MÓDULO: TERAPIA NUTRICIONAL NO IDOSO [cite: 5, 6]
Sarcopenia | Desnutrição | Avaliação Geriátrica | Critérios GLIM e EWGSOP2 | Terapia Enteral e Parenteral | Populações Especiais [cite: 7]
Questões integradas: TEN 2022, 2024, 2025 [cite: 8]
O idoso é o paciente central da nutrologia clínica moderna[cite: 12]. Em nenhuma outra faixa etária a nutrição interfere de forma tão determinante sobre desfechos funcionais, cognitivos e de sobrevida[cite: 13]. A prova de título da ABN/ABRAN reconhece isso: nas edições de 2022, 2024 e 2025, questões sobre avaliação nutricional geriátrica, sarcopenia, diagnóstico de desnutrição pelos critérios GLIM e EWGSOP2, farmaconutrição e suporte nutricional artificial compuseram um segmento substancial do exame[cite: 14].
O padrão de cobrança da banca nesse tema é específico e replicável[cite: 15]. A questão de sarcopenia quase sempre cobra pontos de corte exatos da dinamometria e da circunferência da panturrilha, frequentemente posicionando um distrator com o valor errado ou com o procedimento invertido como usar o menor valor em vez do maior na dinamometria[cite: 16]. A questão de desnutrição cobra os critérios GLIM, exigindo que o candidato saiba que o diagnóstico precisa de pelo menos um critério fenotípico e um etiológico, e que a graduação de gravidade é determinada exclusivamente pelo critério fenotípico[cite: 17]. A questão de suporte nutricional testa se o candidato entende a diferença entre indicação de TNE e TNP, as situações específicas de indicação de gastrostomia, e o risco de síndrome de realimentação[cite: 18].
A banca examinadora projeta questões que diferenciam o candidato que decorou de quem raciocinou[cite: 20]. No tema do idoso, a estratégia predileta é o caso clínico com múltiplos dados antropométricos e laboratoriais, onde o candidato precisa aplicar os critérios corretos para o grupo etário - e não os critérios de adultos jovens[cite: 21]. O IMC de 20 kg/m² que seria normal num adulto de 35 anos é baixo peso num idoso de 69 anos[cite: 22]. A albumina de 2,6 g/dL que parece evidência de desnutrição grave pode ser principalmente um marcador inflamatório de fase ajuda[cite: 23]. A panturrilha de 28 cm que o candidato tende a ignorar é, na verdade, evidência objetiva de redução de massa muscular[cite: 24].
A habilidade treinada neste módulo é precisamente essa: ler um caso clínico geriátrico, identificar quais parâmetros são relevantes, aplicar o critério correto para a faixa etária, e distinguir entre o que a banca colocou como verdadeiro e o que foi construído para parecer verdadeiro mas contém um detalhe errado[cite: 25].
A prevalência de desnutrição no idoso varia dramaticamente conforme o cenário de cuidado e esses dados têm aparecido em questões de contexto[cite: 27, 28]. O candidato deve memorizar as três faixas[cite: 28]:
A amplitude dessas faixas reflete a heterogeneidade da população idosa e a banca explorou exatamente essa heterogeneidade ao introduzir casos com cenários distintos[cite: 31].
O envelhecimento populacional brasileiro é acelerado[cite: 32]. As coortes nascidas entre 1940 e 1970 que representam cerca de 25% da população atual envelheceram em condições de menor acesso a prevenção de doenças e com hábitos de vida consolidados de difícil modificação[cite: 32, 35]. Isso contribui para a alta prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, polimedicação e senilidade precoce - todos fatores que agravam o risco nutricional[cite: 35].
Domiciliados: 1-15% | Hospitalizados: 35-65% | Institucionalizados: 25-60% [cite: 36]
Questões de contexto ou de triagem nutricional frequentemente inserem o cenário de cuidado do idoso exatamente para exigir que o candidato referencie esses valores no raciocínio[cite: 37].
O envelhecimento produz duas trajetórias simultâneas de modificação corporal que se reforçam mutuamente: a redução progressiva da massa magra e o aumento relativo da gordura corporal[cite: 42]. Após os 60 anos, essas mudanças se tornam clinicamente expressivas; após os 70 anos, a velocidade do processo se acelera de forma significativa[cite: 43, 44]. O que a banca quer que o candidato entenda é que essas trajetórias têm consequências metabólicas específicas, e não são apenas cosméticas[cite: 45].
A redução da massa magra compromete diretamente o gasto energético de repouso (GER), que está geralmente diminuído no idoso porque massa muscular é o principal determinante do GER[cite: 46]. Isso cria um paradoxo clínico: o idoso precisa de menos calorias absolutas, mas precisa de mais proteína por quilo de peso para manter o que resta de músculo[cite: 47]. Esse paradoxo explica por que as necessidades proteicas do idoso são mais altas, em termos de g/kg/dia, do que as do adulto jovem[cite: 48].
A resistência anabólica é o conceito mais importante da fisiopatologia do músculo no envelhecimento - e é o que a banca testa ao perguntar por que idosos precisam de mais proteína[cite: 50]. O músculo do idoso é menos responsivo aos estímulos anabólicos[cite: 51]. Diante da mesma ingestão de proteína e do mesmo estímulo de exercício resistido que produziria hipertrofia em um adulto jovem, o músculo do idoso responde com síntese proteica muscular (SPM) substancialmente menor[cite: 52].
Os mecanismos subjacentes à resistência anabólica incluem: redução na sensibilidade do músculo à leucina e à insulina, diminuição do fluxo sanguíneo muscular pós-prandial (o que reduz a entrega de aminoácidos ao músculo), elevação crônica de citocinas inflamatórias que ativam vias catabólicas (ubiquitina-proteassoma e autofagia), e declínio nos hormônios anabólicos endógenos, especialmente testosterona em homens e IGF-1 em ambos os sexos[cite: 53, 54].
A implicação prática e a que a prova cobra é direta: para superar a resistência anabólica, o idoso precisa de uma quantidade maior de proteína por refeição (25 a 30 g para atingir o gatilho de leucina) e de uma distribuição ao longo do dia nas três refeições principais, e não concentrada em uma refeição[cite: 55]. Além disso, a combinação de proteína com exercício resistido é sinérgica e superior a qualquer uma das intervenções isoladas[cite: 56].
A leucina funciona como sensor metabólico que ativa a via mTOR e dispara a síntese proteica muscular[cite: 58]. No idoso, o limiar de ativação é mais alto: enquanto o jovem responde com ingestões menores, o idoso precisa de aproximadamente 2,5 a 3 g de leucina por refeição para ativar a SPM de forma eficaz[cite: 59]. Isso corresponde a cerca de 25 a 30 g de proteína de alta qualidade por refeição[cite: 60]. O whey protein tem a maior concentração de leucina entre as fontes proteicas disponíveis comercialmente, razão pela qual é a fonte preferencial na suplementação do idoso sarcopênico[cite: 61, 64].
A sarcopenia não é apenas uma questão de quantidade de músculo, é também de qualidade[cite: 66]. Durante o envelhecimento, as fibras musculares são progressivamente substituídas por tecido fibroso (miofibrose) e gordura intramuscular e intermuscular (mioesteatose)[cite: 67]. Essa infiltração gordurosa compromete as propriedades contráteis do músculo e explica por que a perda de força no idoso é proporcionalmente maior do que a perda de massa muscular[cite: 68].
A questão que a banca colocou em 2024 sobre composição corporal e risco de demência explorou exatamente esse conceito ao perguntar sobre a sequência de risco crescente[cite: 69]. A obesidade sarcopênica (combinação de excesso de gordura com depleção de massa muscular funcional) apresenta o maior risco porque somam os efeitos negativos metabólicos (resistência à insulina, inflamação crônica) com os efeitos negativos do comprometimento muscular (redução de atividade, perda funcional)[cite: 70].
Do ponto de vista quantitativo: a perda de massa muscular é de 3,7 a 4,7% por década em mulheres e homens respectivamente, tornando-se mais evidente a partir da quinta década[cite: 71]. Mas a perda de força é muito mais acentuada: aproximadamente 15% entre a sexta e sétima décadas, podendo exceder 30% por década após os 70 anos[cite: 72]. A assimetria entre perda de massa e perda de força é o que a qualidade muscular (mioesteatose) explica[cite: 73].
