irisina)[cite: 320].
* Obesidade sarcopênica: combina ambos os mecanismos, o maior risco cumulativo. É a pior composição corporal do ponto de vista cognitivo[cite: 321].

4. NECESSIDADES NUTRICIONAIS: METAS QUE A PROVA COBRA [cite: 324]

4.1 Energia [cite: 325]

A necessidade energética do idoso é de 30 a 35 kcal/kg/dia, devendo ser ajustada individualmente conforme estado nutricional, nível de atividade física e demanda metabólica da doença de base[cite: 326]. Em idosos com baixo peso (IMC < 22 kg/m²) ou durante períodos de intervenção com exercício físico, a necessidade se eleva para 32 a 38 kcal/kg/dia[cite: 327]. Para idosos obesos, a recomendação é de 30 kcal/kg/dia com redução moderada de 500 kcal/dia, mantendo aporte mínimo de 1.000 a 1.200 kcal/dia[cite: 328].

4.2 Proteínas: o macronutriente-chave da nutrologia geriátrica [cite: 329]

A recomendação clássica da RDA de 0,8 g/kg/dia foi estabelecida para evitar deficiência em adultos jovens saudáveis e é comprovadamente insuficiente para o idoso[cite: 330]. O motivo é a resistência anabólica: o músculo do idoso exige mais aminoácidos para produzir o mesmo efeito anabólico que o músculo do jovem[cite: 331].

Cenário clínico [cite: 332] Meta proteica (g/kg/dia) [cite: 332] Fonte [cite: 332]
Idoso saudável (> 65 anos) 1,0 a 1,2 ESPEN 2022; PROT-AGE
Idoso doente (agudo ou crônico) 1,2 a 1,5 ESPEN 2022; BRASPEN 2023
Doença grave / hipercatabolismo Até 2,0 ESPEN 2022
Idoso saudável - meta ideal (metanálise recente) 1,2 a 1,59 (alt. E da prova) Nunes et al., BMJ 2022
Idoso durante exercício físico 1,2 a 1,5 ESPEN 2022
Obeso idoso 1,2 a 1,5 (priorizar alto VB) ESPEN 2022; BRASPEN 2023

TEN 2024 - QUESTÃO Q96 [cite: 333]

Recente metanálise em indivíduos idosos saudáveis e não obesos mostrou que a ingestão ideal de proteína, para este grupo, se situa em g/kg/dia em: [cite: 334, 335]

(A) 0,8 - 1,1 [cite: 336]
(B) 0,8 - 1,2 [cite: 337]
(C) 0,9 - 1,29 [cite: 338]
(D) 1,0 - 1,4 [cite: 339]
(E) 1,2 - 1,59 ✓ GABARITO [cite: 340]

COMENTÁRIO: [cite: 341]
Gabarito E: A questão pede a faixa da 'metanálise recente' que é a de Nunes et al. (BMJ, 2022), que identificou 1,2 a 1,59 g/kg/dia como faixa ideal para maximizar síntese muscular e preservar massa magra em idosos saudáveis[cite: 344, 345]. As alternativas A e B partem da RDA (0,8 g/kg) - comprovadamente subótima para idosos[cite: 346]. As alternativas C e D representam consensos de anos anteriores (PROT-AGE, com 1,0-1,2 g/kg) corretos para idosos saudáveis, mas não os mais recentes[cite: 347]. A banca sinaliza 'metanálise recente' exatamente para distinguir a faixa mais atual e mais alta[cite: 348].

Distribuição proteica por refeição: o timing que ativa o anabolismo [cite: 349]

Distribuir 25 a 30 g de proteína de alta qualidade por refeição principal (café, almoço e jantar) é mais eficaz do que concentrar a ingestão proteica em uma única refeição[cite: 349]. Cada refeição deve atingir o limiar de leucina para ativar a via mTOR e disparar a síntese proteica muscular[cite: 350]. O whey protein, com maior teor de leucina, é a fonte preferencial para suplementação[cite: 351].

