Tiamina (Vitamina B1) — Apostila Completa e Aprofundada Preparatória Nutro-TEN
Guia Oficial Prova de Título CFM/AMB

TIAMINA (VITAMINA B1)

Apostila Completa de Estudo Aprofundado para a Prova de Título de Especialista em Nutrologia (Nutro-TEN). Fisiopatologia Integrada, Diretrizes ESPEN 2022 / ESPEN 2024 / ASPEN 2020 e Resolução Comentada de 100% das Questões da Prova de Título CFM/AMB (2022–2025).

Capa Tiamina Nutroschool
10
Módulos Aprofundados
11
Questões TEN Integradas
15+
Tabelas & Infográficos
ESPEN/ASPEN
Consensos 2022 - 2024

1. Introdução e Relevância para o Nutro-TEN

A prova de título de especialista em nutrologia (TEN / CFM / AMB) cobra a tiamina de forma extremamente específica: ela não é tratada como uma vitamina genérica para memorização de tabela. A banca a utiliza como uma vitamina de decisão de emergência — o tipo de questão médica em que errar o diagnóstico ou o timing do tratamento significa, no cenário real, dano neurológico permanente ou óbito do paciente.

Nas provas de 2022, 2023, 2024 e 2025, a tiamina apareceu em pelo menos oito questões diretas e em diversas assertivas de múltipla escolha, cobrindo bioquímica celular, fisiopatologia avançada, neuroimagem, diagnóstico diferencial neurológico, doses por cenário e timing de administração.

O Padrão Triplo de Cobrança da Banca

A banca descreve um caso clínico em cenário de risco (alcoolismo, jejum prolongado, pós-bariátrica, vômitos incoercíveis, neoplasia) e exige que o candidato domine três pilares simultaneamente:

  1. Reconhecer a síndrome correta descrita no enunciado;
  2. Saber qual vitamina é obrigatoriamente indicada naquele contexto;
  3. Saber a via, a dose e o timing correto de administração (SEMPRE ANTES das calorias/glicose).

1.1 Epidemiologia: Os Números que Aparecem nos Enunciados

A banca costuma inserir dados epidemiológicos exatos nos enunciados para contextualizar a gravidade e direcionar a hipótese diagnóstica:

Contexto Clínico de Risco Dado Epidemiológico Relevante (Diretrizes ESPEN/ASPEN)
Alcoolismo Crônico Prevalência de deficiência de tiamina de até 80% nos hospitalizados. Tríplice mecanismo: baixa ingestão + inibição intestinal de THTR-1/2 pelo etanol + prejuízo da fosforilação hepática.
Pós-Cirurgia Bariátrica (1º ano) Incidência de Beribéri em 1 a 2% no primeiro ano pós-BGYR. Vômitos persistentes esgotam reservas em 18 a 20 dias. Exclui o duodeno e jejuno proximal (sítios de THTR-1/2).
Sepse Grave & Pacientes de UTI Até 20% dos pacientes com sepse grave possuem tiamina sérica/eritrocitária indetectável na admissão. Em uso de diuréticos na UTI: TPP baixo em 18% (ESPEN 2024).
Encefalopatia de Wernicke Tríade completa em apenas 16% a 38% dos casos na admissão. Frequência dos sinais isolados: Confusão = ~82%; Oftalmoplegia = ~29%; Ataxia = ~23%.
Estoque Corporal Total Apenas ~30 a 50 mg (fígado, coração, rins, cérebro). Esgota-se em 18 a 20 dias de ingestão inadequada. NÃO confundir com B12 (estoque para 3–5 anos).
Ponto de Prova: A Armadilha do Estoque Corporal (TEN 2022 Q.77)

A banca cobrou em 2022 a pegadinha do alto estoque de tiamina — usada como distrator para fazer o candidato concluir que deficiência pós-bariátrica seria "rara". É o oposto da realidade! O estoque de B1 (tiamina) dura apenas semanas (~30-50mg), enquanto o de B12 dura anos no fígado.

2. Fisiologia, Farmacocinética e Fisiopatologia Celular

A prova de título de nutrologia (Nutro-TEN) cobra a farmacocinética e a fisiologia da tiamina de forma minuciosa. Questões recentes de 2022, 2023 e 2025 exploraram desde os transportadores enterocitários específicos (THTR-1 e THTR-2) até as armadilhas sobre estoques corporais, depuração renal por diuréticos, dependência de cofatores iônicos (Magnésio) e a partição da vitamina no sangue total versus plasma.

2.1 Química, Estrutura Molecular e Formas da Tiamina

A tiamina (vitamina B1) é composta por um anel pirimidínico unido a um anel tiazólico por uma ponte de metileno (-CH₂-). Essa ponte de metileno é o ponto estrutural vulnerável da molécula: ela é facilmente clivada por calor excessivo, ambientes alcalinos (pH > 7,0), reagentes sulfitos (preservantes alimentares) e pelas enzimas tiaminases.

No organismo humano, a tiamina existe em quatro formas interconvertíveis:

  • Tiamina Livre (Unphosphorylated Thiamine): Forma absorvida pelos enterócitos e presente em pequena quantidade no plasma. Sem atividade coenzimática direta.
  • Tiamina Monofosfato (TMP): Forma intermediária de transporte e produto do catabolismo celular.
  • Tiamina Difosfato (ThDP / TPP): Representa ~80% do total de tiamina corporal. É a principal forma biologicamente ativa e o cofator indispensável para as enzimas centrais do metabolismo glicídico e bioenergético.
  • Tiamina Trifosfato (ThTP): Representa ~5% da tiamina tecidual (especialmente no cérebro e nervos). Desempenha papel neurofisiológico não-coenzimático na regulação da condutividade do impulso nervoso e fosforilação de canais iônicos (como canais de Cl⁻ do receptor GABA-A).

2.2 Absorção Intestinal: Transporte Ativo (THTR-1/2) vs. Difusão Passiva & Fatores Inibidores

A tiamina presente nos alimentos vegetais ocorre como tiamina livre, enquanto nos alimentos de origem animal ocorre predominantemente como ThDP. No lúmen intestinal, as enzimas pirofosfatases e fosfatases alcalinas da borda em escova enterocitária clivam obrigatoriamente os grupos fosfato, pois apenas a tiamina livre pode ser absorvida pela mucosa intestinal.

Mecanismo de Absorção Faixa de Concentração Luminal Mecanismo Molecular e Transportadores
Transporte Ativo Saturável (Fisiológico) Baixas concentrações (< 2 μM) — dieta habitual Mediado por carreadores transmembrana específicos acoplados ao trocador Na⁺/H⁺:
THTR-2 (SLC19A3): Expresso na membrana apical (luminal) do enterócito. É o transportador de alta afinidade responsável pela captação inicial do lúmen.
THTR-1 (SLC19A2): Expresso na membrana basolateral do enterócito. É o transportador de alta capacidade responsável por exportar a tiamina para a circulação portal.
Difusão Passiva Não-Saturável (Farmacológico) Altas concentrações (> 5 μM) — suplementação oral em megadoses Quando a concentração no lúmen excede a capacidade de saturação máxima dos receptores THTR-1/2 (doses orais > 50–100 mg), a tiamina atravessa a mucosa por difusão passiva simples entre e através das células epiteliais.
Ponto de Prova Central (TEN 2025 Q.7): Absorção na Desnutrição vs. Álcool

1. Na Desnutrição e Baixa Ingestão: O organismo responde promovendo uma SUPER-EXPRESSÃO (UPREGULATION) dos genes SLC19A2 e SLC19A3, AUMENTANDO o número de transportadores THTR-1 e THTR-2 na mucosa para tentar absorver com máxima eficiência qualquer quantidade residual de tiamina. Afirmar que no desnutrido "predomina difusão passiva" é uma pegadinha incorreta clássica cobrada na prova de 2025!