Estudos clínicos e laboratoriais evidenciam que: As mudanças da microbiota intestinal e comprometimento da musculatura relacionadas à idade ocorrem simultaneamente, SENDO QUE, as correlações causais entre ambas foram claramente investigadas e comprovadas[cite: 76].
(A) A primeira frase está correta e a segunda está errada. ✓ GABARITO [cite: 77]
(B) A primeira frase está errada e a segunda correta. [cite: 78]
(C) Ambas as frases estão independentemente corretas. [cite: 79]
(D) Ambas as frases estão corretas e a segunda complementa a primeira. [cite: 80]
(E) Ambas as frases estão erradas. [cite: 81]
COMENTÁRIO: [cite: 82]
Esta questão testa a habilidade de leitura precisa de afirmações compostas - uma armadilha clássica do TEN[cite: 84]. O candidato que lê rápido tende a confirmar que 'sim, idosos têm alterações musculares e de microbiota' e marcar (C) ou (D)[cite: 85]. Mas a questão está testando outra coisa[cite: 86].
Primeira afirmação: As mudanças da microbiota intestinal e o comprometimento muscular associados à idade ocorrem de forma simultânea[cite: 89]. Isso é verdadeiro: estudos demonstram que as alterações na microbiota (disbiose com redução de diversidade, redução de bactérias produtoras de butirato) e a perda progressiva de massa e função muscular coexistem no envelhecimento[cite: 90].
Segunda afirmação: As correlações causais entre ambas foram 'claramente investigadas e comprovadas'. Isso é falso[cite: 91]. As evidências existem (associações epidemiológicas, experimentos em modelos animais, e mecanismos plausíveis como produção de SCFAs, regulação da síntese proteica pela microbiota) mas a causalidade bidirecional em humanos não está definitivamente comprovada[cite: 92]. A ciência do eixo intestino-músculo está em construção, não consolidada[cite: 93].
Armadilha principal: a questão não pergunta se o fenômeno existe, pergunta se a causalidade está comprovada[cite: 94]. Sempre leia as afirmações compostas com atenção ao advérbio ou ao qualificador ('claramente', 'definitivamente', 'exclusivamente'), pois são frequentemente onde a banca introduz o erro[cite: 95].
O eixo intestino-músculo representa uma fronteira de investigação científica com enorme potencial terapêutico, mas ainda em fase de validação[cite: 96]. A microbiota intestinal do idoso tende à disbiose: redução de diversidade e de espécies produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs), como o butirato[cite: 97]. O butirato tem efeitos anti-inflamatórios, melhora a permeabilidade intestinal e pode influenciar o metabolismo proteico muscular[cite: 98]. Mas a cadeia causal bidirecional e os protocolos de intervenção microbiota-músculo ainda não têm evidência suficiente para orientar condutas com certeza[cite: 99].
A caquexia é uma síndrome consumptiva crônica definida por hipermetabolismo, proteólise musculoesquelética e resposta inflamatória persistente, associada a doenças sistêmicas graves como insuficiência cardíaca avançada, neoplasias e falências orgânicas terminais[cite: 101]. O erro mais comum e o que a banca explorou na questão 21 do TEN 2025 é tratar a caquexia como sinônimo de desnutrição ou como resultado exclusivo de baixa ingestão alimentar[cite: 102].
Na insuficiência cardíaca sistólica, a caquexia cardíaca resulta de uma cascata hiperinflamatória mediada por TNF-alfa, IL-1, IL-6 e outros mediadores que promovem catabolismo proteico independente da ingestão[cite: 103]. A enteropatia perdedora de proteínas secundária à congestão venosa portal crônica agrava o quadro pela perda intestinal de proteínas[cite: 104]. E os próprios medicamentos cardiológicos podem contribuir: os bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), como o losartana (BRA), têm disgeusia como efeito colateral documentado[cite: 105]. A furosemida, por sua vez, espolia zinco urinário, e a hipozincemia é causa de disgeusia e hipogeusia[cite: 106]. A perda de acuidade gustativa reduz o prazer alimentar e deprime o apetite[cite: 107].
Paciente masculino, 68 anos, com insuficiência cardíaca sistólica isquêmica, em uso de losartana, furosemida e espironolactona[cite: 112]. Refere perda de 10% do peso nos últimos 8 meses, fraqueza e redução da tolerância ao esforço[cite: 113]. Apresenta edema leve, diarreia frequente e gosto metálico nos alimentos[cite: 114]. Ao exame: IMC 19.5 kg/m² (com edema), língua despapilada, força de preensão palmar de 15 kg, massa muscular diminuída (diagnosticada por ultrassonografia), anemia discreta, aumento dos marcadores inflamatórios e albumina sérica de 3,1 g/dL[cite: 115]. Assinale a alternativa correta: [cite: 116]
(A) A perda de peso é atribuível exclusivamente à baixa ingestão alimentar; diarreia é efeito colateral comum da espironolactona[cite: 117].
(B) Os bloqueadores do sistema renina-angiotensina podem causar disgeusia e contribuir para redução da ingestão alimentar. ✓ GABARITO [cite: 118, 119]
(C) A terapia com diuréticos não interfere no metabolismo proteico ou no estado nutricional em pacientes com caquexia cardíaca[cite: 120, 121].
(D) Corticosteroides são a terapia de primeira linha para o tratamento da caquexia cardíaca devido ao seu efeito anti-inflamatório[cite: 122].
COMENTÁRIO: [cite: 123]
Gabarito B: Os bloqueadores do SRAA, especialmente os BRAs (losartana, valsartana) e os IECAs têm como efeito colateral bem documentado a disgeusia, manifestada clinicamente como gosto metálico ou alteração do paladar[cite: 124, 125, 126]. No caso apresentado, o gosto metálico nos alimentos e a língua despapilada (glossite, sugerindo deficiências de micronutrientes, especialmente zinco e vitaminas do complexo B) são a representação clínica dessa interferência farmacológica na ingestão alimentar[cite: 127].
Alternativa A errada: A perda de peso na IC avançada não é exclusiva de baixa ingestão[cite: 128]. A caquexia cardíaca é um estado hiperinflamatório com catabolismo proteico independente da ingestão (mediado por TNF-alfa, IL-1, IL-6)[cite: 129]. A diarreia, por sua vez, decorre da enteropatia perdedora de proteínas por congestão venosa portal, não da espironolactona[cite: 130].
Alternativa C errada: Diuréticos de alça (furosemida) causam espoliação urinária crônica de zinco, potássio e magnésio, todos com impacto no metabolismo proteico e na função muscular[cite: 131]. A hipozincemia é a principal causa etiológica de disgeusia induzida por diuréticos[cite: 132]. Além disso, a furosemida espolia tiamina (B1), podendo precipitar beribéri úmido em cardiopatas[cite: 133].
Alternativa D errada: Corticosteroides agravam a caquexia cardíaca apesar do efeito anti-inflamatório: causam retenção hidrossalina (piora a congestão), ativam a via ubiquitina-proteassoma no músculo (miopatia esteroidal), e têm efeito diabetogênico[cite: 134]. Não são terapia de primeira linha para caquexia cardíaca[cite: 135].
Todo idoso, independentemente de ser saudável ou enfermo, ambulatorial ou hospitalizado, deve passar por triagem nutricional[cite: 140]. Isso não é consenso informal: é recomendação formal dos guidelines ESPEN e BRASPEN[cite: 141]. A triagem é o primeiro passo de um processo hierárquico: triagem positiva leva à avaliação nutricional completa; avaliação positiva leva à intervenção nutricional estruturada[cite: 142, 143].