4.3 Fibras, micronutrientes e hidratação [cite: 352]

A recomendação de fibra dietética para idosos é de 25 g/dia, visando manter a função intestinal adequada[cite: 353]. A incidência de constipação intestinal em idosos de 60 anos ou mais atinge 21 a 34% nas mulheres e 9 a 26% nos homens, condição que agrava a qualidade de vida e pode interferir no apetite[cite: 354, 355].

As DRIs para micronutrientes no idoso diferem em alguns pontos dos adultos jovens[cite: 356]. As principais recomendações que a banca usa em contexto clínico[cite: 357]:

Micronutriente [cite: 358] Recomendação (DRI) [cite: 358] Observação clínica [cite: 358]
Cálcio 1.200 mg/dia Risco aumentado de osteoporose; absorção reduzida
Ferro 8 mg/dia Prevalência de anemia por deficiência de ferro
Magnésio 420 mg/dia (H) / 320 mg/dia (M) Espoliado por diuréticos de alça
Zinco 11 mg/dia (H) / 8 mg/dia (M) Espoliado por furosemida; disgeusia por hipozincemia
Vitamina D 20 microgramas/dia (DRI) Suplementação indicada a partir de 65 anos; meta NOF: 30-50 ng/mL
Vitamina B12 2,4 microgramas/dia Risco de déficit por gastrite atrófica, metformina
Vitamina C 90 mg/dia (H) / 75 mg/dia (M) Antioxidante; imunidade

Vitamina D no idoso: ponto de corte para a prova (NOF) [cite: 361]

A Bone Health and Osteoporosis Foundation (NOF) recomenda 25(OH)D entre 30 e 50 ng/mL como nível ótimo para saúde óssea no idoso[cite: 362]. Abaixo de 30 ng/mL: risco de déficit de absorção de cálcio[cite: 363]. Acima de 50 ng/mL: risco de hipervitaminose D com hipercalcemia[cite: 363]. A suplementação de vitamina D associada ou não ao cálcio está indicada para idosos com 65 anos ou mais[cite: 364].

TEN 2022 - QUESTÃO Q84 [cite: 365]

Qual a concentração plasmática de vitamina D que é considerada ótima para absorção de cálcio e portanto recomendada para idosos, e qual o limite superior da concentração desta vitamina, recomendado pela Bone Health and Osteoporosis Foundation (NOF) (em ng/mL), respectivamente? [cite: 366]

(A) 20 - 70[cite: 367].
(B) 30 - 70[cite: 368].
(C) 30 - 50. ✓ GABARITO [cite: 369, 370]
(D) 20 - 60[cite: 371].

COMENTÁRIO: [cite: 372]
Gabarito C: A NOF recomenda manter a 25(OH)D entre 30 e 50 ng/mL no idoso[cite: 373]. O limite inferior (30 ng/mL) garante absorção eficiente de cálcio; o limite superior (50 ng/mL) previne hipervitaminose D com risco de hipercalcemia, nefrolitíase e calcificações vasculares[cite: 374]. As alternativas com limite superior de 60 ou 70 ng/mL (B e D) extrapolam o range seguro recomendado pela NOF[cite: 376]. A alternativa A usa 20 ng/mL como nível ótimo - esse é o limiar para deficiência (risco de fratura e quedas), não o nível ótimo[cite: 377].

A hidratação no idoso merece atenção: mulheres idosas devem receber pelo menos 1,6 litros de líquidos ao dia, enquanto homens idosos devem receber pelo menos 2,0 litros, salvo condições que exijam restrição hídrica[cite: 378].

5. SUPORTE NUTRICIONAL ARTIFICIAL NO IDOSO [cite: 381]

5.1 Indicações e hierarquia de vias de acesso [cite: 382]

O suporte nutricional artificial no idoso segue a mesma hierarquia do adulto: preferência pelo trato gastrointestinal quando funcionante, com nutrição enteral antes da parenteral[cite: 383]. A decisão de iniciar TNE ou TNP obedece a critérios objetivos que a banca tem cobrado com frequência[cite: 384].