2. No Alcoolismo Crônico: O álcool etílico reduz a absorção por um mecanismo triplo: (a) inibe diretamente a transcrição dos genes THTR-1/2 no enterócito; (b) inibe a bomba de Na⁺/K⁺-ATPase basolateral necessária para o gradiente de transporte; e (c) induz alteração morfológica na mucosa intestinal (gastrite e duodenite alcoólica).

Antinutrientes e Inibidores de Absorção
  • Tiaminases do Tipo I: Presentes em peixe cru, moluscos, crustáceos e na samambaia Pteridium aquilinum. Destroem a ponte de metileno da tiamina no lúmen intestinal. (Inativadas pelo cozimento térmico).
  • Tiaminases do Tipo II: Produzidas por certas bactérias intestinais patogênicas em estados de disbiose grave.
  • Polifenóis, Taninos e Ácido Cafeico: Encontrados no chá preto, café e noz de areca. Oxidam o anel tiazólico convertendo a tiamina no aduto inabsorvível *thiamine disulfide*. (A adição de vitamina C ou ácido cítrico previne essa oxidação).

2.3 Transporte Plasmático, Distribuição Eritrocitária e Captação pela BHE

Após atravessar o enterócito, a tiamina cai no sangue portal. No sangue periférico, a distribuição da tiamina segue um padrão único entre os micronutrientes:

Compartimento Sanguíneo Porcentagem do Total Forma Química e Significado Diagnóstico
Interior dos Eritrócitos (Hemácias) 80% a 90% Os eritrócitos captam a tiamina livre via THTR-1 e a fosforilam rapidamente em ThDP (TPP). Por isso, a dosagem no sangue total reflete o estoque celular verdadeiro de tiamina corporal.
Leucócitos (Glóbulos Brancos) ~5% a 10% Fração intracelular de alto turnover metabólico.
Plasma Sanguíneo < 10% (Fração Mínima) Circula como tiamina livre e TMP ligada fracamente à albumina. A tiamina plasmática flutua agudamente com a alimentação recente e NÃO reflete as reservas corporais reais. (Motivo pelo qual a diretriz ESPEN 2022 contraindica a dosagem isolada de tiamina plasmática).

Passagem pela Barreira Hematoencefálica (BHE): O endotélio microvascular cerebral expressa THTR-1 nas superfícies luminal e abluminal. O transporte de tiamina através da BHE é saturável e opera em taxa limítrofe muito próxima da Vmax em condições basais. Quando há estresse metabólico ou carga de glicose, a BHE não consegue acelerar a captação de tiamina na mesma velocidade, precipitando o colapso energético neuronal em áreas de altíssimo consumo de O₂ (tálamo e corpos mamilares).

2.4 Metabolismo Celular, Fosforilação e a Enzima Tiamina Pirofosfoquinase (TPK)

Ao entrar no citosol das células teciduais via THTR-1 e THTR-2, a tiamina livre precisa ser "ativada" para exercer suas funções. Essa ativação consiste na adição de duas moléculas de fosfato em reação catalisada pela enzima Tiamina Pirofosfoquinase (TPK):

Tiamina Livre + ATP ———→ Tiamina Difosfato (ThDP / TPP) + AMP
(Cofator Obrigatório: Magnésio / Mg-ATP²⁻)

Armadilha Diagnóstica (TEN 2023 Q.3): Dependência Absoluta de Magnésio

A Tiamina Pirofosfoquinase exige obrigatoriamente Magnésio (Mg²⁺) na forma do complexo `Mg-ATP²⁻`. Na hipomagnesemia (comum em alcoolistas e desnutridos), a enzima TPK fica inativa!

Consequência Prática: Administrar doses massivas de tiamina IV em um paciente com hipomagnesemia grave NÃO reverte o Wernicke, pois a tiamina não consegue ser convertida na forma ativa ThDP. A diretriz ESPEN 2022 orienta reposição simultânea de Magnésio EV em todo caso de suspeita de deficiência de tiamina.

2.5 Reservas Corporais, Meia-Vida e Eliminação Renal ("Washout")

Diferente de outras vitaminas lipossolúveis (como a Vitamina A) ou hidrossolúveis com grande reserva hepática (como a Vitamina B12, que dura de 3 a 5 anos), a tiamina não possui proteína de armazenamento no organismo humano.

  • Estoque Corporal Total: Apenas ~30 a 50 mg no adulto, distribuído principalmente nos músculos esqueléticos (~50%), fígado (~30%), coração, rins e cérebro.
  • Meia-Vida Funcional Excepcionalmente Curta: Sem ingestão ou com perdas aumentadas, as reservas esgotam-se completamente em 18 a 20 dias. Em situações de hipermetabolismo, gestação com vômitos ou pós-bariátrica, o esgotamento pode ocorrer em 2 a 3 semanas.
Mecanismo de Eliminação Comportamento Fisiológico e Farmacológico
Filtração Glomerular & Reabsorção Tubular A tiamina livre plasmática é filtrada no glomérulo renal. Em níveis plasmáticos fisiológicos, os túbulos contorcidos proximais reabsorvem a tiamina via transportador THTR-1.
Excreção Urinária em Doses Elevadas Quando a dose plasmática excede o limiar de reabsorção renal (doses suplementares orais elevados ou doses IV de 300–500 mg), a capacidade do THTR-1 renal é saturada e 100% do excesso é prontamente excretado na urina como tiamina intacta e metabólitos (ácido tiamínico, 4-metiltiazol-5-acético). Essa excreção rápida confere toxicidade virtualmente nula à tiamina IV.
Diurese Acelerada ("Washout" Urinário por Diuréticos) O uso crônico de diuréticos de alça (Furosemida) aumenta dramaticamente a taxa de fluxo tubular e inibe a reabsorção renal de tiamina, promovendo uma eliminação urinária maciça por "washout". Até 18% a 21% dos cardiopatas e internados em UTI em uso de furosemida desenvolvem deficiência de tiamina (ESPEN 2024). Reposição indicada: 50 mg/dia VO.
Perdas em Terapia Renal Substitutiva (CRRT / Hemodiálise) A tiamina é uma molécula pequena (<300 Da) e hidrossolúvel. Os filtros de hemodiálise contínua (CRRT) em UTI removem a tiamina plasmática de forma ininterrupta. A ESPEN 2022 estabelece suplementação de 100 mg/dia EV para todos em CRRT.

Videoaula Complementar: As Três Enzimas Dependentes de ThDP e a Tríade Metabólica

2.6 As Três Enzimas Dependentes de ThDP: A Tríade Metabólica

A ThDP atua como grupo prostético/cofator covalentemente ligado a três complexos enzimáticos multiméricos essenciais. A deficiência de tiamina REDUZ (inibe) a atividade de todas as três:

Enzima Dependente Reação Catalisada Central Consequência Fisiopatológica da Deficiência de ThDP
Piruvato Desidrogenase (PDH) Piruvato → Acetil-CoA (entrada no Ciclo de Krebs). Piruvato acumula → desvio metabólico para L-lactato → acidose lática grave. O Ciclo de Krebs fica sem substrato.
α-Cetoglutarato Desidrogenase (α-KGDH) α-cetoglutarato → succinil-CoA (etapa interna do Ciclo de Krebs). Ciclo de Krebs interrompido internamente → queda maciça na geração de NADH/FADH₂ e ATP mitocondrial.
Transcetolase Eritrocitária Via das Pentoses-Fosfato → produção de NADPH e ribose-5-fosfato. Queda de NADPH → menor regeneração de glutationa reduzida → estresse oxidativo e peroxidação lipídica neuronal.
Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2023 — Q.3
Com relação à Encefalopatia de Wernicke-Korsakoff (EWK), marque a alternativa INCORRETA:
  • A) A deficiência de tiamina aumenta a atividade de alfa-cetoglutarato-desidrogenase. (Gabarito da Incorreta)
  • B) Na fase sintomática, ocorre o aumento na produção de lactato pelos neurônios e astrócitos.
  • C) O abuso crônico de álcool não resulta em EWK, se a ingestão dietética de tiamina for adequada e mantida.
  • D) A depleção de magnésio implica na redução da conversão de tiamina pirofosfoquinase em tiamina pirofosfato.
Gabarito: A
Comentário da Banca: A alternativa A é a INCORRETA (gabarito). A deficiência de tiamina REDUZ (inibe) a atividade da α-cetoglutarato desidrogenase, pois o ThDP é cofator prostético essencial da enzima. Sem ThDP, a enzima falha e o ciclo de Krebs é interrompido.