As janelas temporais de triagem têm valores específicos que a banca pode cobrar: para idosos hospitalizados, a triagem deve ocorrer nas primeiras 24 horas da internação e ser repetida semanalmente[cite: 144]. Para idosos institucionalizados, a triagem deve ser feita na admissão e repetida a cada 3 meses ou anualmente, conforme as condições clínicas[cite: 145].
| Cenário [cite: 146] | Instrumento recomendado [cite: 146] | Periodicidade [cite: 146] |
|---|---|---|
| Idoso hospitalizado | Mini Avaliação Nutricional (MAN completa ou MAN-r), NRS-2002 | Na admissão; repetir semanalmente |
| Idoso ambulatorial / atenção primária | MAN, DNH (Determine Your Nutritional Health) | Em toda consulta de risco; ao menos semestral |
| Idoso institucionalizado | MAN, MAN-r | Na admissão; repetir a cada 3 meses ou anualmente |
A antropometria geriátrica usa pontos de corte diferentes dos usados para adultos jovens[cite: 148]. Esse é um dos temas que mais gera questões com distratores sutis no TEN, porque o candidato aplica automaticamente os critérios de adultos e erra[cite: 149].
Em adultos jovens, o ponto de corte para baixo peso é IMC menor que 18,5 kg/m²[cite: 151]. No idoso, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e o protocolo SISVAN recomendam IMC menor ou igual a 22 kg/m² como definição de baixo peso - significativamente mais alto[cite: 152]. O motivo é duplo: (1) estudos epidemiológicos demonstram que, em idosos, um IMC ligeiramente mais alto está associado a menor mortalidade (paradoxo da obesidade)[cite: 153]; (2) as alterações de composição corporal no envelhecimento - menos músculo, mais gordura com o mesmo peso - tornam o IMC um marcador menos preciso, favorecendo a adoção de um ponto de corte mais conservador[cite: 154].
| Sistema / Fonte [cite: 155] | Baixo peso [cite: 155] | Peso adequado [cite: 155] | Sobrepeso / Obesidade [cite: 155] |
|---|---|---|---|
| SISVAN/SBGG [cite: 155] | ≤ 22 kg/m² [cite: 155] | > 22 e < 27 kg/m² [cite: 155] | ≤ 27 kg/m² [cite: 155] |
| OPAS (hospitalar) [cite: 158] | ≤ 23 kg/m² [cite: 158] | > 23 e < 28 kg/m² [cite: 158] | ≤ 28 kg/m² [cite: 158] |
| Adulto jovem (OMS) [cite: 158] | < 18,5 kg/m² [cite: 158] | 18,5 - 24,9 kg/m² [cite: 158] | ≤ 25 kg/m² [cite: 158] |
Homem de 69 anos, após episódio depressivo grave, evolui com hiporexia e perda ponderal não aferida no período[cite: 160]. Ao exame físico: IMC 20 kg/m², circunferência da panturrilha de 28 cm, circunferência da cintura 76 cm, força de preensão palmar 25 kgf, dobra cutânea tricipital 3mm[cite: 161]. A respeito do caso, é correto afirmar que: [cite: 162]
(A) O IMC classifica o paciente como baixo peso, pois idosos possuem um ponto de corte maior do que a população em geral para esta definição. ✓ GABARITO [cite: 163, 164]
(B) A medida da circunferência da cintura deve ser realizada no ponto mais alto da crista ilíaca e possui correlação com o risco cardiovascular[cite: 165].
(C) A circunferência da panturrilha é um método sensível para avaliação da massa muscular de idosos, porém não se recomenda sua aferição em pacientes acamados[cite: 166].
(D) A dinamometria é um teste funcional indicador de desnutrição. Para sua mensuração devem ser feitas três medidas e considerado o menor valor obtido[cite: 167, 168].
(E) A dobra cutânea tricipital faz parte da avaliação antropométrica do paciente, porém ao contrário dos parâmetros avaliados neste caso, não é compatível com diagnóstico de desnutrição[cite: 169].
COMENTÁRIO: [cite: 170]
Gabarito A: O paciente tiene 69 anos (idoso) e IMC de 20 kg/m²[cite: 171]. Pelo critério SISVAN/SBGG, o ponto de corte para baixo peso no idoso é ≤ 22 kg/m², significativamente mais alto que o ponto de corte de adultos jovens (< 18,5 kg/m²)[cite: 172]. Portanto, 20 kg/m² classifica este idoso como baixo peso, corroborando a suspeita de desnutrição[cite: 173].
Alternativa C errada (erro grave): A circunferência da panturrilha (CP) é recomendada justamente em pacientes acamados; é um dos poucos parâmetros antropométricos aplicáveis nessa situação[cite: 174]. A afirmativa nega exatamente o ponto forte da CP como ferramenta clínica[cite: 175].
Alternativa D errada (armadilha de protocolo): O protocolo padrão para dinamometria recomenda 2 ou 3 medidas em cada mão e considera o MAIOR valor obtido, não o menor[cite: 176]. Essa inversão é uma armadilha clássica[cite: 177].
Alternativa E errada: Dobra cutânea tricipital de 3mm representa depleção severíssima da reserva de gordura subcutânea, altamente compatível com desnutrição grave, não incompatível como afirma a alternativa[cite: 178].
A circunferência da panturrilha (CP) é o melhor marcador antropométrico de massa muscular disponível para o idoso e especialmente para idosos acamados, onde DXA e bioimpedância têm limitações práticas[cite: 182]. A CP tem melhor correlação com a massa magra apendicular estimada por DXA do que a circunferência do braço, mesmo em idosos acima de 60 anos[cite: 183].
| Sexo [cite: 184] | Ponto de corte (redução de massa muscular) [cite: 184] | Fonte [cite: 184] |
|---|---|---|
| Homens | ≤ 34 cm | Barbosa-Silva et al., 2016 - população brasileira |
| Mulheres | ≤ 33 cm | Barbosa-Silva et al., 2016 - população brasileira |
A questão 97 da prova 2024 tentou convencer o candidato de que a CP 'não se recomenda em pacientes acamados'[cite: 186]. Isso é falso, é justamente o contrário. A CP é recomendada em acamados porque é prática, portátil e confiável nessa situação[cite: 187]. Sempre que a banca afirmar que um método simples e validado 'não se aplica' a uma situação clínica específica sem boa justificativa, desconfie[cite: 188].
A força de preensão palmar (dinamometria manual) é o principal método de avaliação de força muscular recomendado pelo EWGSOP2 e pela BRASPEN[cite: 190]. No EWGSOP2, a força assume papel central: sarcopenia 'provável' é definida pela baixa força isoladamente, mesmo antes de confirmar a baixa massa muscular[cite: 191]. Isso representa uma mudança paradigmática em relação às definições anteriores, onde força e massa eram coequivalentes[cite: 192].
| Critério / Fonte [cite: 193] | Homens (baixa força) [cite: 193] | Mulheres (baixa força) [cite: 193] |
|---|---|---|
| EWGSOP2 (Consenso Europeu 2019) | < 27 kg | < 16 kg |
| Bielemann et al., 2016 (Brasil) | < 30 kg | < 16 kg |
O protocolo padrão recomenda 2 a 3 mensurações por mão e utiliza o MAIOR valor obtido como resultado final[cite: 195]. Questões de prova frequentemente invertem isso, afirmando que 'deve-se considerar o menor valor', isso está errado[cite: 196]. O maior valor representa a capacidade máxima do paciente[cite: 197].
Assinale a alternativa correta com relação à avaliação antropométrica[cite: 201].
(A) Porcentagem de perda de peso maior que 5% em 3 meses significa perda ponderal grave[cite: 202].
(B) A circunferência do braço reflete a composição corporal total e a medida desta circunferência deve ser realizada no ponto médio do acrômio ao olécrano com o braço fletido[cite: 203].
(C) De acordo com o consenso europeu de sarcopenia, publicado em 2019, o ponto de corte para caracterizar baixa força, pela força de preensão manual, é menor do que 27 kg para homens e menor do que 16 kg para mulheres. ✓ GABARITO [cite: 204, 205]
(D) Circunferência da panturrilha fornece estimativa da massa muscular em idosos, devendo ser maior ou igual a 33 cm para homens e mulheres[cite: 206].
COMENTÁRIO: [cite: 207]
Gabarito C: Os pontos de corte do EWGSOP2 (2019) para baixa força por dinamometria são exatamente esses: < 27 kg para homens e < 16 kg para mulheres[cite: 208, 209].