Hierarquia de decisão no suporte nutricional do idoso [cite: 385]

  • 1. Via oral com suplemento nutricional oral (SNO): primeira escolha quando o TGI funciona e a ingestão oral é possível[cite: 386].
  • 2. Nutrição enteral (TNE): quando a via oral está contraindicada OU quando a ingestão oral é < 60% das necessidades por mais de 3 dias consecutivos[cite: 387].
  • 3. Nutrição parenteral (TNP): quando via oral + enteral são impossíveis por > 3 dias OU insuficientes (< 50% das necessidades) por > 1 semana[cite: 388].

5.2 Suplemento nutricional oral (SNO) [cite: 389]

O SNO está indicado para idosos desnutridos ou em risco nutricional com ingestão oral insuficiente[cite: 390]. O protocolo padrão exige que o SNO seja mantido por um período mínimo de 35 dias para que os benefícios clínicos se materializem[cite: 391]. O SNO hiperproteico deve fornecer pelo menos 400 kcal, com até 30% das calorias provenientes de fontes proteicas[cite: 392].

Efeito do SNO hiperproteico em idosos institucionalizados: Estudos mostram que idosos institucionalizados que receberam SNO tiveram consumo calórico 50% maior do que aqueles que receberam apenas lanches intermediários (que aumentaram 30%)[cite: 393, 394]. O uso de SNO hiperproteico resultou em menor risco de complicações, menor número de reinternações hospitalares e maior força de preensão palmar[cite: 395].

5.3 Gastrostomia endoscópica percutânea (GEP) no idoso [cite: 396]

A GEP está indicada quando a TNE é necessária por mais de quatro semanas ou quando o idoso não tolera/não aceita a sonda nasoenteral[cite: 397]. A indicação da GEP deve sempre considerar a relação benefício-risco[cite: 398]. A GEP deve ser DESENCORAJADA em idosos com demência avançada porque nessa situação o prolongamento da vida artificial não é mais o objetivo, e a GEP frequentemente não melhora a sobrevida ou a qualidade de vida nesses pacientes[cite: 399].

5.4 Síndrome de realimentação: prevenção e identificação [cite: 400]

A síndrome de realimentação (SR) é uma das complicações mais graves do início de suporte nutricional em idosos desnutridos ou após jejum prolongado[cite: 401]. A fisiopatologia ainda não está completamente elucidada, mas o fenômeno central é o rápido influxo intracelular de fósforo, potássio e magnésio impulsionado pela hiperinsulinemia que acompanha o retorno de carboidratos à dieta, levando a depleção sérica desses íons com consequências neuromusculares, respiratórias e cardíacas graves[cite: 402, 405, 406, 407].

Fator de risco para SR [cite: 408] Raciocínio [cite: 408]
IMC reduzido Estoques corporais depletados - maior sensibilidade ao reequilíbrio eletrolítico
Perda de peso significativa e involuntária Idem ao anterior
Ausência de ingestão por vários dias

Baixas concentrações de P, K, Mg
Depleção prévia de fósforo intracelular

Janela terapêutica estreita
Histórico de abuso de drogas ou álcool Depleção de tiamina e minerais

Protocolo de prevenção da síndrome de realimentação (Friedli et al.) [cite: 409]

  • Iniciar com: < 50% do alvo calórico calculado, podendo ser tão baixo quanto 5 a 10 kcal/kg/dia[cite: 410].
  • Progressão: lenta e gradual nas primeiras 72 horas[cite: 411].
  • Monitorização laboratorial: fósforo, potássio e magnésio ANTES do início e diariamente nos primeiros 3 dias[cite: 412].
  • Diagnóstico laboratorial de SR: queda de fósforo > 30% do valor basal OU fósforo < 0,6 mmol/L após início de TNE/TNP[cite: 413].
  • Alerta clínico: ganho de peso > 0,3-0,5 kg/dia (1,5 kg/semana) pode indicar retenção hídrica por SR[cite: 414].