2.7 Por que a Deficiência produz L-Lactato e não D-Lactato?

Na deficiência de tiamina, o piruvato acumulado pela falha da PDH é convertido em L-lactato pela lactato desidrogenase humana (LDH). O L-lactato é o isômero fisiológico produzido na hipóxia e mensurado pela gasometria arterial padrão.

O D-lactato, por sua vez, é um isômero bacteriano produzido pela fermentação de açúcares por Lactobacillus no cólon em pacientes com Síndrome do Intestino Curto (SIC tipo 2 com cólon em continuidade). O gasômetro comum não mede D-lactato.

2.8 Cascata Intracelular: Da Falta de ThDP à Morte Neuronal

Para compreender por que o Wernicke é uma emergência e por que as regiões afetadas são específicas, é preciso acompanhar a cascata celular em 7 passos detalhados:

Os Três Princípios da Vulnerabilidade Regional Cerebrais

PRINCÍPIO 1 — DEMANDA METABÓLICA SELETIVA (CMRO₂): Certas áreas do cérebro possuem taxa metabólica cerebral de oxigênio (CMRO₂) muito superiores à média: o tálamo medial, corpos mamilares, substância cinzenta periaquedutal (SGPA) e vermis cerebelar. Nesses locais, a densidade de enzimas dependentes de ThDP é máxima. Quando a ThDP cai, essas regiões atingem primeiro o limiar de falência energética.

PRINCÍPIO 2 — POSIÇÃO PERIVENTRICULAR E EXPOSIÇÃO AO LCR: As estruturas afetadas situam-se imediatamente adjacentes aos III e IV ventrículos e ao aqueduto de Sylvius. A concentração de tiamina no LCR é ~10 vezes menor que no plasma; em privação, essas áreas perdem a captação local de tiamina mais rapidamente.

PRINCÍPIO 3 — DESEQUILÍBRIO GLUTAMATO/GABA E EXCITOTOXICIDADE: A síntese de GABA (neurotransmissor inibitório) depende da α-cetoglutarato desidrogenase. Sem ThDP, a síntese de GABA cai. Simultaneamente, o glutamato extracelular acumula-se pela falência da recaptação astroglial (transportadores GLT-1 e GLAST sem ATP), provocando superativação de receptores NMDA e influxo maciço intracelular de Cálcio (Ca²⁺).

Passo Evento Molecular Intracelular Consequência Funcional e Repercussão Clínica
1 Queda de ThDP abaixo do limiar crítico → Inativação da PDH e α-KGDH Piruvato não entra no Krebs; colapso imediato na síntese de NADH, FADH₂ e ATP nas células de alta demanda.
2 Paralisia da Bomba de Na⁺/K⁺-ATPase celular por falta de ATP Entrada passiva de Na⁺ e água; despolarização persistente da membrana neuronal (perda do potencial de repouso).
3 Abertura de canais de Ca²⁺ voltagem-dependentes Influxo maciço de Cálcio (Ca²⁺) → ativação de calpaínas (proteases), fosfolipases A₂/C e óxido nítrico sintase neuronal (nNOS).
4 Acúmulo de Glutamato no espaço extracelular (recaptação astroglial falha) Superativação de receptores NMDA → segundo influxo de Ca²⁺ → ciclo de excitotoxicidade autossustentado. Morte neuronal irreversível em horas a dias.
5 nNOS gera óxido nítrico (NO) + O₂⁻ (via xantina oxidase) → Peroxinitrito (ONOO⁻) Peroxinitrito provoca nitrosilação de proteínas mitocondriais, peroxidação lipídica e fragmentação do DNA → apoptose e necrose simultâneas.
6 Ativação microglial → liberação de citocinas (TNF-α, IL-1β, IL-6) → disfunção da BHE A Barreira Hematoencefálica perde junções oclusivas → edema vasogênico com realce por gadolínio na RM.
7 Permeabilização da membrana mitocôndrial → liberação de citocromo C → caspases Morte neuronal consolidada por apoptose → marco da transição irreversível Wernicke → Korsakoff.

2.9 Por que Glicose ANTES da Tiamina é Perigosa: O Modelo de Blass-Gibson

No paciente desnutrido com estoques reduzidos de tiamina, a via glicolítica inicial funciona normalmente (é independente de ThDP) e produz piruvato. Se esse paciente recebe uma carga de glicose (soro glicosado 50% ou dieta rica em carboidratos) sem tiamina prévia:

  1. A glicose é convertida rapidamente em piruvato pela glicólise;
  2. O piruvato não consegue entrar no Ciclo de Krebs porque a PDH está inativa sem ThDP;
  3. O piruvato é desviado maciçamente para L-lactato, deflagrando acidose lática fulminante;
  4. O pouco ThDP residual é consumido em minutos, levando o neurônio à falência bioenergética e precipitando a Encefalopatia de Wernicke em poucas horas!
Regra de Ouro do Timing

TIAMINA SEMPRE ANTES DAS CALORIAS! Tiamina IV deve ser administrada de 30 a 60 minutos ANTES de qualquer infusão de soro glicosado ou início de nutrição enteral/parenteral no paciente de risco.

INFOGRÁFICO: FARMACOCINÉTICA E FISIOPATOLOGIA CELULAR DA TIAMINA

1
ABSORÇÃO INTESTINAL (Jejuno e Íleo)
Mecanismo duplo:
  • Fisiológico (<2μM): ativo/saturável via THTR-1 (basolateral) e THTR-2 (apical).
  • Farmacológico (>5μM): difusão passiva.
PROVA 2025: Na desnutrição, ocorre UPREGULATION do transporte ativo THTR-1/2!
2
FATORES QUE REDUZEM A ABSORÇÃO
  • Álcool etílico: inibe genes SLC19A2/3, reduz Na/K-ATPase e causa duodenite.
  • Bariátrica (BGYR): exclui duodeno/jejuno proximal.
  • Antinutrientes: Tiaminases (peixe cru) e Taninos/Polifenóis (chá/café).
3
TRANSPORTE E FOSFORILAÇÃO
  • 80-90% nos eritrócitos como ThDP (sangue total = padrão-ouro).
  • Fosforilação via Tiamina Pirofosfoquinase (TPK).
  • Mg²⁺ é cofator obrigatório! HipoMg causa resistência à tiamina (PROVA 2023).
4
ELIMINAÇÃO E WASHOUT RENAL
  • Estoque pequeno: ~30–50 mg (esgota em 18–20 dias).
  • Filtrado e reabsorvido por THTR-1 renal. Excesso sai na urina.
  • Washout por Furosemida: diuréticos aceleram perda urinária em IC/UTI.
  • CRRT: hemodiálise contínua remove 100 mg/dia.