Alternativa A - imprecisa: Perda de 5% em 3 meses é clinicamente significativa, mas o GLIM classifica como 'moderada' (não grave); a perda grave é > 10% em 6 meses ou > 20% em um ano pelo GLIM[cite: 209].
Alternativa B errada: A CB reflete principalmente a composição local (braço), não total[cite: 210]. E a medida deve ser realizada com o braço relaxado ao longo do corpo, não fletido[cite: 211].
Alternativa D errada: Os pontos de corte da CP são diferenciados por sexo: ≤ 34 cm para homens e ≤ 33 cm para mulheres (Barbosa-Silva et al., 2016)[cite: 212]. A alternativa usa um valor único de 33 cm para ambos os sexos, errado[cite: 213, 214].
O Consenso Europeu de Sarcopenia em sua segunda versão (EWGSOP2, 2019) é o guideline primário que a banca utiliza para questões de diagnóstico de sarcopenia[cite: 216]. É essencial entender a hierarquia diagnóstica que ele propõe, porque ela mudou em relação à versão anterior[cite: 217].
| Estágio [cite: 218] | Critério [cite: 218] | Instrumento preferencial [cite: 218] |
|---|---|---|
| Sarcopenia provável | Baixa força muscular | Dinamometria manual < 27 kg (H) / < 16 kg (M) pelo EWGSOP2 |
| Sarcopenia confirmada | Baixa força + baixa massa muscular | DXA para confirmar massa: < 7,0 kg/m² (H) / < 5,5 kg/m² (M) |
| Sarcopenia grave | Baixa força + baixa massa + baixa performance física | Velocidade de marcha < 0,8 m/s em 4 metros |
A triagem para sarcopenia deve usar o SARC-F (5 questões, score 0-10, resultado ≤ 4 indica alto risco) ou o SARC-CalF (que adiciona a circunferência da panturrilha, score 0-20, resultado ≥ 11 indica suspeita)[cite: 221]. O SARC-CalF tem maior sensibilidade que o SARC-F isolado[cite: 222].
Estimativas de sobrevivência ajudam a individualizar objetivos pessoais bem como de tratamento para pacientes geriátricos[cite: 226]. Há parâmetros que visam avaliar essa condição com características individuais, gerando estimativas mais precisas, sendo que um estudo relacionou o resultado nessa avaliação, realizada aos 65 anos ou mais, com a chance de sobrevida, para ambos os gêneros sendo, portanto, um bom índice para a estimativa de sobrevivência[cite: 227]. Essa avaliação foi: [cite: 228]
(A) Obesidade. [cite: 229]
(B) Massa muscular. [cite: 230]
(C) Baixa adiposidade muscular (mioesteatose). [cite: 231]
(D) Velocidade da marcha. ✓ GABARITO [cite: 231, 233]
COMENTÁRIO: [cite: 232]
Gabarito D: A velocidade de marcha é o melhor preditor funcional de sobrevida em idosos[cite: 234]. Ela integra força muscular, função cardiovascular e coordenação neurológica em uma única medida simples[cite: 235]. O estudo mencionado no enunciado corresponde ao clássico estudo publicado no JAMA (Studenski et al., 2011), que demonstrou correlação direta entre velocidade de marcha preservada e maior expectativa de vida em idosos[cite: 236].
O ponto de corte para baixa performance é velocidade < 0,8 m/s (incapacidade de completar 4 metros em menos de 5 segundos)[cite: 237]. No EWGSOP2, a velocidade de marcha define o critério de GRAVIDADE da sarcopenia, não mais o diagnóstico inicial[cite: 238].
Alternativa B (massa muscular): A massa muscular é importante, mas a FUNÇÃO muscular avaliada pela força ou pela velocidade de marcha prediz sobrevida com maior precisão do que a quantidade de músculo em si[cite: 239].
Alternativa C (mioesteatose): A mioesteatose é marcador de qualidade muscular e sarcopenia, mas não é usada diretamente para estimar sobrevida, exige métodos de imagem de alta complexidade[cite: 240].
O Consenso GLIM (Global Leadership Initiative on Malnutrition, 2019) é o framework diagnóstico de desnutrição mais atual e é adotado pela ESPEN[cite: 242]. Representa a confluência de diretrizes anteriores (ASPEN, AND, ESPEN, PENSA, FELANPE) em um systema diagnóstico unificado[cite: 243]. A banca usou explicitamente os critérios GLIM na questão 62 do TEN 2025; isso indica que o GLIM está consolidado como referência para as próximas provas[cite: 244].
| Tipo de critério [cite: 246] | Parâmetro [cite: 246] | Definição quantitativa [cite: 246] |
|---|---|---|
| FENOTÍPICO | Perda de peso involuntária | > 5% em 6 meses (moderada) | > 10% em 6 meses ou > 20% em 1 ano (grave) |
| FENOTÍPICO | Baixo IMC | < 20 kg/m² se < 70 anos | < 22 kg/m² se ≥ 70 anos |
| FENOTÍPICO | Redução de massa muscular | Confirmada por DXA, BIA, CP ou avaliação clínica |
| ETIOLÓGICO | Redução de ingestão / absorção | ≤ 50% das necessidades por > 1 semana; qualquer redução por > 2 semanas |
| ETIOLÓGICO | Inflamação / doença | Doença aguda/injúria grave | Doença crônica com inflamação |
Diagnóstico: 1 critério FENOTÍPICO + 1 critério ETIOLÓGICO [cite: 249]
Graduação de gravidade: exclusivamente pelo critério FENOTÍPICO [cite: 250]
Moderada = perda de peso 5-10% em 6m OU IMC 18,5-20 kg/m² (< 70 anos) | Grave = perda > 10% em 6m OU IMC < 18,5 kg/m² (< 70 anos) [cite: 251]
Homem de 68 anos, internado para cirurgia de adenocarcinoma colorretal (estádio II), relata perda de 6 kg in 3 meses (8% do peso corporal), com redução de 50% na ingestão alimentar por hiporexia, dor abdominal e náuseas[cite: 253]. Refere piora funcional (cansaço aos 100 m)[cite: 254]. Ao exame: IMC de 19 kg/m², redução moderada de massa muscular e gordura subcutânea, e edema leve em membros inferiores[cite: 254]. Laboratório: albumina 2,8 g/dL, pré-albumina 12 mg/dL, PCR 12 mg/dL[cite: 255]. Com base nos critérios GLIM (2019), qual o diagnóstico e a classificação de gravidade nutricional mais adequada? [cite: 255]
(A) Eutrofia, com IMC dentro da faixa esperada para a idade e pouca alteração funcional[cite: 256].
(B) Desnutrição moderada, com perda de peso > 5%, IMC < 20 e inflamação presente. ✓ GABARITO [cite: 257, 258]
(C) Desnutrição grave, devido à presença de edema que interfere nos parâmetros clínicos[cite: 259].
(D) Risco nutricional, sem desnutrição, considerando hipoalbuminemia por inflamação[cite: 260].
COMENTÁRIO: [cite: 261]
Gabarito B: Aplicando o GLIM: critérios fenotípicos presentes - perda de 8% em 3 meses (> 5% em 6 meses), IMC 19 kg/m² (< 20 para < 70 anos), e redução de massa muscular[cite: 262, 263]. Critério etiológico presente: redução de 50% da ingestão e doença inflamatória ativa (câncer + PCR 12 mg/dL)[cite: 264]. O diagnóstico de desnutrição está confirmado (≥ 1 fenotípico + ≥ 1 etiológico)[cite: 265, 268]. A gravidade é MODERADA porque a perda de peso está entre 5-10% e o IMC está entre 18,5-20 kg/m², dentro da faixa de moderada, não grave[cite: 268].
Alternativa A - errada: IMC 19 kg/m² é baixo peso em idoso com menos de 70 anos (corte < 20 kg/m²)[cite: 269]. Não há como classificar como eutrofia[cite: 270].
Alternativa C - errada: Para desnutrição grave pelo GLIM, seriam necessários: perda > 10% em 6 meses OU IMC < 18,5 kg/m² (< 70 anos)[cite: 271]. O edema e a hipoalbuminemia indicam complicação inflamatória (critério etiológico), mas não alteram a régua fenotípica de gravidade[cite: 272].