5.5 Imobilização, sedação e restrições físicas [cite: 415]

A imobilização é contraproducente aos objetivos do suporte nutricional no idoso[cite: 416]. O suporte nutricional visa preservar ou recuperar a massa muscular e a imobilidade acelera a perda de massa magra de forma acentuada, especialmente em idosos pré-frágeis e frágeis[cite: 417]. Portanto, a sedação farmacológica e as restrições físicas para manutenção de sonda de TNE são explicitamente contraindicadas nos guidelines ESPEN e BRASPEN[cite: 418].

Sedação e restrição física para manter TNE: contraindicado [cite: 419]

Pacientes idosos não devem receber sedação farmacológica ou restrições físicas para manutenção da administração de TNE[cite: 419]. Exceções são raras e de curto prazo (delirium hiperativo agudo)[cite: 420]. A imobilização causa perda acelerada de massa muscular e deterioração cognitiva que contradizem os objetivos do suporte nutricional[cite: 421, 422].

6. SARCOPENIA: DIAGNÓSTICO, TRIAGEM E TRATAMENTO [cite: 425]

6.1 Biomarcadores de regulação muscular: miostatina e folistatina [cite: 426]

TEN 2022 - QUESTÃO Q98 [cite: 427]

Consideradas como as principais reguladoras da massa muscular, sendo que a primeira diminui e a segunda aumenta com a atividade física resistida, essas substâncias também são propostas como possíveis marcadores da sarcopenia. São elas: [cite: 428, 429]

(A) Miostatina e Ativina A[cite: 430].
(B) Miostatina e Folistatina. ✓ GABARITO [cite: 431]
(C) Folistatina e Ativina A[cite: 432].
(D) Irisina e GDF-15 (Diferenciação do fator de crescimento 15)[cite: 433].

COMENTÁRIO: [cite: 434]
Gabarito B: A miostatina (GDF-8) é o freio do crescimento muscular: ela inibe a proliferação e diferenciação das células musculares[cite: 435]. Com o exercício resistido, os níveis de miostatina DIMINUEM, liberando o crescimento muscular[cite: 436, 437]. A folistatina é o antagonista da miostatina: ela inibe a ação da miostatina, permitindo crescimento muscular[cite: 438]. Com o exercício resistido, a folistatina AUMENTA, amplificando o efeito anabólico do exercício[cite: 439, 440].

Mnemônico: Miostatina = MENOS músculo (M de Menos). Folistatina = FOLHA que protege o músculo do inibidor[cite: 441]. Exercício: M cai, F sobe[cite: 442].

6.2 Exercício físico para sarcopenia: prescrição baseada em evidências [cite: 443]

TEN 2022 - QUESTÃO Q48 [cite: 444]

As recomendações internacionais para atividade física em idosos recomendam que a atividade aeróbica, em relação ao VO2max, e o exercício de resistência, em relação a uma repetição máxima sejam, respectivamente: [cite: 445]

(A) 60-75% e 70-80%. ✓ GABARITO [cite: 446, 451]
(B) 80-90% e 80-85%[cite: 447].
(C) 50-60% e 60-70%[cite: 448].
(D) 30-50% e 50-60%[cite: 449].

COMENTÁRIO: [cite: 450]
Gabarito A: As recomendações internacionais para idosos estabelecem: atividade aeróbica em intensidade de 60-75% do VO2max; exercício resistido em intensidade de 70-80% de 1RM[cite: 452, 453]. Esses percentuais representam esforço vigoroso, mas dentro da faixa segura e eficaz para a maioria dos idosos saudáveis[cite: 456]. As alternativas B (80-90% e 80-85%) exigem intensidades que poucos idosos toleram[cite: 457]. As alternativas C e D propõem intensidades muito baixas para gerar os ganhos de força e capacidade aeróbica necessários para combater a sarcopenia[cite: 458].