Videoaula Complementar: Fisiopatologia e Mecanismos da Tiamina

3. Avaliação Clínica e Diagnóstico

3.1 Grupos de Risco: O Primeiro Passo de Toda Questão

Grupo de Risco Clínico Mecanismo Fisiopatológico de Depleção Velocidade de Depleção & Destaques
Desnutrição / Jejum >7 dias Zero aporte; estoques consumidos no metabolismo basal. Esgota em 18–20 dias. Risco MÁXIMO de Wernicke ao nutrir.
Alcoolismo Crônico Baixa ingestão + inibição de THTR-1/2 + menor fosforilação hepática. Tríplice mecanismo. Prevalência de deficiência em até 80%.
Pós-Cirurgia Bariátrica (BGYR) Exclusão anatômica do duodeno/jejuno + vômitos no pós-operatório. Vômitos esgotam em 2–3 semanas. Beribéri em 1–2% no 1º ano.
Gestação & Hiperêmese Demanda metabólica fetal elevada + vômitos incoercíveis. Wernicke gestacional documentado. Tiamina é Categoria A.
Neoplasias & Quimioterapia Caquexia tumoral, hipermetabolismo e mucosite gastrointestinal. Confusão atribuída erroneamente a metástase cerebral.
Diuréticos Crônicos (Furosemida) Perdas urinárias contínuas de vitaminas hidrossolúveis. TPP baixo em 18% na UTI (ESPEN 2024). Reposição: 50mg/dia VO.
Hemodiálise Contínua (CRRT) Filtro de alta permeabilidade remove tiamina livre diretamente. Exige suplementação de 100 mg/dia EV (ESPEN 2022).
NP sem Multivitamínico Glicose sem tiamina consumindo todas as reservas. Evento iatrogênico PREVENÍVEL e grave. Wernicke intra-hospitalar.

3.2 Avaliação Laboratorial do Status de Tiamina

O método direto recomendado pela diretriz ESPEN Micronutrient Guideline 2022 (Recomendação 14.2, Grau A) é a mensuração de ThDP em sangue total ou hemácias por HPLC.

Método Diagnóstico Classificação & Mecanismo Vantagens e Limitações Práticas
ThDP em Sangue Total / Hemácias (HPLC) PADRÃO-OURO (Direto). Mede o estoque eritrocitário real. NÃO sofre redução pela inflamação de fase aguda (diferente da vitamina A, D, zinco). Requer cuidado pré-analítico (proteger da luz).
Transcetolase Eritrocitária (ETKA) Teste FUNCIONAL (Indireto). Avalia aumento da atividade após ThDP. Aumento >15-20% = deficiência funcional. Pouco disponível atualmente; difícil em anemias graves.
Tiamina Plasmática / Sérica NÃO RECOMENDADO. Mede apenas a fração livre circulante (<10%). Oscila agudamente com refeição recente. Usar como referência causa erro diagnóstico severo.
O Que a Banca Cobra — Laboratório
  • O método correto é ThDP em sangue total/hemácias — não "tiamina plasmática".
  • A transcetolase eritrocitária é FUNCIONAL (teste indireto) — avalia atividade enzimática, não concentração direta.
  • Inflamação sistêmica NÃO interfere significativamente na ThDP eritrocitária — diferente de vitaminas lipossolúveis e outros marcadores.
  • Na suspeita clínica: TRATAR PRIMEIRO, dosar depois. Nunca atrasar tiamina esperando resultado de exame.

3.3 Diagnóstico Diferencial Neurológico: B1, B12, Folato e Cobre

Característica Tiamina (B1) Vitamina B12 Ácido Fólico (B9)
Síndrome neurológica Encefalopatia de Wernicke (SNC) + Polineuropatia periférica (beribéri seco) Mielopatia Combinada Subaguda (colunas posteriores + trato corticoespinhal) Mínima ou nula em adultos. Pode haver depressão/irritabilidade.
Sinais medulares AUSENTES PRESENTES (perda de propriocepção, vibração, hiperreflexia/espasticidade) AUSENTES
Anemia macrocítica NÃO causa SIM — megaloblástica SIM — megaloblástica (idêntica à B12)
Pista clínica clássica Tríade Wernicke (ataxia + confusão + oftalmoplegia). Alcoolismo, desnutrição, pós-bariátrica. Ataxia cordonal + hiperreflexia + parestesias com anemia megaloblástica. Pós-gastrectomia, anemia perniciosa. Anemia sem neuro significativa. Gestação, má absorção, metotrexato.
Risco do erro terapêutico Oferta de glicose sem tiamina → precipita Wernicke. Tratar com folato sem B12 → anemia melhora mas neuro progride (armadilha clássica). Não exige correção urgente para prevenção neurológica.
Estoque corporal ~30–50 mg → esgota em 2–3 semanas ~2–3 mg → esgota em ANOS (3–5 anos) ~5–10 mg → esgota em semanas a meses
Armadilha Clássica de Prova: B12 vs Folato

NUNCA tratar anemia macrocítica exclusivamente com folato sem dosar B12 antes. Se a causa for B12, o folato corrige a anemia (hemograma normaliza), mas os danos neurológicos da Degeneração Subaguda Combinada progridem silenciosamente e tornam-se irreversíveis.

Nota sobre o Cobre: A deficiência de cobre causa mielopatia idêntica à de B12 ("pseudo-B12"). Ocorre em NP prolongada sem cobre, excesso de zinco ou gastrectomia. Pista: B12 sérica normal com quadro medular cordonal posterior clássico.

Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2025 — Q.78
Paciente de 45 anos, cirurgia bariátrica há 10 meses, sem adesão à suplementação. Apresenta fraqueza e parestesias distais, marcha atáxica, perda de sensibilidade vibratória e proprioceptiva, hiperreflexia patelar bilateral e irritabilidade. Hemograma: anemia macrocítica. B12 sérica: 198 pg/mL (VR: 200–900). Qual afirmação melhor diferencia as manifestações neurológicas de B1, B12 e folato?
  • A) Deficiência de ácido fólico cursa com mielopatia combinada subaguda semelhante à de B12, porém sem alterações hematológicas.
  • B) Deficiência de vitamina B12 cursa com mielopatia combinada subaguda, comprometendo colunas posteriores e trato corticoespinhal, acompanhada de anemia megaloblástica. Já a deficiência de ácido fólico, embora cause anemia semelhante, raramente causa manifestações neurológicas significativas.
  • C) A deficiência de ácido fólico está associada a neuropatia periférica e encefalopatia progressiva.
  • D) Tiamina e folato têm manifestações neurológicas sobrepostas — ambas causam neuropatia periférica predominante motora.
Gabarito: B
Comentário da Banca: O quadro clássico é a Mielose Funicular (Degeneração Subaguda Combinada) por B12: atrofia das colunas posteriores (perda de vibração/propriocepção) + trato corticoespinhal (hiperreflexia/Babinski). O folato causa anemia macrocítica idêntica, mas NÃO produz mielopatia medular em adultos. A tiamina produz polineuropatia periférica axonal e Wernicke, mas não mielopatia cordonal.

3.4 Diagnóstico Diferencial: Acidose D-Láctica vs. Wernicke no SIC

Em pacientes com Síndrome do Intestino Curto (SIC) tipo 2 (com cólon em continuidade), os carboidratos mal absorvidos chegam ao cólon e são fermentados por Lactobacillus produzindo D-lactato. O D-lactato causa neurotoxicidade mimetizando embriaguez alcoólica (ataxia, disartria, confusão).