Alternativa D errada: O paciente já tem critérios completos para desnutrição confirmada[cite: 273]. A hipoalbuminemia por inflamação não descarta o diagnóstico nutricional, apenas informa que a albumina não é confiável como marcador nutricional isolado em contexto inflamatório[cite: 274].
Este é um dos conceitos mais importantes para a prova e um dos mais frequentemente mal compreendidos[cite: 276]. A albumina, a pré-albumina (transtirretina) e a transferrina são proteínas de fase aguda negativa: suas concentrações séricas caem durante processos inflamatórios agudos ou crônicos, independentemente do estado nutricional real do paciente[cite: 277]. A queda ocorre porque o fígado, sob estimulação das citocinas inflamatórias (principalmente IL-6), redireciona sua capacidade de síntese para produzir proteínas de fase aguda positiva (PCR, fibrinogênio, ferritina)[cite: 278].
Portanto, quando a PCR está elevada, a albumina baixa não reflete necessariamente depleção de estoques proteicos corporais - reflete primariamente a gravidade do processo inflamatório[cite: 279]. Usar a albumina como marcador nutricional isolado num paciente com PCR elevada leva a conclusões incorretas[cite: 280]. A albumina tem valor como marcador prognóstico (prediz mortalidade), mas não como marcador nutricional específico em contexto inflamatório[cite: 281].
Homem, 72 anos, mora sozinho, come habitualmente de marmita[cite: 283]. Previamente com obesidade grau 1 e diabetes mellitus, uso regular de metformina[cite: 283]. Levado ao atendimento por sobrinho que relata que há 3 semanas o paciente se tornou apático e há 1 semana reduziu a ingestão alimentar com perda de peso estimada de 2 kg[cite: 284]. IMC de 29,3 kg/m², sonolento, fala desconexa, mucosas descoradas, desidratado (+/4), edema em dorso e membros inferiores (++4) FC: 110 bpm[cite: 285]. Diagnóstico confirmado de infecção do trato urinário (ITU)[cite: 286]. Avaliação laboratorial: proteínas totais = 5,1 g/dL; albumina = 2,6 g/dL; transferrina = 55 mg/dL, ferritina = 378 ng/mL; PCR = 18,0 mg/dL[cite: 286, 287]. Qual a avaliação nutrológica mais precisa pelos critérios ESPEN/GLIM? [cite: 287]
(A) Depleção proteica visceral, secundária à inflamação sistêmica. ✓ GABARITO [cite: 288]
(B) Obesidade grau 1, o que exclui subnutrição[cite: 291].
(C) Subnutrição proteica leve, secundária à redução da ingestão alimentar[cite: 292].
(D) Caquexia desencadeada pela infecção do trato urinário[cite: 293].
COMENTÁRIO: [cite: 294]
Gabarito A: A PCR de 18,0 mg/dL indica processo inflamatório agudo intenso[cite: 295]. A albumina (2,6 g/dL) e a transferrina (55 mg/dL) estão drasticamente reduzidas não porque os estoques proteicos estão depletados, mas porque são proteínas de fase aguda negativa que o fígado suprime durante a resposta inflamatória para priorizar a síntese de PCR e ferritina (fase aguda positiva, ambas elevadas no caso)[cite: 296]. Isso é depleção proteica visceral secundária à inflamação sistêmica aguda[cite: 297].
Alternativa B errada: IMC 29,3 kg/m² caracteriza sobrepeso/obesidade, mas não exclui desnutrição[cite: 298]. Pacientes obesos podem ter depleção proteica oculta sob o tecido adiposo, especialmente em contexto de doença aguda grave[cite: 299]. Além disso, o edema (anasarca) pode estar mascarando perda de massa magra[cite: 300].
Alternativa C errada: A gravidade da apresentação (albumina 2,6, transferrina 55, alteração do sensório, anasarca) não se caracteriza como 'leve'[cite: 301]. E o motor principal não é apenas redução de ingestão, é o estresse inflamatório agudo da ITU[cite: 302].
Alternativa D errada: Caquexia é síndrome consumptiva crônica associada a doenças estruturais de longa evolução (neoplasias avançadas, IC terminal)[cite: 303]. A ITU é um processo agudo; o quadro é desnutrição aguda associada à doença inflamatória, não caquexia[cite: 304].
A prevalência de demência por todas as causas aumenta acentuadamente com a idade e espera-se que triplique nos próximos 50 anos[cite: 307]. As evidências sugerem que há fatores que aumentam o risco de demência, muitos dos quais são modificáveis, sendo que um deles é a composição corporal[cite: 308]. Indique a sequência de risco crescente para demência[cite: 309].
(A) Obesidade, normal, obesidade sarcopênica, sarcopenia[cite: 310].
(B) Normal, sarcopenia, obesidade, obesidade sarcopênica[cite: 311].
(C) Normal, obesidade, sarcopenia, obesidade sarcopênica. ✓ GABARITO [cite: 312]
(D) Normal, obesidade, obesidade sarcopênica, sarcopenia[cite: 313].
COMENTÁRIO: [cite: 314]
Gabarito C: Normal < Obesidade < Sarcopenia < Obesidade sarcopênica[cite: 315]. O raciocínio segue a sobreposição de mecanismos de dano cerebral[cite: 315]:
* Normal: menor risco (linha de base)[cite: 316].
* Obesidade: a obesidade aumenta o risco por inflamação crônica, resistência à insulina e estresse oxidativo que afetam o metabolismo cerebral[cite: 319].
* Sarcopenia: a sarcopenia adiciona o risco de inatividade física (redução de neurogênese hipocampal), de alterações metabólicas musculares e de redução do fluxo de mioquinas neuroprotetoras (como a irisina)[cite: 320].
* Obesidade sarcopênica: combina ambos os mecanismos, o maior risco cumulativo. É a pior composição corporal do ponto de vista cognitivo[cite: 321].
A necessidade energética do idoso é de 30 a 35 kcal/kg/dia, devendo ser ajustada individualmente conforme estado nutricional, nível de atividade física e demanda metabólica da doença de base[cite: 326]. Em idosos com baixo peso (IMC < 22 kg/m²) ou durante períodos de intervenção com exercício físico, a necessidade se eleva para 32 a 38 kcal/kg/dia[cite: 327]. Para idosos obesos, a recomendação é de 30 kcal/kg/dia com redução moderada de 500 kcal/dia, mantendo aporte mínimo de 1.000 a 1.200 kcal/dia[cite: 328].
A recomendação clássica da RDA de 0,8 g/kg/dia foi estabelecida para evitar deficiência em adultos jovens saudáveis e é comprovadamente insuficiente para o idoso[cite: 330]. O motivo é a resistência anabólica: o músculo do idoso exige mais aminoácidos para produzir o mesmo efeito anabólico que o músculo do jovem[cite: 331].
| Cenário clínico [cite: 332] | Meta proteica (g/kg/dia) [cite: 332] | Fonte [cite: 332] |
|---|---|---|
| Idoso saudável (> 65 anos) | 1,0 a 1,2 | ESPEN 2022; PROT-AGE |
| Idoso doente (agudo ou crônico) | 1,2 a 1,5 | ESPEN 2022; BRASPEN 2023 |
| Doença grave / hipercatabolismo | Até 2,0 | ESPEN 2022 |
| Idoso saudável - meta ideal (metanálise recente) | 1,2 a 1,59 (alt. E da prova) | Nunes et al., BMJ 2022 |
| Idoso durante exercício físico | 1,2 a 1,5 | ESPEN 2022 |
| Obeso idoso | 1,2 a 1,5 (priorizar alto VB) | ESPEN 2022; BRASPEN 2023 |
Recente metanálise em indivíduos idosos saudáveis e não obesos mostrou que a ingestão ideal de proteína, para este grupo, se situa em g/kg/dia em: [cite: 334, 335]
(A) 0,8 - 1,1 [cite: 336]
(B) 0,8 - 1,2 [cite: 337]
(C) 0,9 - 1,29 [cite: 338]
(D) 1,0 - 1,4 [cite: 339]
(E) 1,2 - 1,59 ✓ GABARITO [cite: 340]
COMENTÁRIO: [cite: 341]
Gabarito E: A questão pede a faixa da 'metanálise recente' que é a de Nunes et al. (BMJ, 2022), que identificou 1,2 a 1,59 g/kg/dia como faixa ideal para maximizar síntese muscular e preservar massa magra em idosos saudáveis[cite: 344, 345]. As alternativas A e B partem da RDA (0,8 g/kg) - comprovadamente subótima para idosos[cite: 346]. As alternativas C e D representam consensos de anos anteriores (PROT-AGE, com 1,0-1,2 g/kg) corretos para idosos saudáveis, mas não os mais recentes[cite: 347]. A banca sinaliza 'metanálise recente' exatamente para distinguir a faixa mais atual e mais alta[cite: 348].