Tipo de exercício [cite: 459] Frequência [cite: 459] Intensidade [cite: 459] Volume [cite: 459]
Resistido 2-3x/semana Iniciar 20-30% de 1RM; progredir até 80% de 1RM 1-3 séries, 8-12 repetições, 8-10 exercícios
Aeróbico 3-5x/semana Moderada a alta: 12-14 na escala de Borg; 60-75% VO2max 10-30 minutos por sessão
Equilíbrio Integrar em todas as sessões Progressiva conforme capacidade Tandem, unipodal, transferências de peso

6.3 Suplementação para sarcopenia [cite: 460]

A suplementação nutricional para o idoso sarcopênico é um tema com crescente evidência e que a banca tem incluído em questões contextuais[cite: 461, 462].

Suplemento [cite: 463] Dose e mecanismo [cite: 463] Evidência [cite: 463]
Whey protein 20-25 g por dose; alta leucina (2,5 g/dose) Melhor fonte proteica para SPM pós-prandial no idoso
Leucina 2,5 - 3 g/refeição Ativa via mTOR; sozinha não aumenta massa - precisa associar a proteína total adequada
HMB (beta-hidroxi-metilbutirato) 3 g/dia; metabólito ativo da leucina Reduz catabolismo proteico; ganho de massa magra associado a exercício e dieta hiperproteica
Beta-alanina 3,2 - 6,4 g/dia Aumenta carnosina muscular → melhora tolerância ao exercício em idosos 60-80 anos
Creatina monoidratada 3-5 g/dia (manutenção) Maior ganho de força em membros inferiores; eficácia comprovada com treinamento resistido
Vitamina D [cite: 465] Conforme déficit; meta 30-50 ng/mL Suplementação indicada em idosos com 65+ anos; impacto em função muscular e óssea

Creatina e idoso: membros inferiores são a prioridade [cite: 467]

A creatina promove maior ganho de força nos membros inferiores, exatamente o grupo muscular mais afetado pelo envelhecimento[cite: 468]. Metanálises (Chilibeck et al.; Devries e Phillips) mostram aumento significativo de massa magra e força em idosos com creatina + treinamento resistido por 7-52 semanas, comparado ao placebo[cite: 469]. O efeito é superior quando combinado ao exercício[cite: 470].

6.4 Fragilidade e bariátrica no idoso [cite: 471]

TEN 2025 - QUESTÃO Q79 [cite: 472]

Analise as afirmativas sobre a Cirurgia Bariátrica e Metabólica (CMB) em pacientes pediátricos, adolescentes e idosos. Assinale a alternativa correta[cite: 473].

(A) Em septuagenários submetidos à CMB, a idade cronológica é o principal preditor de complicações nos primeiros 30 dias de pós-operatório[cite: 474].
(B) A avaliação do estágio puberal ou da idade óssea é obrigatória em adolescentes, sendo critério indispensável para indicação cirúrgica[cite: 475].
(C) A fragilidade funcional em idosos está associada de forma independente ao aumento de complicações pós-operatórias após CMB. ✓ GABARITO[cite: 476, 477].
(D) Índice de massa corporal (IMC) acima de 60 kg/m² em idosos contraindica CMB como primeira escolha, devido à elevada mortalidade[cite: 478].

COMENTÁRIO: [cite: 479]
Gabarito C: A fragilidade funcional, não a idade cronológica, é o principal preditor de morbimortalidade pós-operatória em idosos submetidos à CMB[cite: 480]. A fragilidade expressa a perda de reservas homeostáticas e a vulnerabilidade ao estresse cirúrgico[cite: 481]. Idosos frágeis têm maior risco de infecção de sítio operatório, fístulas, tempo de ventilação mecânica prolongado e reinternações de forma independente da idade[cite: 482].

Alternativa A - errada: A idade cronológica isolada é um preditor fraco de mortalidade cirúrgica de curto prazo[cite: 483]. O que determina o desfecho é a carga de comorbidades e o escore de fragilidade, não o número de anos do paciente[cite: 484].

Alternativa B errada: O consenso ASMBS/IFSO 2022 modificou a posição clássica: a consolidação da idade óssea ou o estágio puberal não são mais barreiras obrigatórias absolutas para CMB em adolescentes com obesidade mórbida e danos orgânicos graves documentados[cite: 485].