Parâmetro Deficiência de Tiamina (Wernicke) Acidose D-Láctica (Intestino Curto)
Isômero de Lactato Elevado L-Lactato (humano). D-Lactato (bacteriano colônico).
Gasômetro Padrão Acidose com L-lactato ELEVADO. Acidose com ânion-gap alto mas L-lactato NORMAL!
Tratamento Tiamina IV imediata. Restrição de carboidratos + Antibióticos (Rifaximina/Metronidazol).
Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2025 — Q.95
Paciente de 52 anos com SIC tipo 2, cólon em continuidade. Em NP cíclica. Readmitido com confusão mental, fala arrastada e ataxia. pH 7,21, ânion-gap 22. Lactato total: 5,8 mmol/L. L-lactato: 1,1 mmol/L (normal). Qual o mecanismo e conduta?
  • A) Deficiência de tiamina → acúmulo de L-lactato. Conduta: tiamina IV.
  • B) Oxidação de aminoácidos sulfurados. Conduta: ajuste da dieta.
  • C) Fermentação bacteriana colônica → D-lactato excessivo. Conduta: restrição de carboidratos + antibiótico.
  • D) Falência hepática com depuração inadequada de L-lactato.
Gabarito: C
Comentário da Banca: A chave do diagnóstico é o L-Lactato NORMAL (1,1 mmol/L) em um paciente com acidose de ânion-gap e sintomatologia de "embriaguez" pós-prandial. A deficiência de tiamina acumula L-lactato (isômero humano). Como o L-lactato está normal, trata-se de Acidose D-Láctica por fermentação bacteriana colônica de açúcares por Lactobacillus. Conduta: jejum de carboidratos simples + Rifaximina/Metronidazol.

4. As Três Síndromes Clínicas da Deficiência

4.1 Encefalopatia de Wernicke–Korsakoff

A tríade clássica (Confusão + Ataxia + Oftalmoplegia) é incompleta na grande maioria dos pacientes admissionais (presente em apenas 16–38%).

Sequência de RM Crânio Achado Típico Patognomônico Interpretação Fisiopatológica
T2 / FLAIR Hipersinal SIMÉTRICO periventricular (tálamo medial, corpos mamilares, SGPA). Edema citotóxico + vasogênico. A simetria diferencia de AVC isquêmico vascular.
DWI (Difusão) Restrição à difusão (DWI alto + ADC baixo). Edema citotóxico intracelular. Sinal mais precoce (pode positivizar com FLAIR normal).
T1 + Gadolínio Realce contrastado nos corpos mamilares (~50% agudos). Ruptura da Barreira Hematoencefálica (BHE) com extravasamento. Altamente específico.
T1 Tardio Atrofia volumétrica dos corpos mamilares. Gliose permanente (Korsakoff consolidado). Correlaciona-se com amnésia anterógrada.
Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2023 — Q.8
De acordo com o ESPEN Micronutrient Guideline 2022, qual a recomendação de suplementação de tiamina para tratamento de encefalopatia de Wernicke e para síndrome de realimentação, respectivamente?
  • A) 500 mg 3x/dia e 300 mg/dia
  • B) 500 mg/dia e 300 mg/dia
  • C) 500 mg/dia e 100 mg/dia
  • D) 300 mg/dia e 300 mg/dia
Gabarito: A
Comentário da Banca: Wernicke é emergência neurológica que exige a dose de 500 mg EV 3 vezes ao dia (1.500 mg/dia) por 3-5 dias. A prevenção da Síndrome de Realimentação exige 300 mg/dia EV ANTES do início do aporte calórico.
Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2025 — Q.7
Paciente de 50 anos, etilista crônico e desnutrido, apresenta confusão, oftalmoplegia e ataxia (Wernicke). exames confirmam tiamina baixa e hipofosfatemia. Iniciada reposição de tiamina 100mg 3x/dia. Qual afirmativa a seguir é CORRETA?
  • A) A tiamina, ao se ligar ao fósforo, forma a coenzima tiamina pirofosfato (ThDP), fundamental para a função de enzimas do ciclo de Krebs e metabolismo energético, especialmente em tecidos com alta demanda de ATP.
  • B) A absorção intestinal de tiamina em situações de baixa ingestão ocorre predominantemente por difusão passiva no jejuno, sendo esse o principal mecanismo compensatório no desnutrido.
  • C) O consumo crônico de etanol compromete de forma semelhante os mecanismos de absorção ativa e passiva da tiamina.
  • D) O corpo humano possui reservas significativas de tiamina, o que torna raro o aparecimento de quadros clínicos de deficiência em pacientes com desnutrição ou alcoolismo prolongado.
Gabarito: A
Comentário da Banca: A afirmativa A descreve com precisão a ativação em ThDP e seu papel nas enzimas do Krebs. A alternativa B erra pois o transporte ativo (THTR-1/2) é PRESERVADO na desnutrição; C erra pois o etanol inibe SELETIVAMENTE o transporte ativo; D erra pois as reservas de tiamina são mínimas (~30-50mg).

4.1.3 Síndrome de Korsakoff e o Circuito de Papez

A Síndrome de Korsakoff é a sequela neuropsiquiátrica crônica decorrente da destruição irreversível dos elos do Circuito de Papez (substrato anatômico da consolidação da memória episódica):

Hipocampo → Fórnice → Corpos Mamilares → Núcleo Anterior do Tálamo → Giro do Círculo → Córtex Entorrinal → Hipocampo

Manifestação da Síndrome de Korsakoff Mecanismo Fisiopatológico e Característica Clínica
Amnésia Anterógrada Densa Corpos mamilares necrosados + tálamo mediodorsal → circuito de Papez interrompido → impossibilidade absoluta de consolidar novas memórias episódicas (experiência imediata preservada, retenção nula após minutos).
Memória Remota Preservada Memórias remotas estão armazenadas de forma distribuída no neocórtex — independente do circuito de Papez. O paciente lembra com detalhes de eventos de décadas atrás, mas não sabe o que almoçou.
Confabulação Desinibição do córtex pré-frontal + preenchimento inconsciente de lacunas mnésicas com fragmentos de memórias reais reorganizadas. O paciente NÃO está mentindo intencionalmente — não tem consciência da falsidade.
Irreversibilidade (~80%) Necrose com gliose dos corpos mamilares = dano estrutural permanente. Apenas ~20% obtêm recuperação parcial com tratamento tardio.
Prescrição Prática no Wernicke — ESPEN 2022

Dose: 500 mg de Tiamina IV 3x/dia (= 1.500 mg/dia) por 2 a 3 dias no mínimo.

Via: Sempre IV. Diluir em 100 mL de SF 0,9%, infusão em 30 minutos por dose.

Cofator: Corrigir Mg²⁺ concomitantemente.

Timing: Iniciar ANTES de qualquer glicose ou nutrição.

4.2 Beribéri: Polineuropatia Axonal e Insuficiência Cardíaca

O Beribéri Seco é uma polineuropatia sensitivo-motora distal axonal tipo dying-back (axônio morre de trás para frente, transporte axonal motor via kinesina/dineína falha sem ATP, parestesias pés → pernas → mãos).

Fase da Neuropatia Alteração Histopatológica Subjacente Quadro Clínico Correspondente
Fase Inicial Disfunção mitocôndrial axonal distal. Transporte axonal lentificado. Sem degeneração estrutural grave. Parestesias distais (queimação e formigamento nos pés), câimbras noturnas, hipersensibilidade (alodinia). Reflexos ainda preservados.
Fase Intermediária Degeneração axonal distal com desmielinização secundária. Abolição dos reflexos tendinosos profundos (aquileu primeiro, depois patelar). Fraqueza dos dorsiflexores do pé (marcha escarvante).
Fase Avançada Degeneração axonal proximal e comprometimento de MMSS. Tetraparesia funcional, atrofia tenar/hipotenar e dor abdominal por neuropatia autonômica visceral.