Distribuir 25 a 30 g de proteína de alta qualidade por refeição principal (café, almoço e jantar) é mais eficaz do que concentrar a ingestão proteica em uma única refeição[cite: 349]. Cada refeição deve atingir o limiar de leucina para ativar a via mTOR e disparar a síntese proteica muscular[cite: 350]. O whey protein, com maior teor de leucina, é a fonte preferencial para suplementação[cite: 351].
A recomendação de fibra dietética para idosos é de 25 g/dia, visando manter a função intestinal adequada[cite: 353]. A incidência de constipação intestinal em idosos de 60 anos ou mais atinge 21 a 34% nas mulheres e 9 a 26% nos homens, condição que agrava a qualidade de vida e pode interferir no apetite[cite: 354, 355].
As DRIs para micronutrientes no idoso diferem em alguns pontos dos adultos jovens[cite: 356]. As principais recomendações que a banca usa em contexto clínico[cite: 357]:
| Micronutriente [cite: 358] | Recomendação (DRI) [cite: 358] | Observação clínica [cite: 358] |
|---|---|---|
| Cálcio | 1.200 mg/dia | Risco aumentado de osteoporose; absorção reduzida |
| Ferro | 8 mg/dia | Prevalência de anemia por deficiência de ferro |
| Magnésio | 420 mg/dia (H) / 320 mg/dia (M) | Espoliado por diuréticos de alça |
| Zinco | 11 mg/dia (H) / 8 mg/dia (M) | Espoliado por furosemida; disgeusia por hipozincemia |
| Vitamina D | 20 microgramas/dia (DRI) | Suplementação indicada a partir de 65 anos; meta NOF: 30-50 ng/mL |
| Vitamina B12 | 2,4 microgramas/dia | Risco de déficit por gastrite atrófica, metformina |
| Vitamina C | 90 mg/dia (H) / 75 mg/dia (M) | Antioxidante; imunidade |
A Bone Health and Osteoporosis Foundation (NOF) recomenda 25(OH)D entre 30 e 50 ng/mL como nível ótimo para saúde óssea no idoso[cite: 362]. Abaixo de 30 ng/mL: risco de déficit de absorção de cálcio[cite: 363]. Acima de 50 ng/mL: risco de hipervitaminose D com hipercalcemia[cite: 363]. A suplementação de vitamina D associada ou não ao cálcio está indicada para idosos com 65 anos ou mais[cite: 364].
Qual a concentração plasmática de vitamina D que é considerada ótima para absorção de cálcio e portanto recomendada para idosos, e qual o limite superior da concentração desta vitamina, recomendado pela Bone Health and Osteoporosis Foundation (NOF) (em ng/mL), respectivamente? [cite: 366]
(A) 20 - 70[cite: 367].
(B) 30 - 70[cite: 368].
(C) 30 - 50. ✓ GABARITO [cite: 369, 370]
(D) 20 - 60[cite: 371].
COMENTÁRIO: [cite: 372]
Gabarito C: A NOF recomenda manter a 25(OH)D entre 30 e 50 ng/mL no idoso[cite: 373]. O limite inferior (30 ng/mL) garante absorção eficiente de cálcio; o limite superior (50 ng/mL) previne hipervitaminose D com risco de hipercalcemia, nefrolitíase e calcificações vasculares[cite: 374]. As alternativas com limite superior de 60 ou 70 ng/mL (B e D) extrapolam o range seguro recomendado pela NOF[cite: 376]. A alternativa A usa 20 ng/mL como nível ótimo - esse é o limiar para deficiência (risco de fratura e quedas), não o nível ótimo[cite: 377].
A hidratação no idoso merece atenção: mulheres idosas devem receber pelo menos 1,6 litros de líquidos ao dia, enquanto homens idosos devem receber pelo menos 2,0 litros, salvo condições que exijam restrição hídrica[cite: 378].
O suporte nutricional artificial no idoso segue a mesma hierarquia do adulto: preferência pelo trato gastrointestinal quando funcionante, com nutrição enteral antes da parenteral[cite: 383]. A decisão de iniciar TNE ou TNP obedece a critérios objetivos que a banca tem cobrado com frequência[cite: 384].
O SNO está indicado para idosos desnutridos ou em risco nutricional com ingestão oral insuficiente[cite: 390]. O protocolo padrão exige que o SNO seja mantido por um período mínimo de 35 dias para que os benefícios clínicos se materializem[cite: 391]. O SNO hiperproteico deve fornecer pelo menos 400 kcal, com até 30% das calorias provenientes de fontes proteicas[cite: 392].
Efeito do SNO hiperproteico em idosos institucionalizados: Estudos mostram que idosos institucionalizados que receberam SNO tiveram consumo calórico 50% maior do que aqueles que receberam apenas lanches intermediários (que aumentaram 30%)[cite: 393, 394]. O uso de SNO hiperproteico resultou em menor risco de complicações, menor número de reinternações hospitalares e maior força de preensão palmar[cite: 395].
A GEP está indicada quando a TNE é necessária por mais de quatro semanas ou quando o idoso não tolera/não aceita a sonda nasoenteral[cite: 397]. A indicação da GEP deve sempre considerar a relação benefício-risco[cite: 398]. A GEP deve ser DESENCORAJADA em idosos com demência avançada porque nessa situação o prolongamento da vida artificial não é mais o objetivo, e a GEP frequentemente não melhora a sobrevida ou a qualidade de vida nesses pacientes[cite: 399].
A síndrome de realimentação (SR) é uma das complicações mais graves do início de suporte nutricional em idosos desnutridos ou após jejum prolongado[cite: 401]. A fisiopatologia ainda não está completamente elucidada, mas o fenômeno central é o rápido influxo intracelular de fósforo, potássio e magnésio impulsionado pela hiperinsulinemia que acompanha o retorno de carboidratos à dieta, levando a depleção sérica desses íons com consequências neuromusculares, respiratórias e cardíacas graves[cite: 402, 405, 406, 407].
| Fator de risco para SR [cite: 408] | Raciocínio [cite: 408] |
|---|---|
| IMC reduzido | Estoques corporais depletados - maior sensibilidade ao reequilíbrio eletrolítico |
| Perda de peso significativa e involuntária | Idem ao anterior |
| Ausência de ingestão por vários dias Baixas concentrações de P, K, Mg |
Depleção prévia de fósforo intracelular Janela terapêutica estreita |
| Histórico de abuso de drogas ou álcool | Depleção de tiamina e minerais |
A imobilização é contraproducente aos objetivos do suporte nutricional no idoso[cite: 416]. O suporte nutricional visa preservar ou recuperar a massa muscular e a imobilidade acelera a perda de massa magra de forma acentuada, especialmente em idosos pré-frágeis e frágeis[cite: 417]. Portanto, a sedação farmacológica e as restrições físicas para manutenção de sonda de TNE são explicitamente contraindicadas nos guidelines ESPEN e BRASPEN[cite: 418].
Pacientes idosos não devem receber sedação farmacológica ou restrições físicas para manutenção da administração de TNE[cite: 419]. Exceções são raras e de curto prazo (delirium hiperativo agudo)[cite: 420]. A imobilização causa perda acelerada de massa muscular e deterioração cognitiva que contradizem os objetivos do suporte nutricional[cite: 421, 422].