Alternativa D errada: Super-superobesidade (IMC > 60 kg/m²) amplia o desafio técnico e anestésico, mas não é contraindicação absoluta à CMB[cite: 486]. Em casos selecionados com grave declínio de mobilidade e comorbidades refratárias, a cirurgia pode ser a única intervenção viável[cite: 489].

7. POPULAÇÕES ESPECIAIS: IDOSO COM COMORBIDADES [cite: 492]

7.1 Idoso diabético [cite: 493]

A dieta do idoso diabético segue os princípios gerais do diabético adulto, com adaptações[cite: 494]. A distribuição de macronutrientes: carboidratos 55% do VET (com 10-15% de CHO simples), lipídeos 30% (igualmente distribuídos entre saturados, monoinsaturados e poli-insaturados), proteínas 15% (1,0 a 1,2 g/kg/peso), colesterol 300 mg/dia, fibras 14 g/1.000 kcal/dia[cite: 495].

A hipoglicemia é um risco especial no idoso diabético: é mais frequente e mais grave do que no adulto jovem, podendo resultar em quedas com fraturas e traumatismo cranioencefálico[cite: 496]. A meta glicêmica para idosos com comorbidades e comprometimento de qualidade de vida deve ser flexibilizada: glicemia randômica < 180 mg/dL e HbA1c < 7%[cite: 497].

7.2 Idoso com doença renal crônica (DRC) [cite: 498]

Fase da DRC [cite: 499] TFG [cite: 499] Recomendação proteica [cite: 499]
DRC grave (não dialítica) < 30 mL/min/1,73m² 0,6 a 0,8 g/kg de peso corporal ideal
DRC moderada (não dialítica) 30-60 mL/min/1,73m² Até 0,8 g/kg; monitorar TFG 2x/ano
DRC leve (não dialítica) > 60 mL/min/1,73m² 1,0 a 1,2 g/kg (necessidade padrão do idoso)
DRC em diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) Qualquer 1,2 a 1,5 g/kg/dia
Disfunção renal aguda / necessidade de TRS Qualquer 1,2 a 1,5 g/kg; pode chegar a 2,0 g/kg com TRS

7.3 Paciente oncológico idoso [cite: 500]

No idoso oncológico, a necessidade energética deve ser determinada por calorimetria indireta quando disponível; na ausência do método, recomenda-se 25-30 kcal/kg/dia para pacientes sem desnutrição e 32-38 kcal/kg/dia para desnutridos[cite: 501, 502]. A oferta proteica deve ser sempre acima de 1,0 g/kg/dia, aumentando para 1,2 a 1,5 g/kg/dia na presença de desnutrição[cite: 503].

7.4 Idoso com demência: monitoramento e manejo nutricional [cite: 504]

TEN 2024 - QUESTÃO Q35 [cite: 505]

Do ponto de vista nutrológico na demência, marque a alternativa correta: [cite: 506]

(A) A perda de peso não está presente nos estágios iniciais. Torna-se aparente somente em estágios mais avançados da doença[cite: 509].
(B) O mecanismo de perda de peso na demência decorre unicamente da atrofia cerebral em determinadas regiões envolvidas na regulação do apetite e do comportamento alimentar[cite: 510].
(C) A triagem para desnutrição deve ser realizada em todos os serviços de saúde apenas no momento em que o paciente é diagnosticado com demência[cite: 511].
(D) A perda de peso ocorre em quase metade dos pacientes com formas leves a moderadas de Alzheimer, não sendo indicada monitoração regularmente para evitar estresse ao paciente[cite: 512].
(E) A prevenção de perda de peso é crucial para manutenção da saúde em pacientes com demência. Pesagens frequentes podem detectar alterações em estágio inicial e permitir intervenções nutricionais precocemente. ✓ GABARITO [cite: 513, 514]

COMENTÁRIO: [cite: 515]
Gabarito E: O monitoramento regular do peso deve fazer parte do manejo nutrológico do paciente com demência[cite: 516]. A perda de peso ocorre em quase 50% dos casos com Alzheimer leve a moderado, não apenas em estágios avançados[cite: 517]. Pesagens frequentes permitem detecção precoce e intervenção nutricional oportuna[cite: 518].