Diferencial com Guillain-Barré (GBS): GBS é desmielinizante (condução lenta na ENMG) e hiperagudo (dias) com dissociação proteico-citológica no LCR. Beribéri é axonal (amplitude reduzida na ENMG) e subagudo/crônico (semanas/meses) com LCR normal.

O Beribéri Úmido é uma Insuficiência Cardíaca de Alto Débito por vasoplegia arterial periférica em 5 passos (Vasodilatação periférica → Ativação barorreflexo/SNS → Ativação SRAA/retenção de sódio e água → Falência miocárdica progressiva por falta de ATP no cardiomiócito → SHOSHIN BERIBÉRI colapso cardiogênico fulminante com acidose lática extrema, mimetizando sepse, com mortalidade ~100% sem tiamina IV imediata).

4.3 Diferencial Integrado: Beribéri vs Encefalopatia de Wernicke

Dimensão de Análise Beribéri (Seco e Úmido) Encefalopatia de Wernicke
Sistema Comprometido SNP (nervos periféricos) + sistema cardiovascular. SNC (diencéfalo, tronco encefálico, cerebelo).
Velocidade de Depleção Crônica a subaguda (semanas a meses). Aguda a hiperaguda (dias a semanas).
Fator Genético Transcetolase de ALTA afinidade por ThDP. Transcetolase de BAIXA afinidade (Km elevado).
ENMG Polineuropatia sensitivo-motora AXONAL simétrica. Normal (exceto se coexistir Beribéri seco).
Neuroimagem RM Normal. Hipersinal T2/FLAIR simétrico periventricular.
Reflexos Tendinosos REDUZIDOS ou ABOLIDOS distalmente. Variáveis (preservados se Wernicke puro).
Resposta à Tiamina Cardíaca melhora em horas; neuropatia em meses. Ocular melhora em horas; confusão em dias; amnésia de Korsakoff irreversível.
Risco de Morte Imediata SHOSHIN: colapso cardiogênico fulminante (~100%). Coma, instabilidade autonômica (mortalidade ~20%).

4.4 Síndrome de Realimentação (SR) e Tiamina: Fisiopatologia Integrada

As adaptações do jejum prolongado (corpos cetônicos, proteólise) mascaram o esgotamento silencioso intracelular de Fósforo, Potássio, Magnésio e Tiamina. Na reintrodução de carboidratos, a insulina desencadeia:

Efeito da Insulina Mecanismo Celular Intracelular Consequência Sérica e Clínica
Captação de Glicose GLUT4 transloca → hexoquinase fosforila glicose consumindo ATP e Fósforo (Pi). Glicemia cai. Mais depleção de Pi intracelular.
Captação de Potássio Na⁺/K⁺-ATPase ativada → K⁺ bombeado para célula com anabolismo proteico. Hipocalemia sérica aguda → arritmias (FV), prolongamento do QT, paralisia respiratória.
Captação de Fósforo Transportadores Pit-1 e Pit-2 ativados → Pi entra para ATP, PCr, 2,3-DPG e fosfolipídios. Hipofosfatemia sérica aguda → colapso multissistêmico.
Captação de Magnésio Anabolismo consome Mg²⁺ como cofator de ATPases. Hipomagnesemia sérica → arritmias, tremores + bloqueio da conversão de tiamina em ThDP.
Retenção de Na⁺ e H₂O Insulina estimula reabsorção tubular renal de Na⁺. Edema, expansão volêmica e insuficiência cardíaca congestiva.
As 4 Funções Moleculares do Fósforo Colapsadas na SR

1. ATP SÍNTESE: ADP + Pi → ATP. Sem Pi, a cadeia respiratória não armazena energia.

2. 2,3-DPG: Queda de 2,3-DPG desvia a curva de dissociação da oxiemoglobina para a ESQUERDA → a Hb prende o O₂ → hipóxia tecidual profunda com SpO₂ normal no oxímetro!

3. FOSFOCREATINA (PCr): Reserva energética miocárdica desmorona → insuficiência sistólica aguda.

4. FOSFOLIPÍDIOS DE MEMBRANA: Fragilidade de membranas → hemólise aguda, disfunção leucocitária e plaquetária.

Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2022 — Q.51
Mulher de 44 anos, pancreatite alcoólica, 8 dias em jejum → reintrodução de dieta oral. IMC 16,2 kg/m². Potássio 3,1 mEq/L, Magnésio 0,9 mg/dL, Fósforo 1,8 mg/dL após reintrodução. Qual o diagnóstico e conduta?
  • A) Distúrbio hidroeletrolítico por etilismo. Repor eletrólitos + B1+B3+B6.
  • B) Distúrbio hidroeletrolítico por etilismo. Repor eletrólitos + B12.
  • C) Síndrome de realimentação. Reduzir aporte calórico + corrigir eletrólitos + repor Vitamina B1.
  • D) Síndrome de realimentação. Reduzir aporte calórico + corrigir eletrólitos + repor Vitamina B9.
  • E) Síndrome de realimentação. Reduzir aporte calórico + corrigir eletrólitos + repor Vitamina B12.
Gabarito: C
Comentário da Banca: Queda de K, Mg e P após nutrição em desnutrido = Síndrome de Realimentação. Exige redução de aporte calórico (10-15 kcal/kg/dia), correção eletrolítica e reposição obrigatória de Vitamina B1 (Tiamina).
Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2023 — Q.37
Em relação às complicações na terapia nutrológica enteral, assinale a alternativa CORRETA:
  • A) Em pacientes com alto risco para SR, a tiamina é usada na dose de 300 mg após o início da terapia nutricional.
  • B) São fatores de risco para broncoaspiração: idade acima de 60 anos e dieta enteral em bolus.
  • C) Em pacientes com alto risco para SR, é recomendado monitorar eletrólitos a cada 12 horas nos primeiros 3 dias.
  • D) A obstrução de sonda pode ser manejada com lavagem com mínimo de 10 mL de água antes e após medicações.
Gabarito: C
Comentário da Banca: Alternativa C é a correta: o protocolo ESPEN/ASPEN exige dosagem de P, K e Mg de 12 em 12 horas nos primeiros 3 dias. A alternativa A erra pois a tiamina deve ser administrada ANTES de iniciar a dieta, e nunca após!

5. Tratamento: Doses, Vias e Timing por Cenário

Cenário Clínico Específico Dose e Via Recomendada (ESPEN 2022) Regra Prática de Prova
Nutrição Enteral de Manutenção 1,5–3 mg/dia VO/EV Coberto pelo multivitamínico padrão para 1.500 kcal/dia.
Nutrição Parenteral Total ≥ 2,5 mg/dia EV Adição obrigatória na bolsa de NP. Omissão = evento grave.
Deficiência Leve Ambulatorial 10 mg/dia VO por 1 sem, depois 3-5 mg/dia por ≥6 sem Apenas em pacientes estáveis sem disabsorção.
Profilaxia em Uso de Diurético 50 mg/dia VO Compensa perda urinária de hidrossolúveis.
Paciente em Risco Subclínico 100 mg EV 3x/dia (300 mg/dia) Alcoolista sem sintomas ou pós-operatório com baixa ingesta.
Síndrome de Realimentação (Prevenção) 300 mg EV ANTES da nutrição + 200–300 mg/dia EV por ≥3d TIMING CRÍTICO: Sempre ANTES das calorias/glicose.
Encefalopatia de Wernicke (Tratamento) 500 mg EV 3x/dia (1.500 mg/dia) por 3 a 5 dias EMERGÊNCIA NEUROLÓGICA. Infundir em 30 min diluído em 100 mL de SF 0,9%. Corrigir Mg²⁺.
Terapia Renal Substitutiva (CRRT) 100 mg/dia EV Compensa perdas contínuas pelo filtro.
Paciente Crítico em UTI 100–300 mg/dia EV por 3–4 dias Reposição empírica na admissão em UTI.
As 4 Armadilhas Clássicas de Doses