Consideradas como as principais reguladoras da massa muscular, sendo que a primeira diminui e a segunda aumenta com a atividade física resistida, essas substâncias também são propostas como possíveis marcadores da sarcopenia. São elas: [cite: 428, 429]
(A) Miostatina e Ativina A[cite: 430].
(B) Miostatina e Folistatina. ✓ GABARITO [cite: 431]
(C) Folistatina e Ativina A[cite: 432].
(D) Irisina e GDF-15 (Diferenciação do fator de crescimento 15)[cite: 433].
COMENTÁRIO: [cite: 434]
Gabarito B: A miostatina (GDF-8) é o freio do crescimento muscular: ela inibe a proliferação e diferenciação das células musculares[cite: 435]. Com o exercício resistido, os níveis de miostatina DIMINUEM, liberando o crescimento muscular[cite: 436, 437]. A folistatina é o antagonista da miostatina: ela inibe a ação da miostatina, permitindo crescimento muscular[cite: 438]. Com o exercício resistido, a folistatina AUMENTA, amplificando o efeito anabólico do exercício[cite: 439, 440].
Mnemônico: Miostatina = MENOS músculo (M de Menos). Folistatina = FOLHA que protege o músculo do inibidor[cite: 441]. Exercício: M cai, F sobe[cite: 442].
As recomendações internacionais para atividade física em idosos recomendam que a atividade aeróbica, em relação ao VO2max, e o exercício de resistência, em relação a uma repetição máxima sejam, respectivamente: [cite: 445]
(A) 60-75% e 70-80%. ✓ GABARITO [cite: 446, 451]
(B) 80-90% e 80-85%[cite: 447].
(C) 50-60% e 60-70%[cite: 448].
(D) 30-50% e 50-60%[cite: 449].
COMENTÁRIO: [cite: 450]
Gabarito A: As recomendações internacionais para idosos estabelecem: atividade aeróbica em intensidade de 60-75% do VO2max; exercício resistido em intensidade de 70-80% de 1RM[cite: 452, 453]. Esses percentuais representam esforço vigoroso, mas dentro da faixa segura e eficaz para a maioria dos idosos saudáveis[cite: 456]. As alternativas B (80-90% e 80-85%) exigem intensidades que poucos idosos toleram[cite: 457]. As alternativas C e D propõem intensidades muito baixas para gerar os ganhos de força e capacidade aeróbica necessários para combater a sarcopenia[cite: 458].
| Tipo de exercício [cite: 459] | Frequência [cite: 459] | Intensidade [cite: 459] | Volume [cite: 459] |
|---|---|---|---|
| Resistido | 2-3x/semana | Iniciar 20-30% de 1RM; progredir até 80% de 1RM | 1-3 séries, 8-12 repetições, 8-10 exercícios |
| Aeróbico | 3-5x/semana | Moderada a alta: 12-14 na escala de Borg; 60-75% VO2max | 10-30 minutos por sessão |
| Equilíbrio | Integrar em todas as sessões | Progressiva conforme capacidade | Tandem, unipodal, transferências de peso |
A suplementação nutricional para o idoso sarcopênico é um tema com crescente evidência e que a banca tem incluído em questões contextuais[cite: 461, 462].
| Suplemento [cite: 463] | Dose e mecanismo [cite: 463] | Evidência [cite: 463] |
|---|---|---|
| Whey protein | 20-25 g por dose; alta leucina (2,5 g/dose) | Melhor fonte proteica para SPM pós-prandial no idoso |
| Leucina | 2,5 - 3 g/refeição | Ativa via mTOR; sozinha não aumenta massa - precisa associar a proteína total adequada |
| HMB (beta-hidroxi-metilbutirato) | 3 g/dia; metabólito ativo da leucina | Reduz catabolismo proteico; ganho de massa magra associado a exercício e dieta hiperproteica |
| Beta-alanina | 3,2 - 6,4 g/dia | Aumenta carnosina muscular → melhora tolerância ao exercício em idosos 60-80 anos |
| Creatina monoidratada | 3-5 g/dia (manutenção) | Maior ganho de força em membros inferiores; eficácia comprovada com treinamento resistido |
| Vitamina D [cite: 465] | Conforme déficit; meta 30-50 ng/mL | Suplementação indicada em idosos com 65+ anos; impacto em função muscular e óssea |
A creatina promove maior ganho de força nos membros inferiores, exatamente o grupo muscular mais afetado pelo envelhecimento[cite: 468]. Metanálises (Chilibeck et al.; Devries e Phillips) mostram aumento significativo de massa magra e força em idosos com creatina + treinamento resistido por 7-52 semanas, comparado ao placebo[cite: 469]. O efeito é superior quando combinado ao exercício[cite: 470].
Analise as afirmativas sobre a Cirurgia Bariátrica e Metabólica (CMB) em pacientes pediátricos, adolescentes e idosos. Assinale a alternativa correta[cite: 473].
(A) Em septuagenários submetidos à CMB, a idade cronológica é o principal preditor de complicações nos primeiros 30 dias de pós-operatório[cite: 474].
(B) A avaliação do estágio puberal ou da idade óssea é obrigatória em adolescentes, sendo critério indispensável para indicação cirúrgica[cite: 475].
(C) A fragilidade funcional em idosos está associada de forma independente ao aumento de complicações pós-operatórias após CMB. ✓ GABARITO[cite: 476, 477].
(D) Índice de massa corporal (IMC) acima de 60 kg/m² em idosos contraindica CMB como primeira escolha, devido à elevada mortalidade[cite: 478].
COMENTÁRIO: [cite: 479]
Gabarito C: A fragilidade funcional, não a idade cronológica, é o principal preditor de morbimortalidade pós-operatória em idosos submetidos à CMB[cite: 480]. A fragilidade expressa a perda de reservas homeostáticas e a vulnerabilidade ao estresse cirúrgico[cite: 481]. Idosos frágeis têm maior risco de infecção de sítio operatório, fístulas, tempo de ventilação mecânica prolongado e reinternações de forma independente da idade[cite: 482].
Alternativa A - errada: A idade cronológica isolada é um preditor fraco de mortalidade cirúrgica de curto prazo[cite: 483]. O que determina o desfecho é a carga de comorbidades e o escore de fragilidade, não o número de anos do paciente[cite: 484].
Alternativa B errada: O consenso ASMBS/IFSO 2022 modificou a posição clássica: a consolidação da idade óssea ou o estágio puberal não são mais barreiras obrigatórias absolutas para CMB em adolescentes com obesidade mórbida e danos orgânicos graves documentados[cite: 485].
Alternativa D errada: Super-superobesidade (IMC > 60 kg/m²) amplia o desafio técnico e anestésico, mas não é contraindicação absoluta à CMB[cite: 486]. Em casos selecionados com grave declínio de mobilidade e comorbidades refratárias, a cirurgia pode ser a única intervenção viável[cite: 489].
A dieta do idoso diabético segue os princípios gerais do diabético adulto, com adaptações[cite: 494]. A distribuição de macronutrientes: carboidratos 55% do VET (com 10-15% de CHO simples), lipídeos 30% (igualmente distribuídos entre saturados, monoinsaturados e poli-insaturados), proteínas 15% (1,0 a 1,2 g/kg/peso), colesterol 300 mg/dia, fibras 14 g/1.000 kcal/dia[cite: 495].