Alternativa A errada: A perda de peso pode ocorrer desde os estágios iniciais da demência, não apenas nos avançados[cite: 519].

Alternativa B errada: O mecanismo é multifatorial: atrofia de regiões regulatórias do apetite, alterações comportamentais, dificuldades de deglutição, alterações metabólicas, dependência de cuidadores para alimentação. Não é unicamente neurológico[cite: 520, 521].

Alternativa C errada: A triagem não deve ser feita apenas no diagnóstico, deve ser contínua, pois o estado nutricional muda ao longo da progressão da doença[cite: 523].

Alternativa D errada: O argumento do 'estresse ao paciente' não justifica omitir o monitoramento. O peso deve ser acompanhado regularmente; os benefícios superam qualquer impacto de desconforto com a pesagem[cite: 524, 525].

7.5 Cuidados paliativos e terminalidade [cite: 526]

Idosos em fase terminal de vida não têm indicação rotineira de terapia nutricional enteral ou parenteral apenas pela baixa ingestão calórica[cite: 527]. A TNE e TNP são procedimentos de prolongamento da vida e quando esse prolongamento não é mais o objetivo terapêutico, o foco passa a ser qualidade de vida e conforto[cite: 528]. Nesse contexto, a alimentação oral adaptada (comfort food) é a estratégia preferida[cite: 529].

GEP em demência avançada: desencorajada [cite: 530]

A gastrostomia endoscópica percutânea deve ser DESENCORAJADA em idosos com demência avançada[cite: 531]. Estudos não demonstram benefício de sobrevida ou de qualidade de vida com TNE nesses pacientes e o procedimento frequentemente aumenta desconforto, agitação e complicações infecciosas[cite: 532].

8. PONTOS DE PROVA - CONSOLIDAÇÃO FINAL [cite: 536, 538]

8.1 Os conceitos mais cobrados no TEN [cite: 539]

Conceito [cite: 540] O que a prova cobra [cite: 540] Questão(ões) de referência [cite: 540]
IMC no idoso Ponto de corte para baixo peso: ≤ 22 kg/m² (SISVAN) - não usar < 18,5 kg/m² TEN 2024 Q97
Circunferência da panturrilha H: ≤ 34 cm | M: ≤ 33 cm indica redução de massa muscular; aplicável em acamados TEN 2024 Q97; Compilação
Dinamometria protocolo Maior valor entre 2-3 medidas; < 27 kg (H) e < 16 kg (M) pelo EWGSOP2 TEN 2024 Q97; Compilação
EWGSOP2 hierarquia diagnóstica Provável (força) → Confirmada (+massa) → Grave (+performance) TEN 2024 Q64
GLIM: diagnóstico e graduação Diagnóstico: 1 fenotípico + 1 etiológico. Gravidade: só pelo fenotípico TEN 2025 Q62; TEN 2025 Q40
Albumina em inflamação Proteína de fase aguda negativa - não medir como marcador nutricional isolado quando PCR elevada TEN 2025 Q40
Meta proteica no idoso saudável 1,0 - 1,2 g/kg (ESPEN); 1,2 - 1,59 g/kg (metanálise mais recente - Nunes 2022) TEN 2024 Q96
Velocidade de marcha < 0,8 m/s em 4 m = baixa performance; critério de gravidade da sarcopenia; preditor de sobrevida TEN 2024 Q64
Vitamina D meta NOF 30-50 ng/mL indicação em ≥ 65 anos TEN 2022 Q84
Miostatina e folistatina Miostatina: diminui com exercício; Folistatina: aumenta com exercício TEN 2022 Q98
Fragilidade na CMB Fragilidade funcional: preditor independente de complicações pós-operatórias - não a idade cronológica TEN 2025 Q79
Caquexia cardíaca BRA/IECA → disgeusia; furosemida espoliação de zinco disgeusia; caquexia: hiperinflamatória TEN 2025 Q21
SR - síndrome de realimentação Iniciar < 50% do alvo; monitorar P, K, Mg; ocorre nas primeiras 72h Conteúdo ESPEN/BRASPEN
GEP indicação [cite: 544] > 4 semanas de TNE ou intolerância à SNE; desencorajada em demência avançada Conteúdo ESPEN