1. TIMING ERRADO: Qualquer opção com tiamina APÓS o início da dieta está ERRADA.

2. DOSE ÚNICA UNIVERSAL: Não existe dose única para tudo (100mg risco ≠ 300mg SR ≠ 500mg 3x/dia Wernicke).

3. VIA ORAL EM EMERGÊNCIA: Paciente com Wernicke ou vômitos exige via EV/IM.

4. ESQUECER O MAGNÉSIO: Mg²⁺ é cofator da ativação de tiamina em ThDP. Hipomagnesemia gera resistência ao tratamento.

6. Monitoramento e Follow-up

6.1 Protocolo de Monitoramento na Síndrome de Realimentação

  1. Antes de Iniciar Nutrição: Identificar risco e administrar Tiamina 300 mg EV 30 min antes das calorias.
  2. Primeiras 24-48h: Iniciar dieta com 10–20 kcal/kg/dia. Progredir 33% a cada 1-2 dias.
  3. Dosagem Eletrolítica: Monitorar P, K e Mg a cada 12 horas nos primeiros 3 dias. Repor venoso agressivamente.
  4. ECG: Monitorar segmento QT e risco de arritmia ventricular (hipocalemia / hipomagnesemia).
  5. Mecânica Respiratória: Observar sinais de fraqueza diafragmática (hipofosfatemia grave).
  6. Manutenção de Tiamina: Manter 200–300 mg EV/dia por no mínimo 3 a 5 dias.

6.2 Monitoramento da Resposta no Wernicke

Após iniciar Tiamina IV 500 mg 3x/dia:

  • Oftalmoplegia / Nistagmo: Melhora mais rápida (horas a 1-2 dias). Se não melhorar em 48h, rever diagnóstico ou checar magnésio.
  • Ataxia de Marcha: Melhora em dias a semanas.
  • Confusão Mental: Melhora em dias a semanas. Se persistir após 7 dias com amnésia anterógrada e confabulação, confirma-se a transição irreversível para Síndrome de Korsakoff.

7. Populações Especiais

7.1 Pós-Cirurgia Bariátrica

Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2022 — Q.77
Mulher de 36 anos, 2 meses após BGYR. Sobre micronutrientes, assinale a alternativa CORRETA:
  • A) Vitamina D: definida por 25OHD < 30 ng/dL. Cálcio e fósforo elevados e PTH reduzido corroboram.
  • B) Vitamina K: incomum após bariátrica, deve ser pesquisada se houver sangramentos e hematomas.
  • C) Cálcio: prevenir com carbonato de cálcio (melhor absorção sem ácido gástrico).
  • D) Ferro: pode ocorrer pois ferro é absorvido no íleo terminal.
  • E) Tiamina: pode causar beribéri ou Wernicke, mas ocorrência rara pela alta capacidade de estoque.
Gabarito: B
Comentário da Banca: A alternativa B é a correta. A alternativa E erra a armadilha do estoque: reservas de tiamina são mínimas (30-50mg) e esgotam-se em 2-3 semanas de vômitos. A em D erra o local de absorção do ferro (duodeno/jejuno); C erra o sal de cálcio (citrato é preferível sem acidez gástrica); A inverte o PTH (estaria alto na deficiência de Vitamina D).

7.2 Pacientes Críticos, Oncológicos e Nutrição Parenteral

Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2024 — Q.19
Em relação às vitaminas, qual alternativa traz a recomendação correta do ESPEN Micronutrient Guideline 2022?
  • A) Na SR, tiamina como prevenção na dose de 100 mg e tratamento na dose de 500 mg por 5 dias.
  • B) A deficiência de folato está relacionada a pancitopenia, glossite, estomatite angular, úlceras orais, depressão, irritabilidade e fadiga.
  • C) Doença hepática crônica e etilismo não são de risco para deficiência de vitamina A.
  • D) As manifestações da deficiência de B6 estão associadas à tríade de demência, diarreia e dermatite (pelagra).
Gabarito: B
Comentário da Banca: Alternativa B descreve perfeitamente o folato. A erra doses da SR (ESPEN preconiza 300mg ANTES); C erra pois hepatopatas são de alto risco para Vitamina A; D erra pois a Pelagra (3 Ds) é causada por Niacina (B3) e não B6.
Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2022 — Q.57
Paciente oncológico, 45 anos, perda de 10kg em 3m. Julgue o bloco (V-F-V-F):
( ) Na SR, além de eletrólitos, tiamina na dose de 300 mg/dia é recomendada.
( ) Glutamina é recomendada para prevenção de diarreia.
( ) Corticoides por 1-3 semanas podem ser considerados para estimular apetite.
( ) Em diarreia por radiação, probióticos devem ser utilizados.
  • D) V - F - V - F
Gabarito: D
Comentário da Banca: Tiamina 300mg na SR é correta (V); Glutamina não previne diarreia (F); Corticoide curto prazo estimula apetite em caquexia (V); Probióticos em imunocomprometidos em radioterapia são contraindicados pelo risco de bacteremia (F).
Questão Integrada ao Conteúdo • TEN 2025 — Q.96
Homem de 50 anos com jejunostomia terminal em NPD há 12m. Apresenta parestesias em MMII e dor óssea difusa. Exames: hipofosfatemia, hipomagnesemia, fosfatase alcalina elevada e PTH suprimido. Diagnóstico e conduta?
  • A) Deficiência de cobre e selênio. Solicitar ENMG.
  • B) Toxicidade por manganês e deficiência de K. Solicitar RM crânio.
  • C) Deficiência de tiamina e folato. Repor complexo B.
  • D) Deficiência de vitamina D e tiamina. Dosar 25OHD, repor tiamina e cálcio e investigar toxicidade por Alumínio como causa do PTH suprimido.
Gabarito: D
Comentário da Banca: Em Nutrição Parenteral prolongada, a dor óssea com fosfatase alcalina alta e PTH SUPRIMIDO é a assinatura clássica da toxicidade por contaminação por Alumínio nas bolsas parenterais. As parestesias indicam deficiência associada de tiamina e eletrólitos.

8. Pontos de Prova — Consolidação Final para o TEN

8.1 Mapa dos Conceitos Mais Cobrados

Conceito Chave Como a Banca Cobra e o que NÃO Errar
THTR-1 / THTR-2 (SLC19A2/3) THTR-2 (apical/luminal) e THTR-1 (basolateral) realizam transporte ativo Na⁺/H⁺ acoplado. Na desnutrição ocorre UPREGULATION dos receptores (não predomina difusão passiva). O etanol inibe diretamente THTR-1/2. (2025 Q.7).
Partição Sanguínea (80-90% Eritrócitos) 80-90% da tiamina circulante está nos eritrócitos como ThDP. Tiamina plasmática é <10% e flutua com a dieta. Dosagem em sangue total/hemácias por HPLC é o padrão-ouro.
Depuração e "Washout" Renal Reabsorção proximal por THTR-1 saturável. Megadoses saem na urina (toxicidade nula). Diuréticos de alça (Furosemida) e CRRT provocam eliminação maciça por "washout". (ESPEN 2022/2024).
ThDP e Magnésio Formada pela tiamina pirofosfoquinase dependente de Mg²⁺. HipoMg → resistência ao tratamento. (2023 Q.3, 2025 Q.7).
3 Enzimas Dependentes PDH + α-KGDH + Transcetolase. A deficiência REDUZ (nunca aumenta) a atividade. (2023 Q.3).
Isômeros de Lactato Tiamina → L-lactato (LDH humana). D-lactato = SIC tipo 2 + fermentação colônica. L-lactato normal com lactato total alto → D-lactato. (2025 Q.95).
Estoque Corporal ~30–50 mg. Esgota em 18–20 dias. NÃO é B12 (anos). Vômitos pós-bariátricos esgotam em 2–3 semanas. (2022 Q.77, 2025 Q.7).
Tríade de Wernicke Completa em apenas 16–38%. Confusão = 82%. Ausência da tríade NÃO exclui Wernicke. (2025 Q.7).
Modelo Blass-Gibson Glicose ANTES da tiamina precipita crise aguda. Tiamina SEMPRE ANTES das calorias. (2022 Q.57, 2023 Q.37).
Dose de Wernicke 500 mg EV 3x/dia (1.500 mg/dia). (2023 Q.8).
Dose de SR 300 mg EV ANTES das calorias + 200-300 mg/dia EV por ≥3 dias. (2023 Q.8, 2022 Q.51).
Monitoramento Eletrolítico P, K e Mg a cada 12 horas nos primeiros 3 dias na SR. (2023 Q.37).
Diferencial B1/B12/Folato B1 = Wernicke + neuropatia axonal. B12 = mielopatia combinada subaguda + anemia. Folato = anemia macrocítica SEM neuro. NUNCA folato isolado sem B12. (2025 Q.78).
ThDP Eritrocitário Padrão-ouro. NÃO cai com inflamação de fase aguda. Tiamina plasmática não recomendada.