A hipoglicemia é um risco especial no idoso diabético: é mais frequente e mais grave do que no adulto jovem, podendo resultar em quedas com fraturas e traumatismo cranioencefálico[cite: 496]. A meta glicêmica para idosos com comorbidades e comprometimento de qualidade de vida deve ser flexibilizada: glicemia randômica < 180 mg/dL e HbA1c < 7%[cite: 497].
| Fase da DRC [cite: 499] | TFG [cite: 499] | Recomendação proteica [cite: 499] |
|---|---|---|
| DRC grave (não dialítica) | < 30 mL/min/1,73m² | 0,6 a 0,8 g/kg de peso corporal ideal |
| DRC moderada (não dialítica) | 30-60 mL/min/1,73m² | Até 0,8 g/kg; monitorar TFG 2x/ano |
| DRC leve (não dialítica) | > 60 mL/min/1,73m² | 1,0 a 1,2 g/kg (necessidade padrão do idoso) |
| DRC em diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) | Qualquer | 1,2 a 1,5 g/kg/dia |
| Disfunção renal aguda / necessidade de TRS | Qualquer | 1,2 a 1,5 g/kg; pode chegar a 2,0 g/kg com TRS |
No idoso oncológico, a necessidade energética deve ser determinada por calorimetria indireta quando disponível; na ausência do método, recomenda-se 25-30 kcal/kg/dia para pacientes sem desnutrição e 32-38 kcal/kg/dia para desnutridos[cite: 501, 502]. A oferta proteica deve ser sempre acima de 1,0 g/kg/dia, aumentando para 1,2 a 1,5 g/kg/dia na presença de desnutrição[cite: 503].
Do ponto de vista nutrológico na demência, marque a alternativa correta: [cite: 506]
(A) A perda de peso não está presente nos estágios iniciais. Torna-se aparente somente em estágios mais avançados da doença[cite: 509].
(B) O mecanismo de perda de peso na demência decorre unicamente da atrofia cerebral em determinadas regiões envolvidas na regulação do apetite e do comportamento alimentar[cite: 510].
(C) A triagem para desnutrição deve ser realizada em todos os serviços de saúde apenas no momento em que o paciente é diagnosticado com demência[cite: 511].
(D) A perda de peso ocorre em quase metade dos pacientes com formas leves a moderadas de Alzheimer, não sendo indicada monitoração regularmente para evitar estresse ao paciente[cite: 512].
(E) A prevenção de perda de peso é crucial para manutenção da saúde em pacientes com demência. Pesagens frequentes podem detectar alterações em estágio inicial e permitir intervenções nutricionais precocemente. ✓ GABARITO [cite: 513, 514]
COMENTÁRIO: [cite: 515]
Gabarito E: O monitoramento regular do peso deve fazer parte do manejo nutrológico do paciente com demência[cite: 516]. A perda de peso ocorre em quase 50% dos casos com Alzheimer leve a moderado, não apenas em estágios avançados[cite: 517]. Pesagens frequentes permitem detecção precoce e intervenção nutricional oportuna[cite: 518].
Alternativa A errada: A perda de peso pode ocorrer desde os estágios iniciais da demência, não apenas nos avançados[cite: 519].
Alternativa B errada: O mecanismo é multifatorial: atrofia de regiões regulatórias do apetite, alterações comportamentais, dificuldades de deglutição, alterações metabólicas, dependência de cuidadores para alimentação. Não é unicamente neurológico[cite: 520, 521].
Alternativa C errada: A triagem não deve ser feita apenas no diagnóstico, deve ser contínua, pois o estado nutricional muda ao longo da progressão da doença[cite: 523].
Alternativa D errada: O argumento do 'estresse ao paciente' não justifica omitir o monitoramento. O peso deve ser acompanhado regularmente; os benefícios superam qualquer impacto de desconforto com a pesagem[cite: 524, 525].
Idosos em fase terminal de vida não têm indicação rotineira de terapia nutricional enteral ou parenteral apenas pela baixa ingestão calórica[cite: 527]. A TNE e TNP são procedimentos de prolongamento da vida e quando esse prolongamento não é mais o objetivo terapêutico, o foco passa a ser qualidade de vida e conforto[cite: 528]. Nesse contexto, a alimentação oral adaptada (comfort food) é a estratégia preferida[cite: 529].
A gastrostomia endoscópica percutânea deve ser DESENCORAJADA em idosos com demência avançada[cite: 531]. Estudos não demonstram benefício de sobrevida ou de qualidade de vida com TNE nesses pacientes e o procedimento frequentemente aumenta desconforto, agitação e complicações infecciosas[cite: 532].
| Conceito [cite: 540] | O que a prova cobra [cite: 540] | Questão(ões) de referência [cite: 540] |
|---|---|---|
| IMC no idoso | Ponto de corte para baixo peso: ≤ 22 kg/m² (SISVAN) - não usar < 18,5 kg/m² | TEN 2024 Q97 |
| Circunferência da panturrilha | H: ≤ 34 cm | M: ≤ 33 cm indica redução de massa muscular; aplicável em acamados | TEN 2024 Q97; Compilação |
| Dinamometria protocolo | Maior valor entre 2-3 medidas; < 27 kg (H) e < 16 kg (M) pelo EWGSOP2 | TEN 2024 Q97; Compilação |
| EWGSOP2 hierarquia diagnóstica | Provável (força) → Confirmada (+massa) → Grave (+performance) | TEN 2024 Q64 |
| GLIM: diagnóstico e graduação | Diagnóstico: 1 fenotípico + 1 etiológico. Gravidade: só pelo fenotípico | TEN 2025 Q62; TEN 2025 Q40 |
| Albumina em inflamação | Proteína de fase aguda negativa - não medir como marcador nutricional isolado quando PCR elevada | TEN 2025 Q40 |
| Meta proteica no idoso saudável | 1,0 - 1,2 g/kg (ESPEN); 1,2 - 1,59 g/kg (metanálise mais recente - Nunes 2022) | TEN 2024 Q96 |
| Velocidade de marcha | < 0,8 m/s em 4 m = baixa performance; critério de gravidade da sarcopenia; preditor de sobrevida | TEN 2024 Q64 |
| Vitamina D meta NOF | 30-50 ng/mL indicação em ≥ 65 anos | TEN 2022 Q84 |
| Miostatina e folistatina | Miostatina: diminui com exercício; Folistatina: aumenta com exercício | TEN 2022 Q98 |
| Fragilidade na CMB | Fragilidade funcional: preditor independente de complicações pós-operatórias - não a idade cronológica | TEN 2025 Q79 |
| Caquexia cardíaca | BRA/IECA → disgeusia; furosemida espoliação de zinco disgeusia; caquexia: hiperinflamatória | TEN 2025 Q21 |
| SR - síndrome de realimentação | Iniciar < 50% do alvo; monitorar P, K, Mg; ocorre nas primeiras 72h | Conteúdo ESPEN/BRASPEN |
| GEP indicação [cite: 544] | > 4 semanas de TNE ou intolerância à SNE; desencorajada em demência avançada | Conteúdo ESPEN |
IMC do IDOSO → sempre 22: [cite: 558]
Adulto jovem: baixo peso < 18,5 | Idoso (SISVAN): baixo peso ≤ 22 | Idoso (OPAS hospitalar): baixo peso ≤ 23[cite: 559].
CP da Panturrilha → 34-33: [cite: 560, 561]
Homens ≤ 34 cm | Mulheres ≤ 33 cm déficit de massa muscular | Sequência: Homem tem mais letra → 34[cite: 562, 563].
Dinamometria EWGSOP2 → 27 e 16: [cite: 564]
Homens < 27 kg | Mulheres < 16 kg | Bielemann (Brasil): H < 30 kg | M < 16 kg[cite: 565].
Sarcopenia EWGSOP2 → FMG: [cite: 566]
F = Força (provável) → M = Massa confirmada → G = Gravidade pela performance[cite: 569, 570].
GLIM → FE x ET = DIAGNÓSTICO; FENOTÍPICO = GRAVIDADE: [cite: 571]
1 FEnotípico + 1 ETiológico = diagnóstico | Gravidade = só pelo FEnotípico[cite: 572].
Vitamina D NOF → 30-50: [cite: 572]
Mínimo 30 ng/mL para absorção de cálcio | Máximo 50 ng/mL para prevenir toxicidade[cite: 573].
Proteína do IDOSO SAUDÁVEL → 1,0-1,2 (ESPEN) / 1,2-1,59 (metanálise recente): [cite: 574]
Doente agudo ou crônico: 1,2-1,5 | Doença grave: até 2,0 | DRC grave não dialítica: 0,6-0,8[cite: 575].
Miostatina e Folistatina → MF = Menos-Freio: [cite: 576]
Miostatina = MENOS músculo (freio do crescimento) | Folistatina = tira o FREIO (inibe a miostatina) | Exercício: M cai, F sobe[cite: 577, 578].
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