8.2 Armadilhas clássicas da banca neste tema [cite: 545]

  • Aplicar o IMC de adultos jovens (< 18,5) no idoso: use ≤ 22 kg/m² pelo SISVAN/SBGG[cite: 546].
  • Usar o menor valor da dinamometria: use sempre o MAIOR valor entre as medidas[cite: 547].
  • Afirmar que CP não se aplica em acamados: é justamente o contrário, CP é ideal para acamados[cite: 548].
  • Concluir que albumina baixa = desnutrição grave: verifique sempre se há inflamação (PCR) antes de interpretar a albumina[cite: 549].
  • Classificar perda de 8% em 3 meses como 'grave': pelo GLIM é moderada (grave requer > 10% em 6 meses ou IMC < 18,5)[cite: 550].
  • Afirmar que IMC alto exclui desnutrição: obesidade sarcopênica e depleção proteica aguda existem em IMC alto[cite: 551].
  • Confundir caquexia com desnutrição aguda: caquexia é crônica, associada a doença grave de longa data; ITU aguda não gera caquexia[cite: 552].
  • Afirmar que corticosteroide trata caquexia cardíaca: agrava a sarcopenia (miopatia esteroidal) e retém sódio/água[cite: 553].
  • Afirmar que 'causalidade' no eixo intestino-músculo está provada: coexistência sim; causalidade bidirecional comprovada não ainda[cite: 554, 555].
  • Interpretar a folistatina como inibidora do músculo: folistatina é quem inibe a miostatina, ela é pró-anabólica[cite: 556].

8.3 Mnemônicos e regras de memorização [cite: 557]

IMC do IDOSO → sempre 22: [cite: 558]
Adulto jovem: baixo peso < 18,5 | Idoso (SISVAN): baixo peso ≤ 22 | Idoso (OPAS hospitalar): baixo peso ≤ 23[cite: 559].

CP da Panturrilha → 34-33: [cite: 560, 561]
Homens ≤ 34 cm | Mulheres ≤ 33 cm déficit de massa muscular | Sequência: Homem tem mais letra → 34[cite: 562, 563].

Dinamometria EWGSOP2 → 27 e 16: [cite: 564]
Homens < 27 kg | Mulheres < 16 kg | Bielemann (Brasil): H < 30 kg | M < 16 kg[cite: 565].

Sarcopenia EWGSOP2 → FMG: [cite: 566]
F = Força (provável) → M = Massa confirmada → G = Gravidade pela performance[cite: 569, 570].

GLIM → FE x ET = DIAGNÓSTICO; FENOTÍPICO = GRAVIDADE: [cite: 571]
1 FEnotípico + 1 ETiológico = diagnóstico | Gravidade = só pelo FEnotípico[cite: 572].

Vitamina D NOF → 30-50: [cite: 572]
Mínimo 30 ng/mL para absorção de cálcio | Máximo 50 ng/mL para prevenir toxicidade[cite: 573].

Proteína do IDOSO SAUDÁVEL → 1,0-1,2 (ESPEN) / 1,2-1,59 (metanálise recente): [cite: 574]
Doente agudo ou crônico: 1,2-1,5 | Doença grave: até 2,0 | DRC grave não dialítica: 0,6-0,8[cite: 575].

Miostatina e Folistatina → MF = Menos-Freio: [cite: 576]
Miostatina = MENOS músculo (freio do crescimento) | Folistatina = tira o FREIO (inibe a miostatina) | Exercício: M cai, F sobe[cite: 577, 578].

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