8.2 Pérolas Clínicas e Atalhos de Memorização

Mnemônicos Finais Pré-Prova

PCT: Piruvato desidrogenase + α-Cetoglutarato desidrogenase + Transcetolase = as 3 enzimas que dependem de ThDP. A deficiência REDUZ as três.

"Tiamina ANTES, sempre ANTES": Tiamina precede qualquer carboidrato em Wernicke, SR e etilista desnutrido.

"B1 = semanas, B12 = anos": Estoque de B1 dura 18–20 dias; estoque de B12 dura 3–5 anos.

"L de tiamina = L-Lactato. D de D-Lactato = Disbiose colônica": L-lactato é o isômero da falha da PDH por tiamina.

"Wernicke = 500x3. SR = 300 antes": Wernicke exige 500mg IV 3x/dia; SR exige 300mg IV pré-dieta.

9. Simulado de Questões Interativas (TEN 2022–2025)

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TEN 2022 • Q.51SR em Pancreatite Alcoólica
Mulher de 44 anos, pancreatite alcoólica, 8 dias em jejum → reintrodução de dieta oral. IMC 16,2 kg/m². Potássio 3,1 mEq/L, Magnésio 0,9 mg/dL, Fósforo 1,8 mg/dL. Qual o diagnóstico e conduta?

Gabarito: C. Queda de K, Mg e P após nutrição em desnutrido = Síndrome de Realimentação. Exige redução de aporte calórico, correção eletrolítica e reposição obrigatória de Vitamina B1 (Tiamina).

TEN 2022 • Q.57Paciente Oncológico & Doses SR
Paciente oncológico, 45 anos, perda de 10kg em 3m. Julgue o bloco (V-F-V-F):
( ) Na SR, tiamina 300 mg/dia é recomendada.
( ) Glutamina é recomendada para prevenção de diarreia.
( ) Corticoides por 1-3 semanas podem estimular apetite.
( ) Em diarreia por radiação, probióticos devem ser utilizados.

Gabarito: D (V-F-V-F). Tiamina 300mg na SR é correta (V); Glutamina não previne diarreia (F); Corticoide curto prazo estimula apetite (V); Probióticos em imunocomprometidos em radioterapia são contraindicados pelo risco de bacteremia (F).

TEN 2022 • Q.77Armadilha do Estoque Pós-Bariátrica
Mulher de 36 anos, 2 meses após BGYR. Sobre micronutrientes, assinale a alternativa CORRETA:

Gabarito: B. A alternativa E erra pois reservas de tiamina são mínimas (30-50mg) e esgotam-se em 2-3 semanas de vômitos.

TEN 2023 • Q.37Monitorização Eletrolítica na SR
Em relação às complicações na terapia nutrológica enteral, assinale a alternativa CORRETA:

Gabarito: C. Protocolo ESPEN/ASPEN exige dosagem de P, K e Mg a cada 12 horas nos primeiros 3 dias. Alternativa A erra o timing (tiamina deve ser ANTES da nutrição).

TEN 2023 • Q.3Bioquímica da α-KGDH
Com relação à Encefalopatia de Wernicke-Korsakoff (EWK), marque a alternativa INCORRETA:

Gabarito: A. A deficiência de tiamina REDUZ (inibe) a atividade da α-cetoglutarato desidrogenase no ciclo de Krebs.

TEN 2023 • Q.8Doses ESPEN 2022
Qual a recomendação de suplementação de tiamina para tratamento de Wernicke e para síndrome de realimentação, respectivamente?

Gabarito: A. Wernicke = 500 mg EV 3x/dia (1.500 mg/dia). Prevenção de SR = 300 mg/dia EV ANTES de iniciar a nutrição.

TEN 2024 • Q.19ESPEN 2022 & Folato
Em relação às vitaminas, qual alternativa traz a recomendação correta do ESPEN Micronutrient Guideline 2022?

Gabarito: B. Alternativa B descreve o folato. D erra pois a Pelagra (3 Ds) é por deficiência de Niacina (B3).

TEN 2025 • Q.7Fisiopatologia no Etilista
Paciente de 50 anos, etilista crônico desnutrido, apresenta confusão, oftalmoplegia e ataxia (Wernicke). Qual afirmativa a seguir é CORRETA?

Gabarito: A. A descreve a ativação em ThDP e seu papel bioenergético. B e C erram sobre o transporte ativo THTR-1/2 que é preservado na desnutrição e inibido pelo álcool. D erra sobre reservas que são mínimas.

TEN 2025 • Q.78Diferencial Pós-Bariátrica
Paciente de 45 anos, BGYR há 10 meses. Apresenta fraqueza, parestesias distais, marcha atáxica, perda de sensibilidade vibratória/proprioceptiva, hiperreflexia patelar e anemia macrocítica. B12 198 pg/mL. Qual a diferenciação correta?

Gabarito: B. O quadro cordonal medular com hiperreflexia e atrofia vibratória/proprioceptiva é exclusivo da Mielopatia por B12. O folato produz anemia idêntica sem dano medular.

TEN 2025 • Q.95Acidose D-Láctica no SIC
Paciente de 52 anos com SIC tipo 2, cólon em continuidade. Em NP cíclica. Confusão mental, fala arrastada e ataxia pós-refeição. Acidose de ânion-gap 22 com L-lactato NORMAL (1,1 mmol/L). Qual o mecanismo e conduta?

Gabarito: C. L-Lactato NORMAL exclui tiamina. O quadro é Acidose D-Láctica por disbiose bacteriana colônica no intestino curto.

TEN 2025 • Q.96NPD & Toxicidade por Alumínio
Homem de 50 anos com jejunostomia terminal em NPD há 12m. Apresenta parestesias em MMII e dor óssea difusa. Exames: hipofosfatemia, hipomagnesemia, fosfatase alcalina elevada e PTH suprimido. Diagnóstico e conduta?

Gabarito: D. Dor óssea com fosfatase alcalina alta e PTH suprimido em NPD prolongada é a assinatura clássica da toxicidade por contaminação por Alumínio.

10. Referências Bibliográficas

  1. Berger MM, Shenkin A, Schweinlin A, et al. ESPEN micronutrient guideline. Clin Nutr. 2022;41(6):1357–1424.
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  10. Associação Médica Brasileira (AMB) / Conselho Federal de Medicina (CFM). Provas de Título de Especialista em Nutrologia (TEN) — Questões dos exames de 2022, 2023, 2024 e 2025.

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